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Jorge J. Okubaro1
Criado oficialmente em março de 1965 com sua atual designação, o Centro de Estudos Nipo-Brasileiros (CENB) tem uma história mais longa do que seus 60 anos de existência formal. O CENB, ou Jinmonken (de seu nome em japonês, San Pauro Jinmon Kagaku Kenkyū-jo), nasceu das preocupações de um grupo de intelectuais japoneses radicados no Brasil com a situação de seus compatriotas logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Desse grupo informal, que se reunia aos sábados (daí seu nome Doyōkai, ou Clube dos sábados), surgiu algum tempo depois o Círculo de Estudos de Ciências Humanas de São Paulo, precursor do CENB em seu formato atual.

Acadêmicos, pesquisadores, jornalistas, escritores e artistas ligados ao CENB produziram artigos, livros, relatórios e análises sobre diferentes aspectos da presença de japoneses e seus descendentes no Brasil. Entre seus colaboradores e pesquisadores estão Zenpachi Ando, Teiichi Suzuki, Hiroshi Saito, Tomoo Handa, Katsunori Wakisaka, Takashi Maeyama, Chiyoko Mita, Koichi Mori e Shozo Motoyama. A lista está longe de ser completa.

Muitos dos integrantes do CENB participaram de uma obra essencial para o conhecimento e a compreensão da imigração japonesa no Brasil, que é Uma Epopeia Moderna – 80 Anos da Imigração Japonesa no Brasil (São Paulo, 1992, Editora Hucitec/Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa). É também de iniciativa do CENB a edição de outra obra indispensável para o estudo da imigração japonesa no Brasil, O Imigrante Japonês – História de sua Vida No Brasil (São Paulo, 1987, T. A. Queiroz/Centro de Estudos Nipo-Brasileiros), de autoria de Tomoo Handa. A Pesquisa da População de Descendentes de Japoneses Residentes no Brasil (1987-1988) é igualmente trabalho do Centro de Estudos Nipo-Brasileiros, por encomenda da JICA (Japan International Cooperation Agency). Trata-se de um censo estatístico por amostragem realizado como parte das comemorações dos 80 anos da imigração japonesa no Brasil.

Com o apoio de pessoas e instituições interessadas em estimular o estudo da imigração japonesa no Brasil e do papel dos imigrantes no desenvolvimento do país que os acolheu, os pesquisadores conseguiram formar o acervo do Jinmonken, do qual fazem parte documentos, livros, publicações e informações não disponíveis em outras instituições. O material está aberto a todos os estudiosos desses temas. São pesquisadores do Brasil e do exterior que buscam no Jinmonken material documental essencial para seus trabalhos em geral de natureza acadêmica.
Atento às transformações propiciadas pelo avanço tecnológico, o CENB vem procurando, na medida de suas possibilidades, facilitar aos diferentes pesquisadores o acesso eletrônico a seu acervo. Trata-se não apenas de adaptar-se à era digital, mas de buscar oferecer, como tem feito ao longo de sua história, meios para que todos os interessados possam consultar o material documental que acumulou ao longo de sua existência. É um trabalho permanente, que não apenas implica modernização, mas também exige rejuvenescimento de mentalidades. Um dos resultados está na nova plataforma de acesso digital ao material do CENB.

A presença constante em sua sede de pesquisadores de diferentes áreas de formação, de diferentes instituições de ensino brasileiras e estrangeiras, com diferentes preocupações e interesses, são prova de que o Jinmonken vem cumprindo o papel para o qual foi desenhado por seus pioneiros.
No ano em que completa 60 anos de existência, o Centro de Estudos Nipo-Brasileiros recebeu a visita inédita do mais importante diplomata japonês em função no Estado de São Paulo, em Mato Grosso do Sul e no Triângulo Mineiro. Surpresa e reconhecimento talvez sejam duas expressões adequadas para descrever a presença do cônsul-geral do Japão em São Paulo, Sr. Toru Shimizu, na sede do CENB no dia 12 de agosto de 2025. Foi uma surpresa para a diretoria do CENB, não apenas pelo fato de ser a primeira visita de um cônsul-geral à sede, mas porque o próprio diplomata pediu para conhecer seu acervo. E foi um reconhecimento, pelo cônsul-geral Shimizu, da importância do acervo do CENB e do trabalho que o Centro tem realizado desde sua criação. Designado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão para funções diplomáticas em outro país pouco tempo depois de sua visita à sede, o então cônsul Shimizu informou ter recomendado à pessoa que o substituiria a inclusão, entre suas missões, de uma visita ao Jinmonken, para entender o papel dos imigrantes japoneses e seus descendentes no Brasil.

Talvez essa recomendação sintetize o que foi, o que é e o que continuará sendo o objetivo do Centro de Estudos Nipo-Brasileiros. É para cumprir esse objetivo que o Jinmonken vem trabalhando – e, com o apoio de pessoas e instituições que o têm sustentado há muitas décadas, continuará a trabalhar.
(São Paulo, 16 de outubro de 2025)