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Chegada do Voluntário Sênior para a Comunidade Nikkei da JICA, Sr. Kunitoshi Shimizu

Cumprimentos

Muito prazer. Meu nome é Kunitoshi Shimizu e sou Voluntário Sênior para a Comunidade Nikkei da JICA. A partir de 25 de julho de 2018, fui designado para o CENB como curador pelo período de aproximadamente dois anos. Embora minha função seja de curador, trabalho como arquivista organizando documentos manuscritos em japonês. Gostaria de me apresentar falando sobre minha trajetória pessoal e meu tema de pesquisa: Arquivologia, arquivos e a profissão de arquivista.

Nasci e cresci na cidade de Sakura, província de Chiba. Muitos talvez reconheçam a cidade como a terra natal do jogador de beisebol Shigeo Nagashima. Sakura tem uma rica história: durante o período Edo, foi sede do castelo do clã Sakura; no final desse período, o clã foi pioneiro no estudo da medicina holandesa, estabelecendo o Hospital Juntendo; e desde a era Meiji até o fim da Segunda Guerra Mundial, o terreno do castelo serviu como base militar do exército, abrigando um regimento de infantaria. A cidade carrega, assim, a história de centro político feudal, berço da medicina holandesa e local de regimento militar. Crescendo nesse ambiente histórico, desde criança me apaixonei pela história, especialmente a história do Japão, e ingressei na Universidade Kokugakuin. Na universidade, especializei-me em história do período moderno japonês e, após me formar, passei a trabalhar no Arquivo de Documentos da Província de Chiba, uma instituição de preservação de documentos históricos, onde me dediquei principalmente à organização de documentos antigos dos períodos Edo e Meiji. Por outro lado, mesmo após a graduação, não conseguia definir claramente meu tema de pesquisa e passei anos sem um direcionamento específico, até que gradualmente comecei a me interessar pela Arquivologia.

Frequentemente me perguntam: "O que são arquivos (archives)?". Nos dicionários de inglês, a palavra tem dois significados: os documentos propriamente ditos, como textos e imagens, e as instituições que preservam esses registros. Recentemente, com o uso frequente do termo na internet, surgiram outras interpretações além desses significados originais, havendo uma tendência de uso misto, o que acredito levar as pessoas a me fazerem a pergunta mencionada anteriormente, já que pesquiso Arquivologia. Para mim, existe um terceiro significado: transformar documentos em documentos históricos. Refiro-me ao processo de organizar materiais em papel e outros suportes, estabelecer sistemas para sua utilização e transmiti-los às gerações futuras, convertendo-os de simples documentos em documentos históricos. Explicando com mais detalhes: documentos, livros contábeis, cartas, fotografias e vídeos são criados por indivíduos ou organizações com determinadas intenções, propósitos ou atividades. Esses materiais registram o cotidiano das pessoas, diversos acontecimentos e os planejamentos, processos e resultados de atividades. Embora fossem utilizados com frequência quando criados, após a conclusão das atividades planejadas, sua utilização diminui. É nesse momento que, ao organizar e preservar esses documentos e estabelecer sistemas para sua utilização, eles se tornam documentos históricos que comprovam as atividades realizadas. Podemos dizer também que ali ficam preservadas na história as provas da existência das pessoas envolvidas nessas atividades. Portanto, somente após organizar os documentos, estabelecer sistemas que possibilitem sua utilização e aplicar medidas adequadas de preservação é que eles se tornam verdadeiros documentos históricos. Este é o terceiro significado de arquivos, a pessoa que realiza esse trabalho é chamada de arquivista (archivist), e a disciplina que estuda cientificamente os arquivos é a Arquivologia.

A propósito, uma das razões pela qual existem poucos estudos historiográficos sobre a imigração japonesa no Brasil é a falta de organização de documentos, especialmente materiais escritos à mão em japonês. Quando falamos de imigrantes japoneses, não se trata apenas da imigração como projeto governamental, mas também de viagens individuais, migrações realizadas por organizações religiosas cristãs, escolas de colonização, empresas de imigração e outras organizações privadas. Além disso, havia organizações receptoras no Brasil, como entidades de imigrantes e associações de colônias. Naturalmente, ambos os lados – remetentes e receptores, indivíduos e organizações – geraram diversos tipos de documentos. A variedade desses materiais é incontável: documentos para a viagem ao Brasil, passaportes individuais, diários relatando atividades após a chegada, correspondências entre indivíduos e entidades receptoras, cartas trocadas com familiares, parentes e amigos no Japão, entre outros. Esses documentos registram muitos eventos e atividades ainda desconhecidos na história da imigração até hoje. É fundamental transformá-los em arquivos. Dessa forma, não apenas para pesquisas históricas, mas também para rastrear a história de ancestrais e famílias, usar atividades passadas como referência para criar novas iniciativas, ou compilar publicações comemorativas, esses materiais podem ser utilizados para diversos fins. Em outras palavras, os arquivos tornam-se a base fundamental de tudo

O CENB vem coletando documentos escritos relacionados à imigração desde sua fundação. No entanto, atualmente, esses materiais encontram-se em estado desorganizado. Durante os aproximadamente dois anos em que estou trabalhando aqui, pretendo transformar esses documentos coletados em arquivos e, como testemunho vivo dos imigrantes japoneses e nikkeis que viveram na terra brasileira, transmiti-los para o futuro, daqui a 100 ou 200 anos

O diário de Shimizu-san como voluntário da JICA está disponível aqui →:笠戸丸の風

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