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Pesquisa da população de descendentes de japoneses residentes no Brasil
-1987・1988-

NOTA EXPLICATIVA

O presente levantamento, realizado entre 1987 a 1988, é o único que se estriba em metodologia estatística ao tentar descrever a população constituída pelos japoneses e seus descendentes no Brasil. Originalmente, tomaram-se providências para que fosse realizada uma pesquisa de rastreamento a cada dois anos a fim de manter os dados atualizados. No entanto, infelizmente, por motivos financeiros, tornou-se impossível dar sequência ao projeto.

Ao preparar a publicação deste relatório, deparamo-nos com o fato de que muitas tabelas contêm erros aparentes; apesar disso, tomamos a decisão de publicar as tabelas como aparecem no original. Contamos com a compreensão de todos.

Por fim, baseando-se na taxa média geométrica de crescimento anual divulgada pelo IBGE, estimamos que, em 2010, a população total de japoneses e descendentes no Brasil tenha atingido a cifra de 1.600.000 pessoas.

junho de 2012
Centro de Estudos Nipo-Brasileiros

INTRODUÇÃO

Este relatório é parte do "Levantamento da População de Japoneses e seus Descendentes Residentes no Brasil", realizado em 1987 e 1988 em comemoração aos 80 anos da imigração japonesa no Brasil pelo Centro de Estudos Nipo-Brasileiros sob os auspícios da Japan International Cooperation Agency - JICA.

Em julho de 1987, foram feitos o levantamento básico e determinação das amostras, e em julho de 1988, realizada a pesquisa sócio-econômica, sendo efetuados, nesse ínterim, alguns levantamentos complementares.

No "Dia do Imigrante", em junho de 1988, foi apresentado o relatório provisório relativo ao 1º levantamento básico, quando se anunciou que a população de japoneses e seus descendentes residentes no Brasil era estimada em 1.168.000 habitantes (±22.000). Com os levantamentos complementares realizados posteriormente, o dado acima foi corrigido, e essa população foi estimada em 1.228.000 (±3.000). Assim, neste relatório, esta última cifra é adotada como a estimativa da população referente à citada data. A população para julho de 1988, computando-se o crescimento vegetativo, foi estimada em 1.280.000. Os dados que constam do presente relatório se referem apenas às cifras básicas. Apesar de os dados levantados se acharem todos eles armazenados em fita magnética, por ocasião da feitura do presente relatório, nem tudo havia sido devidamente processado. Dest'arte, o presente trabalho não é senão um relatório parcial.

Os cruzamentos dos dados e as análises correspondentes deverão constar do relatório final que se pretende elaborar em futuro próximo. Todavia, na medida do possível, foram feitas análises comparativas com os dados do "Censo Demográfico da Colônia japonesa - 1958" e com os dados gerais do Brasil.

SUCINTA DESCRIÇÃO DA PESQUISA

Objetivo

Esta pesquisa tem por objetivo reunir informações para o levantamento da população de japoneses e seus descendentes residentes no Brasil e apreensão das suas situações sócio-econômicas atuais.

Universo da Pesquisa

Todos os japoneses e seus descendentes residentes no território brasileiro com exclusão da Ilha de Fernando de Noronha (Censo de 1980 - População: 1.342 habitantes). A população aqui referida abrange todos os imigrantes japoneses, todas as pessoas dessa nacionalidade com permanência no País acima de 3 meses, inclusive aquelas com previsão de permanência acima do citado período, e todos os seus descendentes, residentes no Brasil. Incluem-se todas as pessoas residentes no País que tenham entre os seus antepassados pelo menos um japonês nas condições citadas acima. Assim, se acham incluídos todos os miscigenados de origem japonesa independente do seu grau de miscigenação, todos os japoneses com vistos de permanência prolongada e seus familiares.

Sistema de Pesquisa

Esta pesquisa foi planejada para ser executada em etapas. Na primeira etapa foram coletadas informações básicas necessárias às pesquisa, identificando-se as unidades domésticas de descendentes de japoneses. Na 2ª etapa, contactando-se as unidades domésticas de descendentes de japoneses já identificadas, foram obtidas informações detalhadas sobre seus atributos. Este esquema foi adotado para não sobrecarregar o entrevistado bem como o pesquisador e poder assegurar a qualidade dos resultados. Teve-se, também, esse cuidado para a redução dos custos da pesquisa.

Esquema de Amostragem

Tendo-se em vista a inexistência de área de pesquisa já determinadas, foi necessário o estabelecimento de uma listagem de áreas. Para a amostragem de área, a única possibilidade era fazer-se uso dos setores estabelecidos para o Centro Nacional - dados de 1980. Levando-se em conta o período de pesquisa, o número de pesquisadores, o orçamento destinado à pesquisa, etc., e para que o levantamento projetado fosse realizado completo e a contento, o setor foi subdividido geograficamente sobre o mapa, demarcando-se os subsetores.

Assim, a extração de área-amostra foi feita, em 1ª etapa o setor, e em 2ª etapa o sub-setor. Todas as unidades domésticas existente dentro do sub-setor foram levantadas no trabalho de campo e as as unidades domésticas de japoneses e seus descendentes devidamente registradas. Os setores foram estratificados segundo regiões, urbano ou rural, existência de associações de descendentes de japoneses e, também, de acordo com os resultados do Censo de 1980, como residência de pessoas nascidas no Japão e percentual de população amarela. Outros dados fornecidos pelo Censo, como os referentes às religiões orientais, foram considerados não relevantes para o objetivo da pesquisa e deixados de lado. Desta maneira, o total de 140.000 setores censitários foi estratificado em 103 estratos e cerca de 1.500 amostras foram extraídas por meio de computador pelo IBGE em seleção equiprobabilística com base numa distribuição que levou em conta informações especiais, mencionadas acima, com a intenção de incluir-se maior número de descendentes de japoneses do que se poderia esperar no caso de distribuição igual. Das amostras de setores foram formados agrupamentos de 3 sub-amostras independentes, possibilitando a mudança de tamanho no número de amostras em pesquisas futuras e também facilitar os cálculos dos erros. A proporção da população regional em relação à população total, a proporção da população amarela regional em relação à população amarela total, a proporção da população regional de japoneses em relação à população total de japoneses se constituíram na base da extração de amostras de setores, sendo que na estratificação foram levados em conta. Além disso, as divisões entre zona urbana-zona rural e a existência ou não de associações de origem japonesa foram consideradas na estratificação. O Quadro 1-1 e o Quadro 1-2 registram as proporções e a informações referidas acima.

Tomemos o exemplo do Estado de Amazonas para dar uma explicação sobre o procedimento. Todos os municípios que compõem o Estado foram divididas em 2 categorias: auqueles em que existem associações de origem japonesa e aqueles que não contam com esse tipo de organização. Em seguida, apesar de se cruzarem com as divisões acima, foram dividios em 2 categorias: em zona urbana e zona rural. Alem disso, os municípios que não possuem associações regionais de japoneses, os municípios que não possuem associações regionais de japonses foram combinados com os critérios de população amarela e de população de japoneses, conseguindo-se estabelecer as seguintes 6 categorias:
  1. UJ - Conjunto de setores urbanos onde existem japoneses
  2. UJ - Conjunto de setores urbanos onde não existe população de amarelos
  3. UA' - Conjunto de setores urbanos, onde existe população de amarelos, mas não existem japoneses
  4. RJ - Conjunto de setores rurais onde existem japoneses
  5. RA - Conjunto de setores rurais onde não existe população amarela
  6. RA' - Conjunto de setores rurais onde existe população amarela, mas não existem japoneses
Estabelecidos esses estratos, todos os setores de um município que não conta com associações japonesas ficam incluídos em uma das categorias.

Nos estratos regionais compostos pelos estados de Rondônia, Acre, Roraima e Amapá, de acordo com a listagem fornecida pela Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, de São Paulo(*), não existem associações japonesas regionais, como acontece nos estados nordestinos, com exceção dos estados de Pernambuco e Bahia, razão porque nesses estados os municípios foram divididos nas seguintes 4 categorias:
  1. UJ - Conjunto de setores urbanos onde existem japoneses
  2. UJ - Conjuntos de setores urbanos onde não existem japoneses
  3. RJ - Conjunto de setores rurais onde existem japoneses
  4. RJ - Conjunto de setores rurais onde não existem japoneses
Para a cidade de São Paulo, seria de pouca significação a divisão em urbano-rural, sendo, pois, os setores extraídos equiprobabilisticamente.

Como foi já exposto, os setores extraídos foram todos subdivididos geograficamente no mapa, e dos sub-setores assim obtidos foi sorteado um para se constituir na unidade de levantamento desta pesquisa.

(*) Foi utilizada a lista de 1987 elaborada pela Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, de São Paulo. Não havia a garantia de constarem todas as associações, mas não deixa de ser um indicador da concentração de japoneses e seus descendentes. Isto nada tem a ver com o rigor do tratamento estatístico da Pesquisa.
表 1 – 1
表 1 – 2

Pesquisadores e Questionários

Cerca de 110 pesquisadores de campo foram recrutados entre 700 universitários após passarem por uma entrevista. Eles foram treinados durante 8 dias com o uso de manual de instruções, questionários e outros materiais previamente preparados. Em algumas áreas mais distantes, pesquisadores do IBGE prestaram sua colaboração nos trabalhos de campo.

Quatro tipos de formulários de pesquisas (e mais um complementar) foram preparados para a 1ª etapa de levantamento básico: A - Mapa (croquis) do sub-setor; B - Lista geral das unidades domésticas do sub-setor pesquisado; C - Unidade doméstica de descendentes de japoneses; D - Identificação da genealogia dos membros descendentes de japoneses.

Na 2ª etapa das pesquisas, realizada em 1988 para levantar os aspectos sócio-econômicos, foram aproveitados cerca de 25 pesquisadores que já haviam participado da pesquisa no ano anterior. Foram selecionados os mais capacitados e também sob o critério de serem descendentes de japoneses. Isto porque, já na pesquisa precedente se notou que em alguns casos havia resistência por parte dos pesquisadores quando o pesquisador era não-descendentes. Os pesquisadores selecionados naturalmente já estavam familiarizados com o objetivo da pesquisa, além de, em muitos casos, voltarem às áreas que haviam pesquisado no ano anterior. Aliás, esse critério foi deliberadamente utilizado para facilitar o acesso bem como a abordagem das pessoas pesquisadas. Como acontecera no ano precedente, os pesquisadores foram treinados durante vários dias para tomarem conhecimento do método de pesquisa, recursos disponíveis, informações sobre as áreas atribuídas, questionários, etc

Em 1988, foram utilizados 3 tipos de questionários: A - Questionário sobre a mobilidade dos membros da unidade doméstica; B - Questionário sobre a unidade doméstica de descendentes de japoneses; C - Questionário individual [1] e [2]. Além disso, as unidades domésticas, cujos dados da pesquisa do ano precedente estavam incompletos, foram objeto de nova visita para complementação dos dados. Informações sobre as folhas se encontram em 6. Nessas duas pesquisas a língua empregada foi, basicamente, a portuguesa, mas às vezes foram encontradas pessoas pesquisadas não muito familiarizadas nela. Nesses casos, foram empregados os questionários em língua japonesa.

Trabalho de Campo

Em 1987, os pesquisadores foram enviados da sede, em São Paulo, munidos dos questionários e mapas demarcando os sub-setores designados. Os pesquisadores foram encarregados de realizar levantamentos em 7 sub-setores, em média, agrupados em função da distância e facilidade de locomoção. Para cada grupo de 10 pesquisadores foi designado um supervisor que dava assistência aos pesquisadores do grupo e controlava os trabalhos de campo. Em São Paulo, onde estavam concentradas cerca de 500 áreas de pesquisa, os trabalhos foram assistidos e controlados pela sede localizada na cidade de São Paulo. Os trabalhos de campo foram efetuados no período de 16 a 31 de julho de 1987. Todas as unidades domésticas nos sub-setores selecionados foram visitadas e todos os descendentes de japoneses identificados. A única exceção foi uma localidade cujo trabalho de campo foi impossível em virtude de inundação ocorrida na região.

Para checagem dos dados levantados no trabalho de campo, sub-amostras das áreas originais foram visitadas pela supervisão. Ao mesmo tempo, alguns sub-setores pesquisados, principalmente nas áreas metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro, onde se verificaram quantidades significativas de caso de não-resposta diante da inacessibilidade de apartamentos em grandes prédios, foram revisitados para completar-se o levantamento. Foram também designadas outras amostras para complementar as pesquisas em áreas onde o número de amostras estava aquém do mínimo necessário e efetuados os trabalhos de campo. Este segundo trabalho de campo, complementar, foi realizado no período de 4 a 12 de setembro de 1987, usando-se o mesmo referencial de tempo do trabalho original.

Nas pesquisas de 1988, foram consideradas exclusivamente as amostras, unidades domésticas de descendentes de japoneses, determinadas no levantamento do ano precedente. Os trabalhos de campo foram realizados em agosto de 1988. Os pesquisadores, munidos de mapas dos setores onde se achavam assinaladas as áreas a serem pesquisadas e de questionários, partiram da sede. À cada pesquisador foram atribuídas 20 - 40 amostras, levando-se em conta as condições de acesso às mesmas. Desta vez, não se adotou o esquema de designação de supervisores. As orientações e assistências aos pesquisadores foram dadas diretamente pela sede. Transcorrido um ano desde o levantamento anterior, constataram-se casos de deslocamento e mudanças das amostras. Os pesquisadores rastrearam, na medida do possível, os indivíduos-amostras nessas condições. Esse rastreamento teve prosseguimento, através de pesquisas complementar, para os casos não conclusos durante o período normal de levantamento.

Processamento dos Dados

Todas as folhas dos questionários, reunidos durante dois anos de trabalho de campo e devidamente ordenadas, foram examinadas pelo pessoal da coordenadoria da pesquisa e codificadas para o processamento em computador. A digitação das informações originais da pesquisa foi realizada pela Kyoei-Facom. A fita magnética e os materiais correlatos foram remetidos para o Japão para processamento. A tabulação foi realizada pela Japan Statistical Association seguindo o método estabelecido após muitas consultas e estudos. Nesta etapa, a assistência do Statistical Center fo the General Affairs of Japan, que propiciou facilidades técnicas e especializadas, inclusive software, foi de grande importância

Fórmulas

X refere-se ao total de variável sob pesquisa. Os sufixos i, j e k referem-se, respectivamente, ao estrato, setor e sub-setor, e aquele sem ( ) refere-se ao universo e o com ( ) à amostra. N e n referem-se, respectivamente, ao número de unidades do estágio seguinte indicado pelo sufixo. Assim, Ni(j) refere-se ao número de sub-setores incluído no j(ésimo) setor-amostra do i(ésimo) estrato. Por exemplo: m indica o número de conjuntos de sub-amostras utilizado e h refere-se ao h(ésimo) conjunto de sub-amostras. ^ indica o estimator concernente.
Fórmulas

AGRADECIMENTO

- Japan International Cooperation Agency - JICA pelo suporte financeiro à pesquisa. - Comissão para Festejos do 80º Aniversário da Imigração Japonesa no Brasil, que decidiu incluir a pesquisa como uma das realizações dessa comemoração, e colaborou dando diversas facilidades.

Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, que prestou assistência técnica, especialmente na fase de extração de amostras, preparação e execução dos trabalhos de campo.

Kyoei-Facom pela digitação dos dados.

The Statistical Center of the General Affairs Agency, Japan que cooperou na fase de preparação e finalização dos trabalhos de tabulação.

The Japan Statistical Association que executou a tabulação.

A AlfaInter Turismo prestou a assistência para transmissão de dados

POPULAÇÃO

Distribuição Regional da População

Pela pesquisa realizada, a população dos descendentes de origem japonesa residentes no Brasil em julho de 1987 foi estimada em 1.228.000 (±3.000). Entende-se por "descendentes de japoneses" aqui referidos, todos os imigrantes japoneses e os japoneses residentes no Brasil com permanência superior a 3 meses e seus descendentes, sendo, pois, incluídos todos aqueles no território brasileiro que tenham pelo menos um ascendente direto nas condições referidas. A imigração japonesa no Brasil foi iniciada em 1908, decorridos, pois, 79 anos por ocasião da realização do levantamento de campo, mas se partiu do suposto que todos possuiam claro conhecimento da existência ou não de um japonês entre os seus antepassados, entendendo-se aqui como antepassado o consanguíneo direto. Assim, neste levantamento, o pesquisador estava instruído para perguntar a toda população incluída dentro da área de pesquisa se "havia um japonês entre os seus antepassados". Em caso de resposta afirmativa, essa pessoa era solicitada a indicar no gráfico esquemático de elaboração da genealogia a posição desse antepassado. A grande maioria dos entrevistados respondeu com clareza a essa pergunta. Com referência à "unidade doméstica de origem japonesa", que tem relação com o conceito de "descendentes de japoneses", nesta pesquisa foi considerada como uma "unidade doméstica de origem japonesa" aquela unidade doméstica que continha pelo menos uma pessoa enquadrada dentro do mencionado conceito de "descendente de japoneses". Destarte, a totalidade da população incluída em todas essas unidades domésticas ultrapassa a totalidade da população de origem japonesa. Por ocasião do levantamento de 1987, essa população, compreendida em todas as unidades domésticas de descendentes de japoneses, alcançava a cifra de 1.490.000, incluindo que nessas unidades domésticas coabitavam cerca de 251.000 não-descendentes de japoneses. Como este relatório coloca como objeto a população de origem japonesa e tem por meta esclarecer as características dessa população, a abordagem com referência a essa população de não-descendentes será evitada na medida em que não haja prejuízo ao objetivo principal.

De acordo com os dados do IBGE, a população residente projetada do Brasil para 1987 é de 141.452.187 habitantes. Assim, a população de origem japonesa representa 0,868% da população total do país. E essa população reside, espalhada, em todo o território nacional. os quadros 2-1, 2-3, 2-5 mostram a distribuição regional dessa população. Baseiam-se todos, na divisão em cinco grandes regiões, mas como na região Sudeste há uma grande concentração de descendentes japoneses, os quadros 2-3, 2-5 mostram as distribuições populacionais com maiores subdivisões: Município de S. Paulo, Grande S. Paulo (excluindo-se do Município de São Paulo), Estado de São Paulo (com exclusão do Minicípio de São Paulo e Grande São Paulo) e outros estados em que são compreendidos Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais.
表 2 – 1
表 2 – 2
備考:
Grande São Paulo [サンパウロ市を除く]
Estado de São Paulo [サンパウロ市と大サンパウロ圏を除く]
表 2 – 3
表 2 – 4
表2-5
Destes quadros se pode ver que não há região onde não se encontrem descendentes de japoneses. Estão eles em todos os lugares. Entretanto, a sua distribuição, obviamente, não é uniforme. Nada menos que 79,4% se concentram na região Sudeste. Além do mais, a sua maioria (72,23%) se acha radicada no Estado de São Paulo, sendo que na cidade São Paulo se encontram 26,55% dessa população. A região Sul abriga 11,69% do total da população de origem japonesa, e no Estado do Paraná se concentra a grande maioria. Nas demais regiões as distribuições são as seguintes: Centro-Oeste: 3,98%; Norte - 2,68% e Nordeste - 2,32%. A região Nordeste, com a menor concentração de população de origem japonesa, tem 28.000 habitantes dessa origem. Comparando-se essa distribuição da população com os dados de 1958 ["THE JAPANESE IMIGRANT IN BRAZIL", University of Tokyo Press - 1964/69. - Levantamento censitário feito em 1958, por ocasião do 50º aniversário da imigração japonesa no Brasil. Inexistindo quaisquer outros estudos/dados estatísticos para efeito de comparação, quando se assinalar 1958, fica entendido, doravante, que se trata dessa fonte] (Quadro 2-7), nota-se que a população teve aumento de 3 vezes, e apesar de manter as tendências regionais no mesmo sentido, percebe-se que houve uma maior área de dispersão.
表 2 – 6
表 2 – 7

População segundo Urbano-Rural

Ao examinar-se a distribuição da população nas zonas urbana e rural, preliminarmente, devemos fazer referência ao critério adotado nessa divisão. A área de pesquisa escolhida para este levantamento, como já foi mencionado, é o setor censitário determinado pelo IBGE, em que o território de um município é dividido de maneira que o setor comporte aproximadamente 1.000 habitantes. Para esta pesquisa o setor foi subdividido em algumas partes que foram designadas sub-setores. O IBGE classifica em 4 categorias as áreas em que se situam os setores censitários: Vila ou Cidade, Urbana isolada, Aglomerado Rural, Rural, e considera as 2 primeiras como localizações em zona urbana e as 2 últimas como situadas em zona rural. Assim, as nossas áreas-amostras foram classificadas sob os mencionados critérios estabelecidos pelo IBGE.

Os quadros 2-8, 2-9 mostram as distribuições da população de origem japonesa nas zonas urbana e rural. Acham-se incluídos na zona urbana 1.104.000 habitantes que correspondem a 89,98% do total dessa população, ficando para a zona rural 124.000 pessoas ou 10,11% do total. No levantamento complementar feito no ano de 1988 não se notou diferença significativa nessa proporção.
表 2 – 8
表 2 – 9
No quadro 2-10, é feita comparação da distribuição populacional segundo urbano-rural dos descendentes de japoneses com a totalidade da população brasileira. O Censo Nacional de 1980 indica que a proporção zona urbana - zona rural era, naquele ano, de 67,59% para 32,41%. O índice de residência urbana da população de origem japonesa é superior ao índice nacional significativamente.
表 2 – 10
Essa distribuição da população de origem japonesa pode ser comparada com os dados de 1958, cabendo, todavia, uma observação a respeito: o critério de urbano-rural adotado naquela ocasião difere do critério atual. Naquela ocasião se considerou residente na zona urbana se a moradia estivesse localizada em logradouro nomeado pela prefeitura local, e em caso contrário, vejamos as mudanças havidas nos últimos 30 anos quanto às distribuições das populações: em 1958, os moradores da zona eram 44,9% do total, ao passo que se encontravam na zona rural 55,1%. Esses índices acompanhavam de perto a situação de distribuição da população brasileira na época. Com isso, se pode dizer que a velocidade de deslocamento da população de origem japonesa para a zona urbana foi mais intensa do que a de população brasileira em geral nestes 30 anos. O quadro 2-11 indica, por faixas etárias, os locais de nascimento dos descendentes de japoneses nascidos no Brasil, fazendo-se a classificação em zona urbana e zona rural. Segundo esses dados, a partir da camada de 30-45 anos de idade a proporção dos nascidos na zona urbana supera a dos nascidos em zona rural, indicando a intensificação da tendência de urbanização dessa população.

População segundo Sexo-Idade

A composição da população de origem japonesa segundo sexo, em 1987 por ocasião da realização desta pesquisa, era de 625.000 do sexo masculino e 595.000 do sexo feminino (8.000 sem informação). Esta estimativa indicava, pois, a proporção de 50,88% para o sexo masculino e 48,43% para o sexo feminino, com pequena predominância dos homens. Os quadros 2-12, 2-13, 2-14 mostram as distribuições da população segundo sexo e faixas etárias. Divisões em 30 anos de idade indicam que em todas as faixas a população de homens supera a das mulheres, mas nas distribuições que resultam da divisão em 15 anos de idade, na faixa etária de menos de 15 anos a população feminina é superior à masculina.
表 2 – 12
表 2 – 13
表 2 – 14
O quadro 2-15 indica a composição percentual, por sexo e faixas etárias de 15 anos, da população do Brasil. No total, para o ano de 1986, a proporção é de 50,88% para homens e 49,22% para mulheres. Quer dizer que a população de origem japonesa apresenta a mesma tendência frente à composição populacional do País. Outrossim, comparando-se com os dados de 1958, não se constatam diferenças significativas tanto na distribuição percentual por sexo como na composição por faixas etárias.

Examinando-se as composições das populações do País todo e dos descendentes de japoneses, com faixas etárias divididas em 15 anos de idade, constata-se que para a população com menos de 30 anos os coeficientes gerais superam os dos descendentes de japoneses, ao passo que para as idades superiores a 30 anos a população de origem japonesa apresenta percentual maior do que a da população geral do Brasil. (Quadros 2-14, 2-15).
表 2 – 15
表 2 – 16

População segundo Japonidade

Será examinada a composição da população de origem japonesa empregando-se o conceito de "japonidade". O grau de "japonidade" de uma pessoa é definido da seguinte maneira: atribui-se o grau 1 (um) para o japonês e o grau 0 (zero) para o não-japonês; a média dos graus atribuídos ao pai e à mãe indica o "grau de japonidade" dessa pessoa. Quer dizer que enquanto se repetir o casamento entre pessoas com grau de japonidade 1, o mesmo grau será atribuído ao seu filho. Este conceito tem por fim apreender uma faceta da miscigenação. Por exemplo, um filho nascido de pai japonês sem miscigenação (grau de japonidade = 1) e mãe não-japonesa (grau de japonidade = 0) terá o grau de japonidade (1 + 0) / 2 = 1/2.

Assinale-se que neste conceito não se inclui qualquer significado cultural. O quadro 2-17 é elaborado, dividindo-se a população segundo os valores obtidos de acordo com os critérios acima mencionados, classificando-os por sexo, urbano-rural.
表 2 – 17
No geral, 71,58% da população de origem japonesa têm grau 1, não miscigenados portanto, e os miscigenados, em graus variados, somam 27,34%. Deste, a grande maioria apresenta grau de japonidade acima de 1/2, sendo de apenas 4% aproximados aquelas pessoas que apresentam esse valor abaixo de 1/2.

As mulheres apresentam grau de miscigenação um pouco superior ao dos homens, sendo que na zona rural o nível de miscigenação é inferior em cerca de 10% do que na zona urbana.

População segundo Geração

A "geração" aqui empregada obedece à seguinte definição. O imigrante japonês é considerado da 1ª geração [issei]. O filho nascido de pai e mãe da 1ª geração é considerado da 2ª geração [nissei] e o filho nascido do casal de "nissei" é dito da 3ª geração [sansei]. O descendente de japoneses nascido de casal de gerações diferentes terá a geração definida acrescendo-se uma unidade à numeração ordinal da geração mais avançada dos pais. Por exemplo, o filho nascido de pais da 1ª e 2ª gerações será, segundo esta definição, da 3ª geração. Outrossim, tendo em vista a existência de numerosos descendentes miscigenados de origem japonesa, adotou-se também divisões em sub-categorias de "puro" e "miscigenado". Assim, o filho nascido de japonês (1ª geração) e não-japonês será de 2ª geração-miscigenado, e o filho nascido do casal de "nisei" - puro e não-japonês será um descendente de origem japonesa da 3ª geração -miscigenado. Este conceito é independente do conceito de identidade referente à etnicidade, onde o indivíduo se auto-identifica, ou tem consciência de sua ascendência étnica. Não tem, pois, nenhuma correlação com os aspectos culturais. São índices atribuídos exclusivamente em função da posição ocupada dentro da linhagem genealógica.

Os quadros 2-18, 2-19, 2-21 dão as composições da população de origem japonesa segundo gerações, adotado o critério acima referido. Pelo que se vê, por ocasião do levantamento, a população de japoneses (1ª geração) residente no Brasil era de apenas 12,51% do total. Os descendentes de 2ª geração eram 30,85%, e os da 3ª geração, os mais numerosos, ascendendo a 41,33%. Apesar de pequeno em número, existem aqueles da 5ª geração. Examinando-se a distribuição das gerações segundo o sexo, não se nota diferença significativa. Do ponto de vista do urbano-rural, a zona rural contém maior número de japoneses da 1ª geração. Vendo-se sob o critério da distribuição segundo as idades, os descendentes da 2ª geração se acham espalhados, mas os da 3ª geração se concentram na faixa de menos de 30 anos, particularmente abaixo de 15 anos. Essa tendência é mais acentuada nos da 4ª geração. Os de 5ª geração só comparecem na faixa abaixo de 15 anos de idade.
表 2 – 18
表 2 – 19
表 2 – 20
表 2 – 21
O quadro 2-20 mostra a situação de miscigenação segundo gerações. Quanto mais se avança nas gerações aumenta a proporção dos descendentes miscigenados. Examinando-se essa situação de miscigenação em cotejo com a população da mesma geração, os da 2ª geração são de 6,03%, já na 3ª geração essa proporção ascende a 42%, e na 4ª geração, 60%. Vendo-se a miscigenação segundo sexo, o feminino é pouco mais elevado do que o masculino, e segundo urbano-rural, a zona rural apresenta índice de miscigenação relativamente inferior àquele da zona urbana.

População segundo Estado Marital

Para a classificação da população segundo estado marital foram estabelecidas as seguintes 3 categorias: casado, solteiro e viúvo/separado. Os dois primeiros são exatamente iguais aos aplicados pelo IBGE. Quanto ao último, viúvo/separado, o IBGE adota subdivisão maior em separado, desquitado, divorciado, viúvo, mas nesta pesquisa se optou por uma classificação mais sintética.

Adotando-se os critérios acima, a população de origem japonesa foi classificada segundo sexo e urbano-rural. O resultado é mostrado no quadro 2-22. Cerca de 55%, tanto do sexo masculino como o feminino são solteiros. Os percentuais de casado são 41% para os homens e 38% para as mulheres. Os separados/viúvos representam 4,49% do total, sendo que o percentual referente às mulheres é cerca de 3 vezes ao dos homens. Não se constata diferença significativa entre a zona urbana e a rural. O quadro 2-23 mostra a comparação dos percentuais da população de origem japonesa frente à população do País no que diz respeito ao estado marital. O percentual referente ao solteiro da população de origem japonesa é cerca de 20% mais elevado do que ao da população geral do Brasil, e inversamente, quanto ao casado cerca de 17% menor.
表 2 – 22
表 2 – 23

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