{"id":41258,"date":"2013-09-26T22:09:00","date_gmt":"2013-09-26T22:09:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.cenb.org.br\/?post_type=historical-figures&#038;p=41258"},"modified":"2025-10-21T21:23:12","modified_gmt":"2025-10-21T21:23:12","slug":"yazo-ueji","status":"publish","type":"historical-figures","link":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/historical-figures\/yazo-ueji\/","title":{"rendered":"\u4e0a\u5730\u5f4c\u8535 Yazo Ueji"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-right\">quinta-feira, 26 de setembro de 2013<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"290\" height=\"290\" src=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/ueji_yazou.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21190\" style=\"width:324px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/ueji_yazou.jpg 290w, https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/ueji_yazou-150x150.jpg 150w, https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/ueji_yazou-12x12.jpg 12w, https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/ueji_yazou-40x40.jpg 40w, https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/ueji_yazou-275x275.jpg 275w, https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/ueji_yazou-205x205.jpg 205w\" sizes=\"auto, (max-width: 290px) 100vw, 290px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>As pessoas dos prim\u00f3rdios da imigra\u00e7\u00e3o devem conhecer o n\u00famero 49 da Rua Conde de Sarzedas, na cidade de S\u00e3o Paulo. Era a pens\u00e3o mais antiga dos japoneses residentes, administrada pelo casal Yaz\u014d Uechi.<br><br>O Sr. Uechi nasceu em 8 de fevereiro de 1873 (6\u00ba ano da Era Meiji), o oitavo filho de seu pai, Kihachi, na vila Shiomisaki, distrito Nishi-Muro, prov\u00edncia de Wakayama.<br><br>\nEm 1892 (25\u00ba ano da Era Meiji), ele se mudou para a Austr\u00e1lia, onde se envolveu na coleta de p\u00e9rolas, pesca e outras atividades por vinte anos, chegando a construir uma base de vida est\u00e1vel. No entanto, ele ficou indignado com a legisla\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o de asi\u00e1ticos que foi implementada naquele pa\u00eds e retornou ao Jap\u00e3o em 1912 (45\u00ba ano da Era Meiji).\n<br><br>\nPor\u00e9m, o casal, que j\u00e1 havia respirado o ar do exterior, n\u00e3o conseguiu permanecer por muito tempo em sua terra natal, que lhes parecia estreita. Eles decidiram ir para o Brasil, na Am\u00e9rica do Sul, chegando ao pa\u00eds em agosto de 1913 (2\u00ba ano da Era Taish\u014d), como viajantes livres, via Marselha, Fran\u00e7a.<br><br>Naquela \u00e9poca, o n\u00famero de imigrantes japoneses distribu\u00eddos pelas fazendas de caf\u00e9 no interior do estado de S\u00e3o Paulo j\u00e1 ultrapassava dez mil e, por volta de 1916-1917 (5\u00ba e 6\u00ba anos da Era Taish\u014d), um n\u00famero consider\u00e1vel de patr\u00edcios vindos das lavouras circulava pela Rua Conde de Sarzedas.\n<br><br>\nConsequentemente, havia a necessidade de uma hospedaria onde essas pessoas pudessem se hospedar com tranquilidade. Uechi, que tinha experi\u00eancia como cozinheiro em sua \u00e9poca na Austr\u00e1lia, decidiu abrir a hospedaria no j\u00e1 mencionado n\u00famero 49. Por ser um lugar apertado, em 1920, ele se mudou para o n\u00famero 11 da Rua Bonita, bem pr\u00f3xima, e desde ent\u00e3o manteve o neg\u00f3cio em pleno funcionamento.\n<br><br>\nNo entanto, em 1932 (7\u00ba ano da Era Sh\u014dwa), infelizmente sua esposa faleceu de doen\u00e7a. Como o casal n\u00e3o tinha filhos biol\u00f3gicos, e Uechi estava idoso, ele n\u00e3o conseguiu continuar sozinho. Assim, no ano seguinte, em 1933 (8\u00ba ano da Era Sh\u014dwa), a Hospedaria Uechi, que havia sido familiar aos patr\u00edcios no Brasil por dezessete anos, foi for\u00e7ada a fechar.\nDepois disso, o Sr. Uechi mudou-se para o s\u00edtio,  onde viveu sozinho e solit\u00e1rio, plantando vegetais. Infelizmente, ap\u00f3s o fim da guerra, ele adoeceu e encerrou sua vida turbulenta e infeliz.<br><br>A raz\u00e3o pela qual expressamos gratid\u00e3o ao falecido casal Uechi em nome da col\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 simplesmente por terem gerenciado a hospedaria mais antiga dos japoneses residentes. \u00c9 porque, durante longos dezessete anos, embora fosse uma hospedaria, eles puseram de lado o lucro e se dedicaram unicamente aos seus patr\u00edcios como pessoas nos bastidores. <br><br>\nDurante o per\u00edodo de confus\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o, encontravam-se frequentemente v\u00e1rios incidentes tr\u00e1gicos decorrentes da pobreza econ\u00f4mica e, \u00e0s vezes, situa\u00e7\u00f5es que, se fossem resolvidas, poderiam ser ben\u00e9ficas para o futuro dos imigrantes.\nNo entanto, como todos se preocupam com seu pr\u00f3prio bem-estar, mesmo que tivessem a inten\u00e7\u00e3o, poucos se atreviam a ajudar. <br><br> Nesse aspecto, o casal Uechi havia experimentado anteriormente na Austr\u00e1lia a solid\u00e3o e a indigna\u00e7\u00e3o racial por terem sido oprimidos pela ra\u00e7a branca. \u00c9 claro que isso tamb\u00e9m dependeria da personalidade do casal, mas \u00e9 prov\u00e1vel que a sublima\u00e7\u00e3o desses sentimentos tenha contribu\u00eddo para que o gerenciamento da hospedaria naturalmente se esquecesse do lucro.<br><br>H\u00e1 at\u00e9 uma hist\u00f3ria antiga que ilustra como o Sr. Uechi era popular na \"cidade baixa\":\n<br>\nEnquanto Jinzabur\u014d Takizawa e Torajir\u014d Murakami estavam comendo sukiyaki na Hospedaria Uechi, eles iniciaram uma grande briga ap\u00f3s uma discuss\u00e3o. Quando o Sr. Uechi interveio para mediar, o c\u00f4nsul-geral Matsumura, que estava na mesma mesa e tamb\u00e9m estava embriagado, deu um tapa no Sr. Uechi, dizendo: \"N\u00e3o cabe a Uechi se meter na briga de Takizawa e Murakami\".<br><br>\nIsso se tornou um grande problema para os residentes da Rua Conde de Sarzedas, que alegavam que Uechi havia sido insultado. A comunidade se revoltou, dizendo: \"Quem \u00e9 esse c\u00f4nsul-geral? N\u00e3o perdoaremos at\u00e9 que Matsumura se desculpe formalmente!\". A confus\u00e3o foi tamanha que todos se prepararam para marchar sobre a resid\u00eancia consular. Por fim, o c\u00f4nsul-geral Matsumura enviou o secret\u00e1rio Tarama como seu representante para se desculpar pelo erro, e s\u00f3 assim o assunto foi finalmente resolvido.<br><br>De qualquer forma, na \u00e9poca, o local era agitado: os desocupados proeminentes no Brasil, os jovens do Consulado e da Companhia Ultramarina de Coloniza\u00e7\u00e3o (KKKK), at\u00e9 mesmo o c\u00f4nsul-geral, todos bebiam, comiam e realizavam reuni\u00f5es na Hospedaria Uechi.<br><br>O futuro presidente da <em>Nippaku<\/em>, Sack Miura, Takashi Watanabe da Cooperativa de Mogi (<em>Moji Sangu-mi<\/em>), o c\u00f4nsul Tomiya Koseki, Jinzaburo Takizawa e Torajiro Murakami eram frequentadores ass\u00edduos.<br><br>\nEntre esses desocupados solteiros, \u00e9 prov\u00e1vel que houvesse alguns que ficaram sem pagar a conta da hospedagem por um ou at\u00e9 dois anos. Mesmo assim, o casal Uechi nunca demonstrou desagrado e apenas sorria, dizendo: \"Aguardem, essas pessoas certamente far\u00e3o algo importante um dia!\".\nO Sr. Torajiro Murakami, por exemplo, ap\u00f3s a mudan\u00e7a de Uechi para a Rua Bonita, adoeceu por um longo per\u00edodo e acabou falecendo nesta mesma hospedaria.<br><br>\nDizem que o pr\u00f3prio Sr. Uechi apreciava bebidas alco\u00f3licas e ficava feliz cantando can\u00e7\u00f5es ruins quando estava b\u00eabado. A di\u00e1ria na \u00e9poca custava 1.500 r\u00e9is para o tipo \"simples\" e 2.000 r\u00e9is para o tipo \"superior\", hospedagem no andar de cima, com apenas um prato a mais na refei\u00e7\u00e3o. Comparado com os 200 mil r\u00e9is ou 300 mil r\u00e9is da di\u00e1ria atual, h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de grande dist\u00e2ncia no tempo.<br><br>Anos mais tarde, muitas pessoas que foram ajudadas pelo casal Uechi formaram uma associa\u00e7\u00e3o chamada <em>Udon-kai<\/em> (Clube do Udon) e, em sinal de gratid\u00e3o, estabeleceram o h\u00e1bito de tomar uma bebida na Hospedaria Uechi todos os meses.\nO velho casal Uechi parecia muito feliz com isso, servindo banquetes que valiam o dobro da taxa de associa\u00e7\u00e3o, e tratando a todos com essa hospitalidade como sua \u00fanica alegria. <br><br>Embora naquela \u00e9poca a popula\u00e7\u00e3o japonesa em S\u00e3o Paulo j\u00e1 tivesse aumentado e algumas hospedarias japonesas superiores \u00e0 de Uechi tivessem surgido, havia um n\u00famero consider\u00e1vel de pessoas not\u00e1veis que permaneceram ali como seu \"quartel-general\", sem se mudarem para outro lugar, at\u00e9 o fechamento da Hospedaria Uechi. \u00c9 prov\u00e1vel que o la\u00e7o de afei\u00e7\u00e3o n\u00e3o lhes permitisse mudar de hospedaria.<br><br>Uma pe\u00e7a de teatro n\u00e3o pode ser feita apenas por atores. Nos bastidores e na montagem dos cen\u00e1rios, h\u00e1 necessidade de pessoas excelentes. Da mesma forma, na hist\u00f3ria da imigra\u00e7\u00e3o, a col\u00f4nia de hoje n\u00e3o foi constru\u00edda apenas pelos \"atores\" que fazem poses no palco.\n<br><br>\nNa verdade, foi a presen\u00e7a de muitas pessoas escondidas \u2014 como o casal Uechi, que poder\u00edamos chamar de \"aqueles que movem o palco do por\u00e3o\" \u2014 que fez nascer a brilhante hist\u00f3ria de cinquenta anos da col\u00f4nia.<\/p>","protected":false},"featured_media":21190,"template":"","special_columns":[978],"class_list":["post-41258","historical-figures","type-historical-figures","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","special_columns-pioneers"],"blocksy_meta":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/historical-figures\/41258","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/historical-figures"}],"about":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/historical-figures"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21190"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41258"}],"wp:term":[{"taxonomy":"special_columns","embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/special_columns?post=41258"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}