{"id":41260,"date":"2013-06-17T22:06:00","date_gmt":"2013-06-17T22:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.cenb.org.br\/?post_type=historical-figures&#038;p=41260"},"modified":"2025-10-21T21:29:39","modified_gmt":"2025-10-21T21:29:39","slug":"shuhei-uetsuka","status":"publish","type":"historical-figures","link":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/historical-figures\/shuhei-uetsuka\/","title":{"rendered":"\u4e0a\u585a\u5468\u5e73 Shuhei Uetsuka"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-right\">quinta-feira, 27 de junho de 2013<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"199\" height=\"279\" src=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/uetsuka_shuhei.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21187\" style=\"width:230px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/uetsuka_shuhei.jpg 199w, https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/uetsuka_shuhei-9x12.jpg 9w\" sizes=\"auto, (max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Foi o Sr. Ryo Mizuno quem abriu o caminho para a imigra\u00e7\u00e3o no Brasil, mas foi o Sr. Shuhei Uetsuka quem dedicou toda a sua energia e ess\u00eancia de vida para cuidar dos imigrantes em suas consequ\u00eancias.<br><br>O Sr. Shuhei Uetsuka nasceu em 19 de julho de 1876 (9\u00ba ano da Era Meiji), na vila Sugigami, distrito Shimo-Mashiki, prov\u00edncia de Kumamoto.\nEle se formou em direito na Universidade Imperial de T\u00f3quio em 1907 (40\u00ba ano da Era Meiji) e, em abril do ano seguinte, 1908 (41\u00ba ano da Era Meiji), viajou para o Brasil com o primeiro grupo de imigrantes do navio Kasato Maru. <br><br>\nEle atuou como representante da Companhia Imperial de Coloniza\u00e7\u00e3o (<em>K\u014dkoku Shokumin Kaisha<\/em>) e como bra\u00e7o direito do Sr. Ry\u016b Mizuno, o pai da imigra\u00e7\u00e3o brasileira.<br><br>Shuhei Uetsuka estabeleceu sua sede na cidade de S\u00e3o Paulo e, junto com os imigrantes das lavouras, provou a amargura; as hist\u00f3rias de que em certo momento ele chegou a enfrentar a extrema pobreza para manter o escrit\u00f3rio, e que ele sustentou o local inventando e vendendo brinquedos de papel, s\u00e3o contos antigos extremamente famosos.\n<br><br>\nNo in\u00edcio de 1914 (3\u00ba ano da Era Taish\u014d), ele retornou temporariamente ao Jap\u00e3o e se empenhou em estabelecer um novo plano de coloniza\u00e7\u00e3o, mas seu objetivo n\u00e3o foi concretizado. Em 1917 (6\u00ba ano da Era Taish\u014d), ele voltou ao Brasil e, em acordo com velhos conhecidos, fundou a col\u00f4nia na atual Promiss\u00e3o no ano seguinte, 7\u00ba ano da Era Taish\u014d (1908). [Nota: 1908 \u00e9 provavelmente um erro de digita\u00e7\u00e3o para 1918, que corresponde ao 7\u00ba ano da Era Taish\u014d].\n<br><br>\nO Sr. Uetsuka n\u00e3o se limitou a ser apenas o administrador desta col\u00f4nia, mas dedicou-se amplamente \u00e0s alegrias e tristezas de todos os patr\u00edcios residentes no Brasil. Quando a economia sofreu uma recess\u00e3o anos atr\u00e1s, ele se levantou junto com o Sr. Ken'ichir\u014d Hoshina para resgatar os agricultores independentes, desenvolvendo o movimento popularmente conhecido como \"Financiamento de 85% a Baixos Juros\", e finalmente obteve sucesso, conseguindo evitar a ru\u00edna de muitos patr\u00edcios.\n<br><br>\nComo figura p\u00fablica, ele tamb\u00e9m se dedicou \u00e0 col\u00f4nia japonesa, incluindo a funda\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Japonesa Noroeste (<em>Noroeste Nihonjin-kai<\/em>) e o movimento para a Associa\u00e7\u00e3o de Assist\u00eancia M\u00fatua dos Japoneses no Brasil (<em>Zaihaku Nihonjin D\u014djin-kai<\/em>).\n\nEm 1933 (8\u00ba ano da Era Sh\u014dwa), que por acaso marcou o 25\u00ba anivers\u00e1rio da imigra\u00e7\u00e3o japonesa ao Brasil, ele recebeu uma recomenda\u00e7\u00e3o de condecora\u00e7\u00e3o por m\u00e9rito da fam\u00edlia imperial, juntamente a Sr. Ryo Mizuno.\n<br><br>\nEle nunca se casou em vida, viveu contente com a pobreza honrada e dedicou todo o seu esp\u00edrito  aos seus patr\u00edcios no Brasil at\u00e9 sua morte por doen\u00e7a em 6 de julho de 1935 (11\u00ba ano da Era Sh\u014dwa).<br><br>Entre 26 de junho e 6 de julho de 1908 (41\u00ba ano da Era Meiji), os imigrantes da primeira viagem do navio Kasato Maru foram distribu\u00eddos em seis fazendas: Dumot, Cana\u00e3, S\u00e3o Martinho, Guatapar\u00e1, Floresta e Sobrado. Em 6 de julho, o int\u00e9rprete Miura da Lega\u00e7\u00e3o Japonesa, acompanhado pelo Sr. Uetsuka e por um fiscal agr\u00edcola do Estado, partiu da cidade de S\u00e3o Paulo, juntamente com o \u00faltimo grupo de imigrantes a deixar o alojamento, e visitou as seis fazendas envolvidas.<br><br>\nNa fazenda Dumot, houve insatisfa\u00e7\u00e3o logo ap\u00f3s a distribui\u00e7\u00e3o. Os barrac\u00f5es designados como resid\u00eancias dos imigrantes tinham apenas capim seco levemente espalhado no ch\u00e3o de terra, e eles se revoltaram, dizendo: \"N\u00e3o somos cavalos!\".\nOs imigrantes distribu\u00eddos aqui haviam chegado em 29 de junho e passaram at\u00e9 5 de julho na distribui\u00e7\u00e3o de casas, constru\u00e7\u00e3o de camas etc. No dia 6, come\u00e7aram finalmente a colheita do caf\u00e9, mas uma fam\u00edlia de tr\u00eas pessoas s\u00f3 conseguiu colher cerca de quatro ou cinco quilos.\n<br><br>\nIsso ocorreu porque a safra daquele ano foi extremamente ruim. A estimativa era que uma pessoa colhesse quatro ou cinco sacas por dia, mas era problem\u00e1tico quando tr\u00eas pessoas juntas n\u00e3o conseguiam completar sequer uma saca. Assim, quando tais dias se seguiram por tr\u00eas dias, era natural que os imigrantes come\u00e7assem a reclamar.<br><br>A comitiva do Sr. Uetsuka visitou todas as fazendas, mas a insatisfa\u00e7\u00e3o dos imigrantes era inevit\u00e1vel onde quer que fossem. O Sr. Uetsuka retornou \u00e0 cidade de S\u00e3o Paulo e sentou-se na cadeira de seu escrit\u00f3rio, completamente desapontado.\n\nQuando o secret\u00e1rio, Sr. Koyama, lhe perguntou: \"Como estava a situa\u00e7\u00e3o nas fazendas?\", o Sr. Uetsuka respondeu, profundamente inquieto: \"Todos est\u00e3o reclamando que n\u00e3o conseguem sobreviver. Como o caf\u00e9 est\u00e1 dando pouca fruta, uma fam\u00edlia de tr\u00eas pessoas, trabalhando arduamente o dia inteiro, mal consegue colher uma saca e meia ou duas sacas. \u00c9 absolutamente imposs\u00edvel viver com isso'\".<br><br>Como era de se esperar, a insatisfa\u00e7\u00e3o dos imigrantes na fazenda Dumot tornou-se cada vez mais intensa. Em 1\u00ba de agosto, o Sr. Uetsuka recebeu uma notifica\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o da fazenda e correu para o local.\n\nDesta vez, ele levou como int\u00e9rprete o Sr. Shinz\u014d Miyazaki, que havia chegado ao Brasil acompanhando o Ministro Uchida. Permanecendo l\u00e1 por sete dias, ele se esfor\u00e7ou ao m\u00e1ximo para apaziguar os imigrantes, mas n\u00e3o obteve sucesso.<br><br>Em 23 de agosto, houve novamente um relat\u00f3rio urgente da mesma fazenda, informando que os imigrantes estavam em tumulto e n\u00e3o se acalmavam. O int\u00e9rprete Miura da Lega\u00e7\u00e3o Japonesa correu da capital para S\u00e3o Paulo, e os Srs. Ryo Mizuno, Shuhei Uetsuka e Shinz\u014d Miyazaki o acompanharam, correndo para o local.<br><br>Os imigrantes odiavam a Companhia de Imigra\u00e7\u00e3o e seus associados. Quando os Srs. Mizuno e Uetsuka chegaram, houve um tumulto em que os imigrantes pegaram lan\u00e7as de bambu, enxadas e foices para receb\u00ea-los.<br><br>\"Mastigamos p\u00e3o duro como pedra, bebemos mingau de arroz sem acompanhamento, e o trabalho de sol a sol, no qual literalmente recebemos as estrelas pela manh\u00e3 e pisamos na lua \u00e0 noite, rende apenas 500 r\u00e9is ou 1 mil r\u00e9is. A Companhia de Imigra\u00e7\u00e3o nos explorou. Em meio \u00e0s brigas de casal provocadas pela raiva, perguntamos: 'Por que nos trouxeram para um lugar como este?' Mandem-nos de volta ao Jap\u00e3o amanh\u00e3 mesmo!\nNa casa ao lado, a reuni\u00e3o familiar come\u00e7ou, dizendo: Vamos parar o trabalho na lavoura a partir de amanh\u00e3. N\u00e3o temos mais arroz para comer. Vamos matar e comer o gado da fazenda! Os canalhas da Companhia de Imigra\u00e7\u00e3o, vamos espet\u00e1-los com lan\u00e7as de bambu!\"\n(Transcrito da revista <em>N\u014dgy\u014d no Burajiru<\/em> [Agricultura no Brasil], Volume 3, N\u00famero 8)<br>\u3000<br>A f\u00faria dos imigrantes era t\u00e3o palp\u00e1vel que podia ser vista em seus olhos. Assim que a comitiva do Sr. Mizuno chegou, havia algu\u00e9m em p\u00e9 numa colina, fazendo um discurso. Eram gritos da alma, com palavras que expeliam fogo. A pr\u00f3pria comitiva sentiu-se profundamente comovida com a situa\u00e7\u00e3o desesperadora. O Sr. Shuhei Uetsuka, que desceu do cavalo, disse:<br>\u3000<br>\"A responsabilidade por t\u00ea-los feito cair na situa\u00e7\u00e3o desesperadora de hoje \u00e9 nossa. N\u00e3o h\u00e1 palavras para expressar nosso pedido de desculpas, mas, at\u00e9 hoje, n\u00f3s apenas nos esfor\u00e7amos para que voc\u00eas pudessem ser felizes. Infelizmente, estamos no auge da recess\u00e3o econ\u00f4mica e, para piorar, h\u00e1 uma safra ruim de caf\u00e9. Nossa esperan\u00e7a n\u00e3o foi realizada por causa disso, e voc\u00eas foram colocados na situa\u00e7\u00e3o de ter que sofrer. Se me for pedido para que eu descarte minha vida, \u00e9 claro que n\u00e3o a pouparei, mas, pe\u00e7o, por favor, que me deixem viver um pouco mais, para que eu possa servir a voc\u00eas. Eu juro que dedicarei minha vida para servi-los!\"\n\n\n(Ibidem)<br><br>Dessa forma, a comitiva, ap\u00f3s deliberar com as autoridades do governo estadual, conseguiu que todos os 210 imigrantes fossem levados de volta \u00e0 Hospedaria de Imigrantes da cidade de S\u00e3o Paulo.<br><br>A vida subsequente de Shuhei Uetsuka foi dedicada integralmente a provar a verdade daquela \u00fanica frase de sua cita\u00e7\u00e3o anterior: \"Pe\u00e7o, por favor, que me deixem viver um pouco mais, para que eu possa servir a voc\u00eas\".<br>\u3000<br>O Sr. Uetsuka usava o pseud\u00f4nimo de Hy\u014dkotsu (\u74e2\u9aa8) e tinha o <em>haiku<\/em> como hobby.<br><br>\u3000\u3000\u3000Festival da fogueira (Festa Junina), a primeira noite no Brasil.<br> (\u30d6\u30e9\u30b8\u30eb\u306e\u521d\u591c\u306a\u308b\u711a\u706b\u796d\u304b\u306a <em>Burajiru no shoya naru takibi matsuri kana<\/em>)<br>\u3000\u3000\u3000Ao anoitecer, choro \u00e0 sombra das \u00e1rvores, colhendo caf\u00e9.<br> (\u5915\u3056\u308c\u3070\u6a39\u304b\u3052\u306b\u6ce3\u3044\u3066\u73c8\u7432\u3082\u304e <em>Y\u016bzareba kage ni naite k\u014dh\u012b mogi<\/em>)<br>\u3000\u3000\u3000Penso nos imigrantes que fugiram \u00e0 noite, sob as estrelas no campo seco.\t<br>(\u591c\u9003\u305b\u3057\u79fb\u6c11\u601d\u3046\u3084\u67af\u91ce\u661f <em>Yonige seshi imin omou ya kareno boshi<\/em> )<br>\u3000\u3000\u3000Grande inunda\u00e7\u00e3o! Muitos descem [do \u00f4nibus] para empurr\u00e1-lo.\t<br>(\u5927\u52e2\u3067\u4e0b\u308a\u3066\u30d0\u30b9\u62bc\u3059\u51fa\u6c34\u304b\u306a <em>\u014czei de orite basu osu demizu kana<\/em>)<\/p>","protected":false},"featured_media":21187,"template":"","special_columns":[978],"class_list":["post-41260","historical-figures","type-historical-figures","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","special_columns-pioneers"],"blocksy_meta":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/historical-figures\/41260","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/historical-figures"}],"about":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/historical-figures"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21187"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41260"}],"wp:term":[{"taxonomy":"special_columns","embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/special_columns?post=41260"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}