{"id":41261,"date":"2013-05-22T20:28:00","date_gmt":"2013-05-22T20:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.cenb.org.br\/?post_type=historical-figures&#038;p=41261"},"modified":"2025-10-21T21:30:22","modified_gmt":"2025-10-21T21:30:22","slug":"sadatsuchi-uchida","status":"publish","type":"historical-figures","link":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/historical-figures\/sadatsuchi-uchida\/","title":{"rendered":"\u5185\u7530\u5b9a\u69cc Sadatsuchi Uchida"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-right\">quarta-feira, 22 de maio de 2013<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"214\" height=\"279\" src=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/uchida_sadatsuchi.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21185\" style=\"width:232px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/uchida_sadatsuchi.jpg 214w, https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/uchida_sadatsuchi-9x12.jpg 9w, https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/uchida_sadatsuchi-205x267.jpg 205w\" sizes=\"auto, (max-width: 214px) 100vw, 214px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Foi durante o mandato do Sr. Sadatsuchi Uchida, o quarto ministro plenipotenci\u00e1rio do Jap\u00e3o no Brasil, que a nossa primeira leva de imigrantes se estabeleceu no pa\u00eds.\n\nO Sr. Uchida nasceu em 17 de janeiro de 1865 (1\u00ba ano da Era Kei\u014d), na vila Said\u014dsho, distrito Tagawa, prov\u00edncia de Fukuoka.<br><br>O Sr. Uchida \"embalou suas trouxas\" e foi a T\u00f3quio, formando-se no Departamento de Direito da Universidade Imperial de T\u00f3quio em julho de 1889. (22\u00ba ano da Era Meiji). Imediatamente se tornou diplomata probat\u00f3rio no Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores.\n\nEnt\u00e3o, em 27 de dezembro de 1906 (39\u00ba ano da Era Meiji), ele foi nomeado ministro plenipotenci\u00e1rio residente e c\u00f4nsul-geral, sendo-lhe ordenada a miss\u00e3o no Brasil.\n<br><br>\nEle partiu de T\u00f3quio em mar\u00e7o de 1907 (40\u00ba ano da Era Meiji), e chegou ao Rio de Janeiro para assumir o cargo em 20 de maio. Em 9 de outubro do mesmo ano, devido \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o do status da lega\u00e7\u00e3o para embaixada, no futuro, ele se tornou ministro plenipotenci\u00e1rio extraordin\u00e1rio e embaixador.<br><br>O Sr. Uchida h\u00e1 muito tempo nutria a opini\u00e3o de que n\u00e3o havia significado em simplesmente trazer imigrantes; que o verdadeiro desenvolvimento da comunidade japonesa n\u00e3o seria poss\u00edvel a menos que esses imigrantes fossem estabelecidos e se tornassem agricultores independentes.\nPor essa raz\u00e3o, ele dedicou esfor\u00e7os extraordin\u00e1rios para garantir que os imigrantes que chegavam tivessem bons resultados e para conduzir os japoneses da condi\u00e7\u00e3o de \"imigrantes\" para a condi\u00e7\u00e3o de \"colonos\".<br><br>A introdu\u00e7\u00e3o de imigrantes japoneses foi uma experi\u00eancia para o governo de S\u00e3o Paulo, assim como foi, nos primeiros anos, uma experi\u00eancia para o governo japon\u00eas.\nA primeira leva de imigrantes foi observada com uma esp\u00e9cie de curiosidade pela popula\u00e7\u00e3o brasileira em geral, e foi recebida com a d\u00favida se seriam adequados ou n\u00e3o. Como o Brasil era, afinal, um territ\u00f3rio novo para os japoneses, e sendo uma terra distante e estrangeira onde a l\u00edngua, costumes, h\u00e1bitos, alimenta\u00e7\u00e3o e todo o ambiente de vida eram completamente diferentes, surgiam frequentemente conflitos com os donos das fazendas. Por isso, o resultado da imigra\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi de modo algum louv\u00e1vel.\n<br><br>\nConsequentemente, o lado brasileiro sentiu-se desiludido, e aqueles que j\u00e1 haviam se manifestado contra a introdu\u00e7\u00e3o de imigrantes japoneses antes se apressaram em dizer \"Eu n\u00e3o disse?\", publicando argumentos contra a imigra\u00e7\u00e3o japonesa, seja oralmente ou por escrito.\nA influ\u00eancia dessa oposi\u00e7\u00e3o ressoou pela primeira vez no Congresso Nacional do Brasil no final do ano em que a primeira leva de imigrantes se estabeleceu. No or\u00e7amento federal do ano seguinte, 1909, na se\u00e7\u00e3o de coloniza\u00e7\u00e3o e na coluna de benef\u00edcio de subs\u00eddio de transporte, estava inclu\u00edda a frase: \"Excluem-se imigrantes asi\u00e1ticos\".\n<br><br>\nComo a introdu\u00e7\u00e3o de imigrantes chineses n\u00e3o era absolutamente uma quest\u00e3o na \u00e9poca, se esta \u00fanica frase, \"imigrantes asi\u00e1ticos\", fosse entendida como se referindo aos imigrantes japoneses, isso significaria que os japoneses receberiam tratamento discriminat\u00f3rio, o que era claramente considerado uma viola\u00e7\u00e3o do Tratado de Amizade, Com\u00e9rcio e Navega\u00e7\u00e3o entre Brasil e Jap\u00e3o.<br><br>Com sua perspic\u00e1cia, o Sr. Uchida descobriu aquela cl\u00e1usula e imediatamente exigiu uma explica\u00e7\u00e3o. Em resposta, as autoridades do governo brasileiro afirmaram que tal frase foi inserida por um deputado que se opunha \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o japonesa, aproveitando a confus\u00e3o no prazo final para emendas or\u00e7ament\u00e1rias, e que o governo estava completamente alheio ao assunto. Portanto, o governo, al\u00e9m de n\u00e3o aplicar esta regra aos imigrantes japoneses, respondeu que trataria os imigrantes japoneses em total igualdade com os imigrantes europeus.<br><br>O ministro Uchida, pensando que seria totalmente seguro ter esta resposta documentada e arquivada para o futuro, comunicou essa inten\u00e7\u00e3o em um documento oficial ao ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Sr. Rio Branco. Em seguida, este respondeu:<br><br>\"As restri\u00e7\u00f5es inseridas pelo Congresso na lei or\u00e7ament\u00e1ria n\u00e3o se aplicam aos imigrantes japoneses. A raz\u00e3o \u00e9 que os japoneses est\u00e3o garantidos pelo Tratado de Amizade, Com\u00e9rcio e Navega\u00e7\u00e3o entre Brasil e Jap\u00e3o e, durante a vig\u00eancia desse tratado, n\u00e3o \u00e9 permitido a nenhuma das duas na\u00e7\u00f5es violar as cl\u00e1usulas de suas disposi\u00e7\u00f5es por meio de lei ordin\u00e1ria.\n<br><br>\nMesmo que o referido tratado n\u00e3o existisse, o governo brasileiro n\u00e3o tem a menor inten\u00e7\u00e3o de recusar ou prejudicar a vinda para o vasto territ\u00f3rio brasileiro de um povo cuja atividade \u00e9 progressista, que, com um esp\u00edrito laborioso, elevou sua na\u00e7\u00e3o \u00e0 categoria de pot\u00eancia de primeira classe, e cujos la\u00e7os de amizade s\u00e3o mantidos pelo Brasil atrav\u00e9s de uma lega\u00e7\u00e3o permanente.<br><br>\nCom rela\u00e7\u00e3o \u00e0 frase inserida na Lei n\u00ba 2050 de 31 de dezembro de 1908, a fim de evitar a ocorr\u00eancia de mal-entendidos, foi decidido n\u00e3o a incluir no Or\u00e7amento Federal de 1910.\nPortanto, os japoneses que vierem ao Brasil, sejam eles imigrantes ou n\u00e3o, desfrutar\u00e3o, de acordo com o Artigo 4\u00ba do referido Tratado, de todos os privil\u00e9gios e isen\u00e7\u00f5es que o povo da Na\u00e7\u00e3o Mais Favorecida atualmente recebe ou vir\u00e1 a receber no futuro.\n<br><br>Contudo, essa cl\u00e1usula n\u00e3o obriga o governo brasileiro a contratar imigrantes no Jap\u00e3o ou em outro pa\u00eds benefici\u00e1rio da cl\u00e1usula de Na\u00e7\u00e3o Mais Favorecida, caso o governo brasileiro contrate imigrantes de qualquer outro pa\u00eds estrangeiro ou incentive a imigra\u00e7\u00e3o para o Brasil em outro pa\u00eds estrangeiro.\"<br><br>Com a declara\u00e7\u00e3o dessa inten\u00e7\u00e3o por parte do ministro, a quest\u00e3o foi resolvida de maneira satisfat\u00f3ria.<br><br>Em 1908 (41\u00ba ano da Era Meiji), durante o mandato do Sr. Uchida no Brasil, ocorreu um epis\u00f3dio agrad\u00e1vel: o navio-escola Benjamin Constant da Marinha Brasileira, que estava em viagem de circunavega\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s deixar Honolulu, resgatou 20 japoneses (tripulantes do veleiro <em>H\u014dky\u016b Maru<\/em> de Yamagata) na ent\u00e3o conhecida Ilha Wake, uma ilha deserta, e aportou em Yokohama.\n<br><br>\nO comandante, tenente-coronel Ant\u00f4nio Coutinho Gomes Pereira, que mais tarde seria promovido a almirante e receberia a Ordem do Tesouro Sagrado de Primeira Classe de nosso pa\u00eds, foi agraciado com a Medalha de Honra da Fita Vermelha (<em>K\u014dj\u016b H\u014dsh\u014d<\/em>) por ter salvado vidas.<br><br>Durante o mandato do Sr. Uchida, houve outro epis\u00f3dio envolvendo um navio de guerra. Em 10 de junho de 1910 (43\u00ba ano da Era Meiji), nosso navio cruzador <em>Ikoma<\/em> atracou no Rio de Janeiro, tornando-se o primeiro navio de guerra japon\u00eas a visitar o Brasil.\n\nO  <em>Ikoma<\/em> visitou o Brasil a caminho de volta ap\u00f3s ter sido despachado para as celebra\u00e7\u00f5es do centen\u00e1rio da independ\u00eancia da Rep\u00fablica Argentina, como parte de um interc\u00e2mbio nipo-brasileiro organizado pela Marinha.\n<br><br>\nO capit\u00e3o era o coronel Yoshimoto Sh\u014dji e entre os oficiais da tripula\u00e7\u00e3o estavam Tomoyoshi Usagawa e os futuros almirantes, major Katsunoshin Yamanashi e capit\u00e3o Gengo Hyakutake, entre outros.\n\nEntre os passageiros que viajavam a bordo estavam o visconde Hirochika Seki, o bar\u00e3o Sachiyo Naokawa, o secret\u00e1rio da C\u00e2mara dos Representantes Toshiyuki Tsukui, Chikara Suzuki (pseud\u00f4nimo Tengan), Shigetaka Shiga, Kageaki \u014cba (pseud\u00f4nimo Kak\u014d, correspondente especial do jornal <em>Mainichi Shimbun<\/em>), e Hidez\u014d Shimotomai (Tanaka-date).<br><br>O ministro Uchida estava no Jap\u00e3o em licen\u00e7a  naquela \u00e9poca, mas retornou temporariamente ao Brasil apenas para a visita do navio de guerra <em>Ikoma<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>","protected":false},"featured_media":21185,"template":"","special_columns":[978],"class_list":["post-41261","historical-figures","type-historical-figures","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","special_columns-pioneers"],"blocksy_meta":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/historical-figures\/41261","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/historical-figures"}],"about":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/historical-figures"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21185"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41261"}],"wp:term":[{"taxonomy":"special_columns","embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/special_columns?post=41261"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}