{"id":41263,"date":"2013-02-08T20:15:00","date_gmt":"2013-02-08T20:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.cenb.org.br\/?post_type=historical-figures&#038;p=41263"},"modified":"2025-10-21T21:34:59","modified_gmt":"2025-10-21T21:34:59","slug":"tetsusuke-tarama","status":"publish","type":"historical-figures","link":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/historical-figures\/tetsusuke-tarama\/","title":{"rendered":"\u591a\u7f85\u9593\u9244\u8f14 Tetsusuke Tarama"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-right\">sexta-feira, 08 de fevereiro de 2013<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"196\" height=\"279\" src=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/tarama_tetsusuke.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21180\" style=\"width:233px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/tarama_tetsusuke.jpg 196w, https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/tarama_tetsusuke-8x12.jpg 8w\" sizes=\"auto, (max-width: 196px) 100vw, 196px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Entre os diplomatas que, ap\u00f3s se aposentarem, dedicaram-se pessoalmente \u00e0 gest\u00e3o agr\u00edcola no Brasil, destacam-se figuras como Shigetuna Furuya, Chibata Miyakoshi e Tetsusuke Tarama. Dentre eles, o Sr. Tetsusuke Tarama era quem possu\u00eda a rela\u00e7\u00e3o mais antiga e profunda com o Brasil.\n\nGraduou-se na Escola Superior de Yamaguchi e, posteriormente, na Escola Nacional de Ingl\u00eas Seisoku de T\u00f3quio. Em novembro de 1903 (36\u00ba ano de Era Meiji), partiu para a Espanha como estudante bolsista no exterior, ingressando na Lega\u00e7\u00e3o Imperial na Espanha no ano seguinte. Em maio de 1914 (3\u00ba ano de Era Taish\u014d), foi transferido para a Lega\u00e7\u00e3o do Jap\u00e3o no Brasil.\n\nPosteriormente, em 1915 (4\u00ba ano de Era Taish\u014d), mudou-se para o Consulado Geral em S\u00e3o Paulo. Em 1918 (7\u00ba ano de Era Taish\u014d), retornou temporariamente ao Jap\u00e3o em licen\u00e7a, voltando ao Brasil um ano depois. Pouco tempo depois, foi transferido para Ribeir\u00e3o Preto. Em 1920 (9\u00ba ano de Era Taish\u014d), recebeu a ordem para a abertura do Consulado de Bauru, sendo promovido a c\u00f4nsul em 1923 (12\u00ba ano de Era Taish\u014d). At\u00e9 1929 (4\u00ba ano de Era Sh\u014dwa), ao longo de 15 longos anos, manteve um contato \u00edntimo com a col\u00f4nia japonesa.\n\nDurante esse per\u00edodo, sob o comando do primeiro c\u00f4nsul-geral, Sr. Sadao Matsumura, empenhou-se na constru\u00e7\u00e3o da Col\u00f4nia Hirano. Al\u00e9m disso, na funda\u00e7\u00e3o do Col\u00f4nia Alian\u00e7a em 1924 (13\u00ba ano de Era Taish\u014d) e em sua gest\u00e3o posterior, prestou uma assist\u00eancia t\u00e3o dedicada que superava at\u00e9 mesmo os la\u00e7os familiares.<br><br>Retornou ao Jap\u00e3o no in\u00edcio de 1929 (4\u00ba ano de Era Sh\u014dwa) e retirou-se da carreira diplom\u00e1tica. No final do mesmo ano, regressou ao Brasil e estabeleceu-se em terras na regi\u00e3o de Lins, onde passou a administrar pessoalmente sua pr\u00f3pria planta\u00e7\u00e3o de caf\u00e9.\n\nDurante sua vida na zona rural, foi nomeado consultor da Federa\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es Japonesas sob a jurisdi\u00e7\u00e3o do Consulado de Bauru, presidente da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Jud\u00f4 e Kendo, presidente da Federa\u00e7\u00e3o de Beisebol dos Imigrantes Japoneses da Alta Noroeste, e presidente da Associa\u00e7\u00e3o Central Japonesa do Brasil, entre outros cargos.\n\nEm agosto de 1938 (13\u00ba ano de Era Sh\u014dwa), retornou temporariamente ao Jap\u00e3o como membro da miss\u00e3o de conforto \u00e0s tropas imperiais, visitando o norte da China. Finalmente, regressou ao Brasil em junho de 1940 (15\u00ba ano de Era Sh\u014dwa).<br><br>O Sr. Tarama amava os jovens. Por eles, aceitava com um sorriso qualquer preocupa\u00e7\u00e3o ou gasto financeiro que fosse necess\u00e1rio. At\u00e9 mesmo o comportamento rude e sem cerim\u00f4nia dos rapazes era motivo de alegria para ele, que via nisso a pr\u00f3pria ess\u00eancia da juventude.\n\nPor outro lado, sua personalidade possu\u00eda o rigor do frio outonal, sendo respeitado e carinhosamente chamado de \"Kaminari Oyaji\" (Velho Trov\u00e3o). Ele pr\u00f3prio, ao dividir o caractere de trov\u00e3o (\u96f7), adotou o pseud\u00f4nimo de \"Uden\" (\u96e8\u7530 - Campos de Chuva).<br><br>Diz-se que a linhagem da fam\u00edlia Tarama era composta por retentores que acompanharam o cl\u00e3 M\u014dri desde seu antigo dom\u00ednio em Kurume, ocupando cargos importantes como Kar\u014d (anci\u00e3o da casa) e R\u014dj\u016b (conselheiro) por gera\u00e7\u00f5es at\u00e9 a Restaura\u00e7\u00e3o Meiji. Provavelmente, sua vida de consci\u00eancia rigorosa derivava dessa linhagem sangu\u00ednea.\n\nEm fevereiro de 1913 (2\u00ba ano de Era Taish\u014d), ele se casou. Sua esposa, Kinu, era a terceira filha do Sr. Kogenta Yoshida, de Shibukawa, na prov\u00edncia de Gunma. Ela era graduada pela Faculdade de Pedagogia da Universidade Feminina do Jap\u00e3o (Nihon Joshi Daigaku), que tinha como reitor o Sr. Jinz\u014d Naruse, conterr\u00e2neo do Sr. Tarama.\n\nSobre o planejamento de sua vida e de suas esperan\u00e7as, a vi\u00fava do Sr. Tarama relata o seguinte:<br><br>\"Ao nos casarmos, n\u00f3s dois conversamos e elaboramos um plano para o futuro. O primeiro per\u00edodo, os primeiros dez anos, seria para estabelecer a base econ\u00f4mica da fam\u00edlia. O segundo per\u00edodo de dez anos seria para consolidar e enriquecer o conte\u00fado de nossas vidas. Ao entrar no terceiro per\u00edodo, o objetivo era come\u00e7ar a contribuir, mesmo que minimamente, para a sociedade.\n\nComo ambos goz\u00e1vamos de boa sa\u00fade, os resultados do primeiro per\u00edodo superaram nossas expectativas. No entanto, talvez devido ao longo per\u00edodo em que vivemos separados, infelizmente n\u00e3o fomos aben\u00e7oados com nenhum filho. Por isso, nosso desejo de levar adiante nossas aspira\u00e7\u00f5es iniciais tornou-se ainda mais forte.\n\nDurante a \u00e9poca no Consulado de Bauru, nas Tr\u00eas Grandes Festas Nacionais (Sandaisetsu) \u2014 e especialmente no Tench\u014dsetsu (Anivers\u00e1rio do Imperador) \u2014 convid\u00e1vamos os volunt\u00e1rios e l\u00edderes da jurisdi\u00e7\u00e3o para banquetes e, \u00e0 noite, realiz\u00e1vamos bailes. Naquela \u00e9poca, figuras proeminentes como o Sr. Kenichiro Hoshina na Linha Sorocabana, e os Srs. Kanichi Yamane e Teijiro Suzuki na Linha Noroeste, eram presen\u00e7as constantes. Juntamente com o Sr. Rokuro Kayama, do jornal Seish\u016b Shimp\u014d, eles sempre se reuniam e criticavam a postura passageira dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos japoneses, incentivando-nos a comprar terras.\n\nComo n\u00e3o t\u00ednhamos filhos e, portanto, n\u00e3o havia necessidade de retornar ao Jap\u00e3o para fins educacionais, decidimos que, para o enriquecimento do segundo per\u00edodo de nossa vida, a gest\u00e3o agr\u00edcola em uma fazenda seria algo interessante.\"<br><br>\"Sob diversas raz\u00f5es, como o desejo de criar uma fazenda ideal, ainda que pequena, para servir de modelo aos capitalistas japoneses e incentiv\u00e1-los a investir, obtivemos a compreens\u00e3o do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e adquirimos 200 alqueires (aproximadamente 500 hectares) de mata virgem. Iniciamos o plantio de 120 mil p\u00e9s de caf\u00e9 em 1922 (11\u00ba ano de Era Taish\u014d), ano em que se comemorava o Centen\u00e1rio da Independ\u00eancia do Brasil.\"<br><br>Hav\u00edamos tomado uma decis\u00e3o e um preparo espiritual quase tr\u00e1gicos: caso nosso empreendimento no Brasil fracassasse, est\u00e1vamos dispostos a ingressar no Itt\u014den, uma comunidade fundada por Tenk\u014d Nishida que prega a ren\u00fancia total aos bens materiais. Est\u00e1vamos prontos para aceitar uma vida de absoluta humildade, dedicando-nos ao servi\u00e7o altru\u00edsta e vestindo apenas roupas simples amarradas com cordas, abdicando de qualquer conforto ou status que tiv\u00e9ssemos no passado.\n\nEm 1929 (4\u00ba ano de Era Sh\u014dwa), ap\u00f3s retornar ao Jap\u00e3o, ele exonerou-se do cargo p\u00fablico. No final do mesmo ano, enquanto atravessava o oceano de volta ao Brasil sonhando em ser um propriet\u00e1rio agr\u00edcola, soubemos em Cape Town sobre o p\u00e2nico na Am\u00e9rica do Norte e a consequente queda dr\u00e1stica no pre\u00e7o do caf\u00e9. Ao chegarmos a Santos cheios de ansiedade, quem nos esperava era o administrador da fazenda acompanhado pelos credores. Imediatamente, solicitamos remessas de dinheiro aos parentes no Jap\u00e3o e conseguimos, a duras penas, resolver aquela situa\u00e7\u00e3o; no entanto, as sequelas desse infort\u00fanio persistiram por muito tempo.\n\nEmbora pud\u00e9ssemos realizar o desejo de levar uma vida dedicada ao cultivo nos dias de sol e \u00e0 leitura nos dias de chuva (seik\u014d udoku), como \u00e9ramos dois que nunca hav\u00edamos passado priva\u00e7\u00f5es financeiras, o per\u00edodo inicial foi consideravelmente dif\u00edcil. Durante tr\u00eas anos, vivemos de forma obscura e prec\u00e1ria; decidimos n\u00e3o comprar nada e nem sair de casa. Contudo, com o tempo, acostumamo-nos \u00e0 pobreza e, pelo contr\u00e1rio, passamos a compreender o valor do dinheiro e a aprofundar nossa empatia pelos agricultores, tornando-nos capazes de conviver intimamente com eles.\"<br><br>\"No d\u00e9cimo ano ap\u00f3s o in\u00edcio do cultivo, retornamos ao Jap\u00e3o e, durante nossa estadia de pouco mais de um ano e meio, Tarama passou a maior parte do tempo em tratamento m\u00e9dico. Ao partirmos de volta para o Brasil, decidimos n\u00e3o deixar nada para tr\u00e1s \u2014 desde a casa e o terreno at\u00e9 todas as nossas a\u00e7\u00f5es e posses. Est\u00e1vamos, por assim dizer, queimando as pontes, partindo com a determina\u00e7\u00e3o de quem vai para a resid\u00eancia permanente. Nossos parentes nos diziam: 'Ir para o Brasil agora \u00e9 como ir para morrer. Fiquem no Jap\u00e3o, de alguma forma daremos um jeito', mas n\u00f3s deixamos nossa terra natal dizendo que, do fundo do cora\u00e7\u00e3o, desej\u00e1vamos voltar para o Brasil.\n\nUm ano depois, come\u00e7ou a Guerra Nipo-Americana (Segunda Guerra Mundial). Nossos amigos nos sugeriram retornar ao Jap\u00e3o nos navios de interc\u00e2mbio, mas recusamos firmemente, dizendo que permanecer\u00edamos at\u00e9 sermos os \u00faltimos. Em 13 de mar\u00e7o, ele foi convocado e, embora por um curto per\u00edodo, sofreu a amargura da deten\u00e7\u00e3o. Depois disso, sua sa\u00fade declinou subitamente e, finalmente, em 3 de dezembro de 1942 (17\u00ba ano de Era Sh\u014dwa), ele veio a falecer. Foi, de fato, como se ele tivesse vindo apenas para morrer.\"<br><br>\"Durante sua vida, o Sr. Tarama deu grande import\u00e2ncia \u00e0 educa\u00e7\u00e3o dos jovens das zonas rurais. Em certo momento, ele chegou a elaborar planos para a constru\u00e7\u00e3o de um alojamento estudantil; entretanto, devido \u00e0s dificuldades financeiras, n\u00e3o conseguiu concretizar nenhum desses projetos. O que p\u00f4de fazer foi limitado a acolher sempre tr\u00eas ou quatro mo\u00e7as em nossa pr\u00f3pria casa, criando-as e orientando-as para que pudessem, no futuro, ser \u00fateis \u00e0 sociedade como boas esposas e boas m\u00e3es.\"<br><br>\"H\u00e1 dois anos, recebi 500 aves da ra\u00e7a Leghorn do Sr. Isamu Yuba. Desde ent\u00e3o, crio essas galinhas com a ajuda das mo\u00e7as que vivem conosco, e decidi n\u00e3o reter sequer um centavo do lucro para uso pessoal: toda a renda \u00e9 destinada a doa\u00e7\u00f5es para o aux\u00edlio de nossa p\u00e1tria ou para melhorias em instala\u00e7\u00f5es culturais. Ao olhar para tr\u00e1s, n\u00e3o tenho nada al\u00e9m de um profundo sentimento de gratid\u00e3o.\"<br><br>\"A prop\u00f3sito, devido aos la\u00e7os de destino, em 1951 (26\u00ba ano de Era Sh\u014dwa), a vi\u00fava do Sr. Tarama adotou Toshihiko, o filho ca\u00e7ula do Sr. Naruhiko Higashikuni (ex-Pr\u00edncipe Higashikuni), como seu herdeiro, recebendo-o no Brasil. Desde a sua chegada ao pa\u00eds, o Sr. Toshihiko tem se dedicado \u00e0 gest\u00e3o da fazenda em Lins.\"<\/p>","protected":false},"featured_media":21180,"template":"","special_columns":[978],"class_list":["post-41263","historical-figures","type-historical-figures","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","special_columns-pioneers"],"blocksy_meta":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/historical-figures\/41263","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/historical-figures"}],"about":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/historical-figures"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21180"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41263"}],"wp:term":[{"taxonomy":"special_columns","embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/special_columns?post=41263"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}