{"id":41277,"date":"2011-12-08T18:41:00","date_gmt":"2011-12-08T18:41:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.cenb.org.br\/?post_type=historical-figures&#038;p=41277"},"modified":"2025-10-22T13:43:09","modified_gmt":"2025-10-22T13:43:09","slug":"domingos-chohachi-nakamura","status":"publish","type":"historical-figures","link":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/historical-figures\/domingos-chohachi-nakamura\/","title":{"rendered":"\u4e2d\u6751\u30c9\u30df\u30f3\u30b4\u30b9\u9577\u516b Chohachi Domingos Nakamura"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-right\">quinta-feira, 08 de dezembro de 2011<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"174\" height=\"224\" src=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/nakamura_domingos_chohachi.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21114\" style=\"width:187px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/nakamura_domingos_chohachi.jpg 174w, https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/nakamura_domingos_chohachi-9x12.jpg 9w\" sizes=\"auto, (max-width: 174px) 100vw, 174px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Nasceu em 2 de agosto de 1865 (1\u00ba ano de Era Kei\u014d), na vila de Okuura, distrito de Minami-matsuura, prov\u00edncia de Nagasaki. Aos 15 anos, ingressou no Semin\u00e1rio de Oura, em Nagasaki, e em 1897 (30\u00ba ano de Era Meiji) foi ordenado sacerdote. Sua primeira miss\u00e3o evangelizadora foi na regi\u00e3o de Oshima, na prov\u00edncia de Kagoshima. Dedicou-se ao movimento de educa\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o espiritual naquela regi\u00e3o por 25 anos e, at\u00e9 a sua ascens\u00e3o ao c\u00e9u, entregou-se com devo\u00e7\u00e3o \u00e0 obra sagrada por um longo per\u00edodo de 43 anos.<br><br>Em agosto de 1923 (12\u00ba ano de Era Taish\u014d), ele partiu a bordo do navio Kawachi Maru e desembarcou no Brasil como o primeiro mission\u00e1rio japon\u00eas a sair do Jap\u00e3o com o prop\u00f3sito de evangelizar no exterior.<br><br>Em 1919 (8\u00ba ano de Era Taish\u014d), o padre alem\u00e3o Lorenzo Hubbayer tornou-se o p\u00e1roco da cidade de Pindamonhangaba, na Linha Central. Sob o apoio do Sr. Ryoichi Yasuda, administrador da Fazenda Tozan, ele iniciou a primeira atividade de evangeliza\u00e7\u00e3o voltada aos japoneses.\n\nEle se esfor\u00e7ou na doutrina\u00e7\u00e3o dos imigrantes encomendando do Jap\u00e3o o Catecismo e outros livros de doutrina da Igreja Cat\u00f3lica. No entanto, havia o lamento de que seus objetivos mission\u00e1rios n\u00e3o podiam ser plenamente alcan\u00e7ados devido \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o insuficiente, uma vez que o padre n\u00e3o falava o japon\u00eas com flu\u00eancia.<br><br>Por interm\u00e9dio de Dom L\u00facio, bispo da Diocese de Botucatu, o Padre Lorenzo Hubbayer convenceu o N\u00fancio Apost\u00f3lico residente no Rio de Janeiro a sugerir ao Papa o envio de um sacerdote japon\u00eas ao Brasil. Simultaneamente, solicitou o mesmo ao Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Jap\u00e3o por meio do Ministro Horiguchi.\n\nSob ordens da Sagrada Congrega\u00e7\u00e3o para a Propaga\u00e7\u00e3o da F\u00e9 (Propaganda Fide), o N\u00fancio Apost\u00f3lico no Jap\u00e3o, Arcebispo Pietro Fumasoni Biondi (referido como Giardini), ficou encarregado de selecionar o candidato ideal. Diz-se que foi assim que se concretizou a vinda do Padre Domingos Ch\u014dhachi Nakamura ao Brasil.<br><br>Partiu de T\u00f3quio em 7 de junho de 1923 (12\u00ba ano de Era Taish\u014d). Diferente de outros viajantes, n\u00e3o houve fitas coloridas nem vozes festivas de despedida quando ele zarpou do Porto de Kobe. Levava consigo a miss\u00e3o de oferecer palavras de consolo aos que gemiam no abismo da tristeza e o poder da ora\u00e7\u00e3o aos que buscavam prosperar.\n\nAos 59 anos, o Padre Nakamura desembarcou no Porto de Santos em 25 de agosto. Dirigiu-se imediatamente ao Bispado de Botucatu, onde iniciou a evangeliza\u00e7\u00e3o entre os colonos japoneses daquela diocese. Tr\u00eas meses depois, partiu rumo \u00e0 Linha Noroeste, a regi\u00e3o com a maior concentra\u00e7\u00e3o de japoneses. Primeiramente, visitou o p\u00e1roco Vicente Fontenets na cidade de Cafel\u00e2ndia e come\u00e7ou seu trabalho mission\u00e1rio pela Col\u00f4nia Hirano.\n\nConta-se que, passados alguns meses, ele retornou mancando; ao examinarem seus p\u00e9s, descobriram que todas as pontas de seus dedos estavam infestadas por bicho-de-p\u00e9.<br><br>N\u00e3o houve lugar nos estados do Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso que n\u00e3o tivesse recebido suas pegadas. Em 1938 (13\u00ba ano de Era Sh\u014dwa), mudou-se para a cidade de \u00c1lvares Machado, na Linha Sorocabana. Quando os fi\u00e9is constru\u00edram uma igreja de madeira e uma casa paroquial dentro de uma fazenda na Col\u00f4nia Brej\u00e3o (comumente conhecida como Guai\u00e7ara), ele ficou imensamente feliz com aquele local elevado, fresco e isolado, tornando-o seu ref\u00fagio enquanto se dedicava \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o.\n\nPassava quase dois ter\u00e7os do ano viajando, caminhando com duas malas grandes e uma pequena equilibradas nos ombros. O Padre Nakamura era um homem robusto, cujo peso n\u00e3o baixava dos 72 quilos, e percorria longas dist\u00e2ncias a p\u00e9 carregando essa bagagem pesada. Como detestava causar transtornos a outrem, suas tr\u00eas malas estavam repletas de tudo o que precisava: desde os moldes de ferro para assar as h\u00f3stias, farinha de trigo e paramentos de missa, at\u00e9 livros e mudas de roupa.<br><br>A personalidade desapegada e altru\u00edsta do Padre Nakamura era admirada e respeitada por todos, tanto por japoneses quanto por brasileiros. Em 14 de mar\u00e7o de 1940 (15\u00ba ano de Era Sh\u014dwa), \u00e0s 4 horas da manh\u00e3, ele ascendeu aos c\u00e9us aos 76 anos de idade.<br><br>Antes da chegada do Padre Nakamura ao Brasil, os japoneses residentes no pa\u00eds eram secretamente desprezados por alguns brasileiros como \"pag\u00e3os\" \u2014 ou seja, seguidores de uma religi\u00e3o pag\u00e3. No entanto, a vinda de um sacerdote japon\u00eas parece ter causado uma enorme surpresa \u00e0 sociedade brasileira em geral, e relata-se que, desde ent\u00e3o, esse preconceito desapareceu por completo. A influ\u00eancia que a virtude e a f\u00e9 do Padre Nakamura exerceram sobre os japoneses no Brasil, tanto direta quanto indiretamente, foi imensur\u00e1vel.<br><br>Em julho de 1938 (13\u00ba ano de Era Sh\u014dwa), quando o Contra-Almirante da Marinha, Shinjiro Yamamoto, visitou o Brasil como enviado cat\u00f3lico, o Padre Nakamura dirigiu-se \u00e0 cidade de S\u00e3o Paulo para receb\u00ea-lo. No dia 24 do mesmo m\u00eas, durante uma cerim\u00f4nia solene de recep\u00e7\u00e3o ao enviado Yamamoto, foi entregue ao Padre Nakamura a Medalha Pro Ecclesia et Pontifice (Benemerenti), concedida pelo Papa Pio XI.<br><br>O sacerdote, cuja semelhan\u00e7a remetia \u00e0 de S\u00e3o Francisco de Assis, viveu toda a sua vida tendo a pobreza como sua fiel companheira, deixando por onde passava rastros de piedade e in\u00fameras passagens memor\u00e1veis.\n\nEm certa col\u00f4nia, vivia apenas um \u00fanico fiel cat\u00f3lico. Todos os anos, o Padre Nakamura percorria milhares de quil\u00f4metros, sem se importar com a dist\u00e2ncia, apenas para visitar esse \u00fanico fiel. Como o local ficava no interior das matas e n\u00e3o havia sequer uma hospedaria, ele costumava pernoitar na resid\u00eancia do administrador do assentamento. Embora o administrador fosse protestante, o padre n\u00e3o demonstrava a menor preocupa\u00e7\u00e3o com essa diferen\u00e7a religiosa. A esposa do administrador, por sua vez, cuidava com todo o carinho das vestes do padre, lavando-as e remendando-as.\n\nCerta vez, no momento da despedida, o padre entregou um envelope com dinheiro, provavelmente como um gesto de gratid\u00e3o. O casal recusou firmemente a princ\u00edpio, mas o padre permaneceu em sil\u00eancio, n\u00e3o aceitando a negativa. Ao abrirem o envelope discretamente, ficaram surpresos com a quantia vultosa que ali estava; acreditando tratar-se de um erro do padre, tentaram devolv\u00ea-lo, mas ele apenas respondeu com um sorriso silencioso. Diz a lenda que, outrora, o poeta e monge Saigy\u014d presenteou uma crian\u00e7a com um gato de ouro sem qualquer hesita\u00e7\u00e3o; certamente, o Padre Nakamura compartilhava desse mesmo estado de esp\u00edrito elevado e desapegado.<br><br>Houve tamb\u00e9m outra ocasi\u00e3o memor\u00e1vel. O Padre Nakamura parecia ser consideravelmente conhecido na sociedade brasileira da \u00e9poca. Em certo assentamento, um jovem casal de camaradas (trabalhadores rurais) brasileiros esperava h\u00e1 quase meio ano para que o pr\u00f3prio Padre Nakamura realizasse o seu casamento. Assim que souberam da chegada do padre, fizeram o pedido imediatamente, mas ele recusou, explicando que n\u00e3o possu\u00eda permiss\u00e3o formal para realizar tal ato (visto que a jurisdi\u00e7\u00e3o cabia ao p\u00e1roco local).\n\nNo entanto, naquela mesma noite, o jovem que seria o noivo faleceu subitamente de um derrame cerebral, possivelmente devido \u00e0 extrema agita\u00e7\u00e3o. Na manh\u00e3 seguinte, a mo\u00e7a que seria a noiva veio ao encontro do padre e implorou que ele realizasse o funeral. No cemit\u00e9rio solit\u00e1rio, o padre proferiu as ora\u00e7\u00f5es em latim e concluiu a cerim\u00f4nia. Dizem que, diante da express\u00e3o desapegada e austera do sacerdote, e da serenidade de quem confiava plenamente a vida e a morte nas m\u00e3os de Deus, a jovem sentiu-se confortada do fundo de seu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>","protected":false},"featured_media":21114,"template":"","special_columns":[978],"class_list":["post-41277","historical-figures","type-historical-figures","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","special_columns-pioneers"],"blocksy_meta":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/historical-figures\/41277","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/historical-figures"}],"about":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/historical-figures"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21114"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41277"}],"wp:term":[{"taxonomy":"special_columns","embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/special_columns?post=41277"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}