{"id":41285,"date":"2011-03-10T18:22:00","date_gmt":"2011-03-10T18:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.cenb.org.br\/?post_type=historical-figures&#038;p=41285"},"modified":"2025-10-22T13:47:18","modified_gmt":"2025-10-22T13:47:18","slug":"tomoji-kato","status":"publish","type":"historical-figures","link":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/historical-figures\/tomoji-kato\/","title":{"rendered":"\u52a0\u85e4\u53cb\u6cbb Tomoji Kato"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-right\">quinta-feira, 10 de mar\u00e7o de 2011<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"188\" height=\"269\" src=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/kato_tomoji.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21091\" srcset=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/kato_tomoji.jpg 188w, https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/kato_tomoji-8x12.jpg 8w\" sizes=\"auto, (max-width: 188px) 100vw, 188px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O <em>Montevideo Maru<\/em>, que transportava o primeiro grupo de imigrantes para a coloniza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, partiu do porto de Kobe em 24 de julho de 1929 (4\u00ba ano da Era Sh\u014dwa), chegando ao  Rio de Janeiro em 7 de setembro.\n\nO grupo passou por Bel\u00e9m e desembarcou no cais da Col\u00f4nia de Acar\u00e1 (atual Col\u00f4nia Tom\u00e9-A\u00e7u) \u00e0s 8h30 da manh\u00e3 do dia 22 do mesmo m\u00eas.<br><br>Eles plantaram o cacau como cultura principal e semearam arroz, mas o arroz em casca produzido no ano seguinte valia apenas 7 d\u00f3lares por saca, uma pechincha, depois de terem consumido arroz beneficiado que custava 90 d\u00f3lares por saca.\n\nEm 1931 (6\u00ba ano da Era Sh\u014dwa), uma cooperativa de hortifr\u00fati foi formada, e os colonos passaram a ganhar a vida transportando tomate, nabo, berinjela e pepino para o mercado de Bel\u00e9m. Chegou-se ao ponto de, ao sa\u00edrem para Bel\u00e9m, serem chamados de \"Nabo, Nabo\", em vez de \"Japon\u00eas\".<br><br> \nOs imigrantes da quarta leva, ao verem a situa\u00e7\u00e3o da col\u00f4nia, abandonaram todos o cultivo, perguntando-se se aquilo n\u00e3o seria um inferno, onde n\u00e3o se podia nem comer, muito menos fixar um local para resid\u00eancia permanente.\nEm abril de 1931 (6\u00ba ano da Era Sh\u014dwa), a negocia\u00e7\u00e3o entre a Companhia de Coloniza\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul (<em>Nanbei Takushoku Kaisha<\/em>) e os colonos sobre o pagamento do arrendamento da terra se agravou, sendo resolvida somente ap\u00f3s concess\u00f5es da companhia. Para os imigrantes da Amaz\u00f4nia no per\u00edodo inicial da coloniza\u00e7\u00e3o, o caminho de espinhos foi intermin\u00e1vel.<br><br>Em 1933 (8\u00ba ano da Era Sh\u014dwa), vinte mudas de pimenta da variedade do sul da \u00c1sia trazidas pelo Sr. Makin\u014dsuke Usui foram transplantadas para a fazenda. Deste total, apenas duas mudas germinaram.\n\nEm 1935 (10\u00ba ano da Era Sh\u014dwa), quando a fazenda foi fechada, os Srs. Tomoji Kat\u014d e Enji Sait\u014d receberam essas mudas, cuidaram delas e as multiplicaram.<br><br>Com a interrup\u00e7\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o de pimenta durante o per\u00edodo da guerra, o pre\u00e7o de mercado da pimenta-do-reino subiu inesperadamente para 30 d\u00f3lares o quilo. Em 1946 (21\u00ba ano da Era Sh\u014dwa), esse valor disparou para 85 d\u00f3lares, e o entusiasmo pela pimenta cresceu subitamente, com todos declarando: \"A pimenta-do-reino \u00e9 promissora!\"\n<br><br>\nA produ\u00e7\u00e3o de pimenta manipulada pela Cooperativa Agr\u00edcola de Acar\u00e1 (<em>Akara Sangy\u014d Kumiai<\/em>) em 1938 (Sh\u014dwa 13) foi de 70 quilos (700 d\u00f3lares). Em 1950 (Sh\u014dwa 25), essa produ\u00e7\u00e3o atingiu 80 toneladas (8.500 contos), passou para 900 toneladas em 1955 (Sh\u014dwa 30) e chegou a uma colheita de 1.300 toneladas em 1958 (Sh\u014dwa 33).<br><br>O Sr. Tomoji Kat\u014d, natural de Sagae-machi, Nishi-Murayama-gun, prov\u00edncia de Yamagata, recebeu na mensagem de despedida os dizeres \"<em>shindo fuji<\/em>\", prov\u00e9rbio cujo significado \u00e9 \"corpo e terra s\u00e3o insepar\u00e1veis\", do velho Monsabur\u014d Kunii.\nMesmo na \u00e9poca de crise em que os colonos estavam abandonando o cultivo em massa, ele tomou a grande decis\u00e3o de que seria o suficiente \"se conseguisse sobreviver comendo\", pois estava determinado a enterrar seus ossos na col\u00f4nia.\n<br><br>\nFoi ent\u00e3o que o Sr. Hachir\u014d Fukuhara o aconselhou, dizendo: \"Os japoneses est\u00e3o bebendo pinga (aguardente de cana) demais. Isso vai arruinar a sa\u00fade deles. Por que voc\u00ea n\u00e3o tenta fazer saqu\u00ea?\"\n\nCom um subs\u00eddio de 200 d\u00f3lares, ele obteve fermento de cerveja na cidade de Bel\u00e9m, produziu saqu\u00ea e o vendia aos colonos para complementar sua renda. Foi por acaso, quando ele foi vender este saqu\u00ea na administra\u00e7\u00e3o da fazenda de <em>Asahiz\u0101ru<\/em> (conforme o original), que ele viu a pimenta-do-reino trazida pelo Sr. Usui dando frutos. Ao notar que os frutos eram excepcionalmente diferentes da variedade original, ele concluiu que esta era a planta adequada para o solo da regi\u00e3o.<br><br>Naquela \u00e9poca, em 1946 (21\u00ba ano da Era Sh\u014dwa), quando o valor come\u00e7ou a surgir, o Sr. Kat\u014d cultivava cerca de 800 p\u00e9s (com uma produ\u00e7\u00e3o anual de 500 quilos). No entanto, visando a reestrutura\u00e7\u00e3o da col\u00f4nia, ele e o Sr. Enji Sait\u014d distribu\u00edram as mudas gratuitamente para que todos as plantassem.<br><br>Em 1950, o pre\u00e7o atingiu o valor m\u00e1ximo de 100 d\u00f3lares o quilo; em 1953, chegou a 150 d\u00f3lares; e em 1954, o pre\u00e7o de atacado na cidade de S\u00e3o Paulo alcan\u00e7ou 220 d\u00f3lares.\n\nDe repente, isso deu origem ao <em>boom<\/em> econ\u00f4mico do \"diamante negro\", e a Col\u00f4nia Tom\u00e9-A\u00e7u, produtora de pimenta, passou a ser o centro das aten\u00e7\u00f5es como o \"vilarejo mais rico de todo o Brasil\".<br><br>Ap\u00f3s mais de 20 anos de sofrimento, a luz brilhante da prosperidade renovada chegou. A col\u00f4nia renovou completamente sua apar\u00eancia: constru\u00edram novas casas de t\u00e1bua para substituir as cabanas inclinadas, expandiram os armaz\u00e9ns, compraram caminh\u00f5es e adquiriram r\u00e1dios e geladeiras.<br><br>A onda de prosperidade, \u00e9 claro, teve como origem os Srs. Kat\u014d e Sait\u014d, que foram os pioneiros da pimenta-do-reino. A advert\u00eancia dos dois, que atuavam como conselheiros, era: \"Prosperidade e crise andam lado a lado. N\u00e3o gaste dinheiro desnecessariamente; preparem-se para a recess\u00e3o\".\nO Sr. Kat\u014d, por sua vez, limitou-se a reformar seus armaz\u00e9ns, f\u00e1brica de beneficiamento de arroz e estufa de secagem. Ele sequer visitou S\u00e3o Paulo, e, em vez disso, realizou seu antigo sonho: subir o Rio Amazonas com seus companheiros.<br><br>A queda no pre\u00e7o da pimenta a partir do ano de 1956 (31\u00ba ano da Era Sh\u014dwa) causou um impacto que lan\u00e7ou a col\u00f4nia no fundo do po\u00e7o da crise. Contudo, o Sr. Kat\u014d, que havia previsto  esse acontecimento, foi um dos poucos que tra\u00e7ou planos para o futuro com tranquilidade.<br><br>Em 31 de dezembro do mesmo ano, ele faleceu subitamente. No entanto, o nome do Sr. Tomoji Kat\u014d, como o benfeitor da regenera\u00e7\u00e3o da Col\u00f4nia Tom\u00e9-A\u00e7u e como pioneiro da coloniza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, permanecer\u00e1 para sempre na hist\u00f3ria da imigra\u00e7\u00e3o japonesa.<br><br>Como figura p\u00fablica, o Sr. Kat\u014d foi eleito diretor executivo da Cooperativa Agr\u00edcola da Col\u00f4nia de Acar\u00e1 ap\u00f3s a reorganiza\u00e7\u00e3o em 1937 (12\u00ba ano da Era Sh\u014dwa). A partir de 1939 (14\u00ba ano da Era Sh\u014dwa), ele atuou subsequentemente como presidente do Conselho. Desde 1947 (22\u00ba ano da Era Sh\u014dwa), ele passou a ser consultor de neg\u00f3cios, cedendo o caminho aos sucessores, e dedicou-se tranquilamente aos seus pr\u00f3prios empreendimentos.<br><br>Seus hobbies eram a leitura e a fotografia. Ele estava sempre atento aos acontecimentos mundiais atrav\u00e9s do r\u00e1dio e dos jornais. Gra\u00e7as \u00e0 sua capacidade de cr\u00edtica l\u00facida, era conhecido como um dos intelectuais da Col\u00f4nia Tom\u00e9-A\u00e7u.\n\nEle era h\u00e1bil em conversa\u00e7\u00e3o e uma pessoa que recebia os visitantes calorosamente com uma atmosfera familiar.<br><br>Ap\u00f3s a morte do Sr. Tomoji Kat\u014d, o filho mais velho, Kuniz\u014d, passou a presidir os neg\u00f3cios. A situa\u00e7\u00e3o atual da Fazenda Kat\u014d \u00e9 a seguinte: al\u00e9m de cultivar arroz e mandioca, possui 18.000 p\u00e9s de pimenta (produ\u00e7\u00e3o anual de mais de 30 toneladas) e 100 hectares de planta\u00e7\u00e3o de sisal, com uma produ\u00e7\u00e3o anual de 95 toneladas. Ele administra uma f\u00e1brica de fibras de sisal, uma f\u00e1brica de moagem de mandioca e uma beneficiadora de arroz.\n<br><br>\nEle sempre proferia a advert\u00eancia: \"Um fazendeiro que compra arroz para comer n\u00e3o \u00e9 um fazendeiro. Deve-se produzir o pr\u00f3prio alimento. \u00c9 perigoso depender apenas da pimenta s\u00f3 porque o pre\u00e7o est\u00e1 bom\".\n\nKuniz\u014d atua como um sucessor inestim\u00e1vel, que d\u00e1 continuidade \u00e0 vontade de seu r\u00edgido pai. Nas elei\u00e7\u00f5es para a diretoria da cooperativa em 1958 (33\u00ba ano da Era Sh\u014dwa), ele foi eleito como um dos diretores.<br><br>A prop\u00f3sito, o Sr. Tomoji Kat\u014d, antes de viajar para o Brasil, trabalhou na loja <em>Tar\u014dbee Saratani<\/em>, uma atacadista de sal, fertilizantes e gr\u00e3os, e em uma empresa de fabrica\u00e7\u00e3o de saqu\u00ea.\n\nCom base em sua experi\u00eancia nessa empresa, ele usou esse conhecimento para ganhar a vida produzindo saqu\u00ea em um canto da Amaz\u00f4nia, no outro lado do mundo. \u00c9 interessante notar que essa iniciativa ocorreu na mesma \u00e9poca em que a Casa T\u014dzan de S\u00e3o Paulo iniciou a produ\u00e7\u00e3o de saqu\u00ea, como <em>Azuma Kirin<\/em> e o <em>Azuma H\u014d\u014d<\/em>, para a comunidade japonesa residente, como uma forma de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 aguardente de cana (pinga), considerada prejudicial \u00e0 sa\u00fade.<\/p>","protected":false},"featured_media":21091,"template":"","special_columns":[978],"class_list":["post-41285","historical-figures","type-historical-figures","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","special_columns-pioneers"],"blocksy_meta":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/historical-figures\/41285","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/historical-figures"}],"about":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/historical-figures"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21091"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41285"}],"wp:term":[{"taxonomy":"special_columns","embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/special_columns?post=41285"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}