{"id":41288,"date":"2010-12-02T18:16:00","date_gmt":"2010-12-02T18:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.cenb.org.br\/?post_type=historical-figures&#038;p=41288"},"modified":"2025-10-22T13:51:10","modified_gmt":"2025-10-22T13:51:10","slug":"kenzo-kitajima","status":"publish","type":"historical-figures","link":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/historical-figures\/kenzo-kitajima\/","title":{"rendered":"\u5317\u5cf6\u7814\u4e09 Kenzo Kitajima"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-right\">quinta-feira, 02 de dezembro de 2010<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"200\" height=\"279\" src=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/kitajima_kenzo.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21082\" srcset=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/kitajima_kenzo.jpg 200w, https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/kitajima_kenzo-9x12.jpg 9w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O breve hist\u00f3rico do Sr. Kenz\u014d Kitajima est\u00e1 publicado da seguinte forma na \"Hist\u00f3ria do Desenvolvimento dos Japoneses no Brasil\" (no original, \u30d6\u30e9\u30b8\u30eb\u306b\u65bc\u308b\u65e5\u672c\u4eba\u767a\u5c55\u53f2):<br><br>Nasceu em 16 de fevereiro de 1870 (3\u00ba ano da Era Meiji), em Shinmachi, Kanazu-cho, na prov\u00edncia de Fukui. Em 1876 (9\u00ba ano da Era Meiji), mudou-se para Quioto com seus pais e, em 1881 (14\u00ba ano da Era Meiji), transferiu-se novamente para T\u00f3quio, onde se especializou em ingl\u00eas e matem\u00e1tica. De 1884 (17\u00ba ano da Era Meiji) a 1890 (23\u00ba ano da Era Meiji), estudou na Escola Anglo-Japonesa Tsukiji, antecessora da <em>Meiji Gakuin<\/em>.<br><br>\nEm 1890 (23\u00ba ano da Era Meiji), alistou-se no Primeiro Regimento de Infantaria de T\u00f3quio, foi dispensado do servi\u00e7o em 1893 (26\u00ba ano da Era Meiji) e recebeu o cargo de enfermeiro chefe de terceira classe. Em janeiro de 1894 (27\u00ba ano da Era Meiji), ingressou na Escola Profissional de Medicina de Aichi e, em setembro do mesmo ano, foi convocado para a Guerra Sino-Japonesa. Ap\u00f3s retornar vitorioso em junho de 1895 (28\u00ba ano da Era Meiji), retomou os estudos na referida escola m\u00e9dica de Aichi.\n<br><br>\nAp\u00f3s a formatura em 1898 (31\u00ba ano da Era Meiji), ingressou no Hospital da Cruz Vermelha Japonesa e, durante a Revolta Boxer em 1900 (33\u00ba ano da Era Meiji), embarcou no navio-hospital da Cruz Vermelha, retornando ao hospital em novembro do mesmo ano. Durante a Guerra Russo-Japonesa em 1904 (37\u00ba ano da Era Meiji), serviu a bordo do navio-hospital <em>K\u014dsai Maru<\/em> por dois anos, retornando vitorioso e reassumindo suas fun\u00e7\u00f5es em novembro de 1905 (38\u00ba ano da Era Meiji). Devido aos seus m\u00e9ritos nas Guerra Sino-Japonesa, Revolta Boxer e Guerra Russo-Japonesa, foi condecorado com a Quinta Ordem de M\u00e9rito e agraciado com a Ordem do Sol Nascente.\n<br><br>\nEm 1908 (41\u00ba ano da Era Meiji), deixou o Hospital da Cruz Vermelha Japonesa e, como m\u00e9dico de bordo da <em>Nippon Yusen<\/em>, viajou para a Europa servindo o pr\u00edncipe Kuni. No mesmo ano, renunciou \u00e0 <em>Nippon Yusen<\/em> e, a partir de ent\u00e3o, exerceu a medicina em sua resid\u00eancia particular.\n\nEm abril de 1913 (2\u00ba ano da Era Taish\u014d), ingressou na Companhia de Coloniza\u00e7\u00e3o do Brasil (<em>Burajiru Takushoku Kaisha<\/em>) e, em maio do mesmo ano, foi designado para o Brasil via Europa, onde se dedicou \u00e0 pr\u00e1tica m\u00e9dica por dez anos nas col\u00f4nias Katsura e Registro.\n<br><br>\nAo saber da epidemia de mal\u00e1ria na regi\u00e3o da linha Juqui\u00e1 em abril de 1923 (12\u00ba ano da Era Taish\u014d), confiou as tarefas m\u00e9dicas da col\u00f4nia ao assistente Tomenana Takano, dirigindo-se \u00e0quela localidade. Ele se dedicou incansavelmente ao socorro de seus compatriotas, mas, infelizmente, contraiu mal\u00e1ria maligna e voltou para casa. Ap\u00f3s sofrer por v\u00e1rios meses, faleceu finalmente em sua resid\u00eancia em Registro em 17 de setembro do mesmo ano. Sua idade ao falecer era de 54 anos.<br><br>O perfil do Dr. Kitajima est\u00e1 bem delineado. Atrav\u00e9s do par\u00e1grafo seguinte, ser\u00e1 poss\u00edvel vislumbrar ainda mais uma faceta de seu car\u00e1ter. Trata-se de um registro manuscrito feito pelo filho mais velho, Sr. Hirotaka, sobre o que o Sr. Kitajima disse ao chamar seus filhos \u00e0 cabeceira, na v\u00e9spera de seu falecimento:<br><br>\"Vida \u00e9 o que se define como o tempo at\u00e9 a morte. Em outras palavras, \u00e9 a linha reta entre o nascimento e a morte. A linha reta na geometria \u00e9 a dist\u00e2ncia mais curta entre dois pontos e \u00e9 a mais simples de todas as linhas. Contudo, a vida n\u00e3o me parece ser t\u00e3o simples quanto uma linha reta na geometria. Pois o Senhor Cristo nasceu h\u00e1 mais de mil anos, e sua vida durou apenas 33 anos. No entanto, seus ensinamentos n\u00e3o se extinguiram, mas se tornam cada vez mais fortes. Por este fato, a vida n\u00e3o se limita \u00e0 linha reta entre os dois pontos de nascimento e morte, mas se estende infinitamente para al\u00e9m da morte. \u00c9 isso tamb\u00e9m que desejo.<br><br>\"A morte \u00e9 uma coisa certa, inevit\u00e1vel, para todo ser humano que nasce. Como eu tamb\u00e9m nasci humano, eu j\u00e1 estava preparado para a morte. Contudo, desde que me tornei m\u00e9dico, passei por muitas experi\u00eancias com a morte de in\u00fameras pessoas: dez anos no Hospital da Cruz Vermelha Japonesa, servi\u00e7o naval durante a Guerra Russo-Japonesa e como m\u00e9dico particular. Ao pensar na morte desses pacientes \u2014 alguns morrendo como se dormissem, outros se debatendo em agonia \u2014 a minha vis\u00e3o sobre a morte n\u00e3o p\u00f4de deixar de ser diferente da de uma pessoa comum. Meu pai faleceu aos 66 anos e teve uma morte invejavelmente pac\u00edfica. Se eu morrer agora, serei derrotado por meu pai em termos de idade, mas meu desejo como m\u00e9dico \u00e9, pelo menos, que eu possa ser como meu pai. Estou doente agora e creio que esta doen\u00e7a n\u00e3o me trar\u00e1 um fim pac\u00edfico. Cheguei a pensar que o suic\u00eddio seria prefer\u00edvel a ter o sofrimento in\u00fatil se intensificado.<br><br>\"Arishima Takeo cometeu suic\u00eddio. Aqui tamb\u00e9m Matsusaku Matsui cometeu suic\u00eddio. Esses eventos, na minha iminente hora da morte, me deram um forte est\u00edmulo e causaram uma grande mudan\u00e7a no meu estado psicol\u00f3gico. Reconheci que o suic\u00eddio era justificado e eu pr\u00f3prio estava determinado a comet\u00ea-lo, mas n\u00e3o consegui execut\u00e1-lo. A raz\u00e3o para isso foi o vislumbre da vontade de Deus, obtido atrav\u00e9s de cinquenta anos de vida de f\u00e9 crist\u00e3.<br><br>\"O ensinamento do Senhor, na ora\u00e7\u00e3o de Cristo no Jardim do Geths\u00eamane: 'Meu Pai, se poss\u00edvel, afasta de mim este c\u00e1lice; contudo, n\u00e3o seja feita a minha vontade, mas a Tua', foi o que me fez realmente desistir do suic\u00eddio e me preparar para receber o c\u00e1lice amargo. Eu seguirei a vontade de Deus Pai at\u00e9 o fim.<br><br>\"Em <em>The Open Spaces<\/em>, que li recentemente, havia uma frase que dizia: 'Uma semente que caiu em uma fenda na rocha germinou e cresceu'. Saneatsu Mushak\u014dji, que planejava construir uma vila ideal em um canto de Ky\u016bsh\u016b, tamb\u00e9m falava sobre algo assim.<br><br>\"Eu amo a natureza. E gosto muito de flores. Meu t\u00famulo n\u00e3o precisa de l\u00e1pide ou de nada. Quero que esteja coberto de flores o ano inteiro. Enquanto houver flores neste mundo, Kenz\u014d estar\u00e1 vivo. A hort\u00eansia \u00e9 uma flor peculiar. Mas \u00e9 interessante. Desta vez, trouxe quarenta ou cinquenta mudas e as entreguei ao Sr. Nagashima. Gostaria que ele as cultivasse bem. Desde que nasci, sou um homem sem sorte com dinheiro. Passei a vida lendo livros. E o que obtive com isso foi a nega\u00e7\u00e3o da ideia de que 'o homem \u00e9 o Senhor de toda a cria\u00e7\u00e3o'.\"<br><br>O Sr. Kenz\u014d Kitajima dedicou sua vida inteira \u00e0 pr\u00e1tica m\u00e9dica. Cada colher de medicamento administrada e cada bisturi manuseado, mesmo que brevemente, eram, de fato, a express\u00e3o do amor que emanava de sua f\u00e9. Como nota lateral, certa vez, surgiu uma disputa fundi\u00e1ria entre a companhia de Iguape e um certo brasileiro local influente. A companhia estava em uma situa\u00e7\u00e3o em que precisava desesperadamente obter aquelas terras, mas o processo judicial era desfavor\u00e1vel. \n<br><br>\nAquele brasileiro disse: 'Eu n\u00e3o venderei estas terras para a companhia, nem que seja por teimosia. Mas, se for para o Doutor Kitajima, eu as dou de gra\u00e7a. \u00c9 porque Kitajima \u00e9 o deus da costa da Ribeira.' Embora ele fosse o m\u00e9dico da companhia, sua virtude e paix\u00e3o eram admiradas e amadas por todas as pessoas que viviam em Iguape.<\/p>","protected":false},"featured_media":21082,"template":"","special_columns":[978],"class_list":["post-41288","historical-figures","type-historical-figures","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","special_columns-pioneers"],"blocksy_meta":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/historical-figures\/41288","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/historical-figures"}],"about":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/historical-figures"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21082"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41288"}],"wp:term":[{"taxonomy":"special_columns","embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/special_columns?post=41288"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}