{"id":41301,"date":"2009-09-03T17:51:00","date_gmt":"2009-09-03T17:51:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.cenb.org.br\/?post_type=historical-figures&#038;p=41301"},"modified":"2025-10-22T14:10:00","modified_gmt":"2025-10-22T14:10:00","slug":"umekichi-akeho","status":"publish","type":"historical-figures","link":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/historical-figures\/umekichi-akeho\/","title":{"rendered":"\u660e\u7a42\u6885\u5409 Umekichi Akeho"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-right\">quinta-feira, 03 de setembro de 2009<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"200\" height=\"282\" src=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/akeho_umekichi.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21044\" srcset=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/akeho_umekichi.jpg 200w, https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/akeho_umekichi-9x12.jpg 9w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Diz-se que o Sr. Umekichi Akeho, que se envolveu no projeto de imigra\u00e7\u00e3o por 36 anos, foi respons\u00e1vel por cerca de 80% dos japoneses que emigraram para o Brasil antes da guerra.<br><br>O envolvimento do Sr. Akeho com a imigra\u00e7\u00e3o come\u00e7ou em 1912 (45\u00ba ano da Era Meiji). Em 1923 (segundo ano da Era Taish\u014d), assim que a Companhia Ultramarina de Coloniza\u00e7\u00e3o (<em>Kaigai K\u014dgy\u014d Kaisha<\/em>) se tornou a \u00fanica empresa autorizada a enviar imigrantes para o Brasil, ele assumiu a fun\u00e7\u00e3o de diretor de imigra\u00e7\u00e3o e a manteve.<br><br>\nO Sr. Akeho se dedicou ao projeto de imigra\u00e7\u00e3o at\u00e9 o fechamento da companhia em 26 de janeiro de 1942 (17\u00b0 ano da Era Showa), devido ao rompimento das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas entre o Jap\u00e3o e o Brasil. Embora seu caminho tenha sido diferente do de figuras como Ryu  Mizuno, Sh\u016bhei Uetsuka e Umpei Hirano, ele deixou uma grande marca na hist\u00f3ria da imigra\u00e7\u00e3o japonesa no Brasil.<br><br>Ele era, por natureza, magn\u00e2nimo e prestativo, al\u00e9m de ser alegre e sem grandes ambi\u00e7\u00f5es, a ponto de ter como \u00fanico prazer cuidar dos novos imigrantes. Embora possu\u00edsse apenas cerca de 80 alqueires (200 Ha) de terra na localidade de Pacca, nos fundos de Cafel\u00e2ndia, n\u00e3o era apegado a ganhar dinheiro e tinha o \u00e1lcool e as corridas de cavalo como passatempos.\n\nNo entanto, ele n\u00e3o cometia excessos, como perder tudo no jogo ou ficar sem dinheiro para a passagem do bonde na volta do hip\u00f3dromo. Sua vida familiar era muito invejada na \u00e9poca, vivendo com sua esposa Kameko, que o apoiava com sabedoria, e seu filho mais velho, Minoru, contando com o suporte discreto e eficaz da esposa.\n\nSe h\u00e1 algo particularmente not\u00e1vel a ser dito sobre ele \u00e9 o per\u00edodo de alguns anos antes de se envolver com o projeto de imigra\u00e7\u00e3o, pois isso serve como uma ajuda para conhecer a \u00edndole do Sr. Akeho e permite vislumbrar, de forma vaga, as figuras do in\u00edcio da imigra\u00e7\u00e3o e a situa\u00e7\u00e3o das cidades do Rio e de S\u00e3o Paulo.<br><br>Ele era natural da prov\u00edncia de Tottori e fez parte da leva de 1906 (39\u00ba ano da Era Meiji). Ou seja, entusiasmado com a reportagem do jornal  <em>Osaka Asahi<\/em> baseada no relat\u00f3rio do Ministro Sugimura, ele, apesar de j\u00e1 ter mais de 30 anos e ser casado com filhos, veio para o Brasil sozinho, via Europa, com grande determina\u00e7\u00e3o.<br><br>\nCertamente ele n\u00e3o veio sem rumo. Seu objetivo parecia ser a importa\u00e7\u00e3o para o Brasil de tira de palha tra\u00e7acada (<em>bakkan sanada<\/em>), que era sua atividade principal.<br><br>Ao chegar em Santos, o Sr. Akeho acreditou que seria provavelmente o primeiro japon\u00eas no Brasil e estava cheio de entusiasmo. Certo dia, ele pendurou orgulhosamente o emblema da Cruz Vermelha no peito e saiu para passear pela cidade de S\u00e3o Paulo de bonde, como um Dom Quixote japon\u00eas, quando, por acaso, descobriu algu\u00e9m que parecia ser um japon\u00eas no mesmo bonde. <br><br>\nDescobriu que era o Sr. Takeo Got\u014d e ficou desapontado ao saber que, no mesmo ano, o Sr. Teijir\u014d Suzuki j\u00e1 havia chegado antes de Got\u014d, e que, no ano anterior, o Sr. Zentar\u014d \u014chira, um estagi\u00e1rio industrial da prov\u00edncia de Mie ligado ao Minist\u00e9rio da Agricultura e Com\u00e9rcio, j\u00e1 estava no Brasil.<br><br>O Sr. Akeho, com a ajuda dos Srs. Got\u014d e \u014chira mencionados anteriormente, conseguiu um emprego em uma f\u00e1brica italiana de chap\u00e9us de palha. No entanto, como ele n\u00e3o era originalmente um artes\u00e3o e, al\u00e9m disso, n\u00e3o entendia nada da l\u00edngua, foi despedido em menos de um m\u00eas. N\u00e3o se deixando abater, ele conseguiu emprego em outra f\u00e1brica e, trabalhando arduamente, progrediu e alcan\u00e7ou o n\u00edvel de um profissional; n\u00e3o apenas isso, mas chegou a ser encarregado de parte da gest\u00e3o e tornou-se muito pr\u00f3ximo do dono da f\u00e1brica.\nO Sr. Akeho permaneceu ali por onze meses e finalmente havia encontrado esperan\u00e7a, quando, por coincid\u00eancia, o Sr. Zentar\u014d \u014chira, que o havia ajudado em 1907 (40\u00b0 ano da Era Meiji), pediu-lhe que entrasse para a Casa Nippak (<em>Nippaku Sh\u014dkai<\/em>), que ele estava fundando no Rio de Janeiro, e Akeho aceitou o convite.<br><br>Dizem que a Casa Nippak foi a loja japonesa mais antiga no Rio de Janeiro. O Sr. \u014chira, visando o Natal daquele  ano, importou v\u00e1rias centenas de caixas de produtos japoneses e abriu a loja na Avenida Rio Branco. <br><br>\nOs produtos se esgotaram num piscar de olhos. Isso pode ter ocorrido gra\u00e7as ao exc\u00eantrico propriet\u00e1rio do im\u00f3vel que, sem ser solicitado, publicou grandes an\u00fancios em um importante jornal da cidade do Rio, incluindo uma caricatura de uma japonesa de olhos puxados segurando um guarda-sol. O fato \u00e9 que, mesmo antes de a vitrine ser totalmente montada, multid\u00f5es se aglomeravam desde o amanhecer, e a pol\u00edcia chegou a enviar dois oficiais para controlar o tumulto.<br><br>\nUma grande multid\u00e3o de pessoas com notas na m\u00e3o empurrava e se acotovelava. Inicialmente, o Sr. \u014chira, o Sr. Akeho e todos os funcion\u00e1rios atendiam os clientes vestindo os trajes tradicionais japoneses <em>haori<\/em> e <em>hakama<\/em>, mas em meio \u00e0 confus\u00e3o, eles acabaram tirando o <em>haori<\/em>, desfazendo a <em>hakama<\/em> e, por fim, arrega\u00e7ando as mangas, tal era o n\u00edvel de agita\u00e7\u00e3o e sucesso.<br><br>Assim que esgotavam esses produtos, n\u00e3o havia alternativa sen\u00e3o fechar a loja no dia seguinte e aguardar a pr\u00f3xima remessa. No entanto, como os produtos eram, originalmente, apenas itens raros (ex\u00f3ticos) e pouco pr\u00e1ticos \u2013 al\u00e9m de serem de baixa qualidade \u2013 e, por outro lado, as pessoas deste pa\u00eds facilmente se cansam de novidades, n\u00e3o era de admirar que as vendas n\u00e3o fossem mais como as do dia anterior.<br><br>O Sr. \u014chira decidiu regressar temporariamente ao Jap\u00e3o, e o Sr. Akeho, a pedido de seu antigo patr\u00e3o italiano, Giuseppe Zacchi, regressou \u00e0 cidade de S\u00e3o Paulo no ano seguinte. Um jovem chamado Masashi Toyoshima, rec\u00e9m-formado em l\u00edngua estrangeira, foi colocado como sucessor de Akeho.<br><br>\nA Casa Nippak continuou por um tempo ap\u00f3s a chegada do Sr. Sanji \u014chira, pai do Sr. \u014chira, mas, finalmente, o Sr. \u014chira vendeu a loja para um jovem chamado Gosuke Hachiya e deixou o Brasil.<br><br>O Sr. Akeho tentou importar diretamente do Jap\u00e3o 50 mil pe\u00e7as de tran\u00e7a de palha de trigo, mas, ao perceber que o branqueamento n\u00e3o era suficiente e n\u00e3o se adequava ao gosto deste pa\u00eds, ele suspendeu as importa\u00e7\u00f5es subsequentes. <br><br>\nConsiderando que o estudo desse processo de branqueamento era um pr\u00e9-requisito para a importa\u00e7\u00e3o de palha de trigo para o Brasil, ele desejava encontrar uma oportunidade para retornar ao Jap\u00e3o e visitar v\u00e1rias f\u00e1bricas. Nesse momento, ele foi encorajado pelo Sr. Tadao Kamiya, da Companhia Oriental de Imigra\u00e7\u00e3o (<em>Toyo Imin Kaisha<\/em>), e finalmente decidiu regressar ao seu pa\u00eds, ap\u00f3s seis anos de aus\u00eancia.<br><br>Aqui reside outra hist\u00f3ria t\u00edpica do Sr. Akeho. Ao chegar a Yokohama, ele dividiu o vag\u00e3o do trem para T\u00f3quio com um senhor idoso de apar\u00eancia respeit\u00e1vel. O Sr. Akeho, com seu porte imponente de cerca de 1,73m a 1,75m, tinha um nariz proeminente, testa larga e uma cabe\u00e7a robusta, sendo, de fato, um grande homem, destoando do f\u00edsico japon\u00eas comum. Al\u00e9m disso, por ser vaidoso, ele usava um chap\u00e9u um tanto exc\u00eantrico, que havia sido exibido na exposi\u00e7\u00e3o italiana pela f\u00e1brica de palha de trigo de S\u00e3o Paulo; usava pince-nez, \u00f3culos de pin\u00e7a no nariz, e ostentava um bigode \u00e0 moda moderna, <em>haikara<\/em>, da \u00e9poca. O senhor idoso, no mesmo vag\u00e3o, deve t\u00ea-lo confundido totalmente com um estrangeiro.\nCom um sotaque peculiar, o idoso perguntou ao Sr. Akeho: \"Este chap\u00e9u \u00e9 fabricado no seu pa\u00eds?\" Akeho respondeu: \"N\u00e3o, eu n\u00e3o sou estrangeiro\". Em seguida, ele dissertou com eloqu\u00eancia sobre a situa\u00e7\u00e3o do Brasil. Acontece que este idoso era ningu\u00e9m menos que o Sr. Kahei Otani, na \u00e9poca uma grande figura no mundo financeiro e empresarial japon\u00eas. O constrangimento e a honra do Sr. Akeho s\u00e3o vis\u00edveis.<br><br>Ap\u00f3s um ano de perman\u00eancia no Jap\u00e3o, o Sr. Akeho inspecionou f\u00e1bricas em diversas regi\u00f5es, mas percebeu que a tecnologia japonesa da \u00e9poca estava longe de se igualar \u00e0 da Fran\u00e7a e que a exporta\u00e7\u00e3o para o Brasil era economicamente invi\u00e1vel, desistindo, a contragosto, da ideia. <br><br>\nNesse momento, ele mudou de rumo, ingressando na Companhia Oriental de Imigra\u00e7\u00e3o e, al\u00e9m disso, tornou-se acionista da subsidi\u00e1ria <em>Nihon B\u014deki<\/em>, regressando ao Brasil. Sua esposa e filho mais velho embarcaram para o Brasil em mar\u00e7o de 1912, (45\u00ba ano da Era Meiji) a bordo do navio <em>Kanagawa Maru<\/em>, o primeiro navio de imigrantes da Companhia Oriental de Imigra\u00e7\u00e3o.<br><br>O Sr. Akeho faleceu em 13 de dezembro de 1953 (28\u00b0 ano da Era Showa), v\u00edtima de doen\u00e7a, aos 79 anos de idade.<\/p>","protected":false},"featured_media":21044,"template":"","special_columns":[978],"class_list":["post-41301","historical-figures","type-historical-figures","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","special_columns-pioneers"],"blocksy_meta":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/historical-figures\/41301","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/historical-figures"}],"about":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/historical-figures"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21044"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"special_columns","embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/special_columns?post=41301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}