{"id":41306,"date":"2008-01-30T17:24:07","date_gmt":"2008-01-30T17:24:07","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.cenb.org.br\/?post_type=historical-figures&#038;p=41306"},"modified":"2025-10-22T14:23:59","modified_gmt":"2025-10-22T14:23:59","slug":"kiyohachi-kimura","status":"publish","type":"historical-figures","link":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/historical-figures\/kiyohachi-kimura\/","title":{"rendered":"\u6728\u6751\u6e05\u516b Kiyohachi Kimura"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-right\">quarta-feira, 30 de janeiro de 2008<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"162\" height=\"235\" src=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/kimura_kiyohachi.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21029\" srcset=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/kimura_kiyohachi.jpg 162w, https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/kimura_kiyohachi-8x12.jpg 8w\" sizes=\"auto, (max-width: 162px) 100vw, 162px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A principal figura da Rua Conde de Sarzedas, a chamada \"Rua dos Japoneses\".<br>O Sr. Kiyohachi Kimura era uma figura que poderia ser chamada de o principal l\u00edder da \"Rua dos Japoneses\", em S\u00e3o Paulo, assim como o Sr. Yaz\u014d Uetsuchi e os irm\u00e3os Ry\u016bji Yamada. Ele imigrou para o Brasil no segundo navio de imigrantes, o <em>Ry\u014djun-Maru<\/em>, que aportou em Santos em 28 de junho de 1910 (43\u00ba ano da Era Meiji). \n<br><br>\nNascido na vila de Sugikami, no distrito de Shimomasuki, Prov\u00edncia de Kumamoto, ele era conterr\u00e2neo do Sr. Sh\u016bhei Uetsuka e, provavelmente, mantinha um relacionamento especialmente pr\u00f3ximo com ele. O Sr. Uetsuka, at\u00e9 seus \u00faltimos anos de vida, quando visitava S\u00e3o Paulo sempre ficava hospedado na resid\u00eancia do Sr. Kiyohachi Kimura na rua \"Conde\", como tamb\u00e9m \u00e9 conhecida.<br><br>As pessoas mais antigas no Brasil, em geral,   certamente sentem uma esp\u00e9cie de nostalgia por essa Rua Conde. N\u00e3o h\u00e1 como trazer o passado de volta ao presente, mas por que esta Rua Conde, a Rua dos Japoneses, inspira tanta nostalgia e \u00e9 preenchida com lembran\u00e7as como se fosse o ber\u00e7o da comunidade? <br><br>\n\u00c9 sem d\u00favida porque, ap\u00f3s carregarem o mesmo sonho e viajarem juntos por uma longa jornada mar\u00edtima, quando finalmente chegaram \u00e0s lavouras, encontraram-se em meio a uma trag\u00e9dia inesperada, de partir o cora\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o podiam sequer chorar. E o lugar onde finalmente conseguiram escapar das lavouras e respirar aliviados foi a Rua Conde, que serviu como um cadinho de amizade onde se consolaram e se encorajaram mutuamente, levantando novo \u00e2nimo.<br><br>A Rua Conde entre, aproximadamente, 1913 e 1924<br>Desde os primeiros anos da Era Taisho (1913\u201314) at\u00e9 o auge do per\u00edodo (por volta de 1923\u201324), a Rua dos Japoneses contava com uma s\u00e9rie de figuras exc\u00eantricas.\n<br><br>\nRelembrando, havia um m\u00e9dico chamado Yoshio Toda, conhecido por ser alegre e de esp\u00edrito cavalheiresco. Mais tarde, ele foi para Parintins, no Amazonas, onde trabalhou como m\u00e9dico, e dizem que ainda est\u00e1 vivo. Depois que o Sr. Toda partiu, veio da Am\u00e9rica do Norte o Sr. Sh\u014dkichi It\u014d, mas ele tamb\u00e9m se mudou para a Manch\u00faria e, na \u00e9poca da Guerra Sino-Japonesa, ele mantinha um hospital respeit\u00e1vel em Xinjing.\n<br><br>\nHavia tamb\u00e9m um alfaiate famoso por ter um mau g\u00eanio quando b\u00eabado, chamado Fujiyasu, que, ao se embriagar, gritava em voz alta: \"N\u00e3o me conhecem? Eu costurei as vestes do falecido Imperador!\" e atirava objetos descontroladamente, assustando todos que o conheciam pela primeira vez.\n\nAl\u00e9m desses, havia uma figura popular na Rua Conde, um vendedor ambulante chamado Iso'emon Kit\u014d, que vinha dos mares do sul. Ele era um homem destemido que carregava brinquedos e cer\u00e2micas japonesas at\u00e9 os confins da Amaz\u00f4nia. Embora fosse um homem muito feio e tivesse o h\u00e1bito de fungar constantemente pelo nariz, ele era um mestre na flauta shakuhachi. Nas noites de lua, quando ele tocava com melodia suave do alto da colina, as mo\u00e7as negras e brancas daquele bairro sa\u00edam correndo com seus tamancos de madeira e dan\u00e7avam ritmicamente ao som do Kappore.\n<br><br>\nNessa \u00e9poca, um grupo de jovens japonesas que trabalhavam como empregadas dom\u00e9sticas alugou um quarto nesta rua para us\u00e1-lo como clube. Elas se reuniam ali todo s\u00e1bado \u00e0 noite, liberadas da dificuldade da l\u00edngua portuguesa ainda desconhecida, e passavam a noite conversando alegremente. \u00c0s vezes, alguns jovens rapazes se juntavam \u00e0 festa, tornando o ambiente ainda mais animado e barulhento.\n<br><br>\nAssim, a Rua Conde de Sarzedas era, naquela \u00e9poca, n\u00e3o s\u00f3 o \u00fanico lugar de descanso para os imigrantes japoneses, como tamb\u00e9m a base para o futuro deles.<br><br>A ocupa\u00e7\u00e3o principal do Sr. Kimura era carpinteiro, mas houve um tempo em que ele, juntamente com os Srs. Ishihara, B\u014dzako, Nakayama (Tadashi) e Tamura, fazia sorbet e o vendia nas ruas, dividindo as tarefas. Este Sr. Tamura era o Sr. Yoshinori, da Prov\u00edncia de Kochi, pai do atual deputado federal Yukishige. Na \u00e9poca da chegada do segundo navio, o <em>Ry\u014djun-Maru<\/em>, ao Brasil, ele lamentava: \"Meu filho finalmente terminou o ensino fundamental. Ele quer continuar os estudos, mas estamos t\u00e3o pobres que n\u00e3o consigo pagar os estudos dele...\".<br>\"Ele \u00e9 inteligente, e \u00e9 um bom rapaz. Fa\u00e7a o que puder para que ele estude\".<br>Dizia-se que, diante disso, todos juntos o ajudaram e apoiaram.<br><br>O Sr. Yukishige Tamura, que continuou a estudar enquanto trabalhava e se formou na Faculdade de Direito, tornou-se uma esperan\u00e7a para os japoneses residentes no Brasil. Em 1958, como chefe da delega\u00e7\u00e3o de deputados federais em visita ao Jap\u00e3o, ele homenageou a p\u00e1tria-m\u00e3e  em nome de seus pais e foi condecorado com a Ordem do Tesouro Sagrado, Terceira Classe. Ele \u00e9 uma figura da qual a comunidade pode se orgulhar, como o melhor da segunda gera\u00e7\u00e3o  nascida na Rua Conde de Sarzedas.<br><br>Na Rua Conde, havia Kiyohachi Kimura<br>O motivo pelo qual escrevi longamente sobre as lembran\u00e7as da Rua Conde ao falar do Sr. Kiyohachi Kimura foi que eu queria esbo\u00e7ar, ainda que indiretamente, a ambi\u00eancia do bairro. Essa ambi\u00eancia era resultado da influ\u00eancia de sua personalidade, que era a pr\u00f3pria bondade. Isso se manifestava em sua exist\u00eancia como l\u00edder e em seu estilo de vida cavalheiresco, que consistia em \"derrubar os fortes e auxiliar os fracos\", e n\u00e3o era o tipo de coisa de pura encena\u00e7\u00e3o ou discurso moralista. Ele trabalhava silenciosamente e abordava os moradores com uma atitude verdadeiramente amig\u00e1vel.<br><br>O Sr. Kimura parecia ser uma pessoa discreta e sem alarde, mas todos gravavam em seus cora\u00e7\u00f5es que \"Na Rua Conde, havia Kiyohachi Kimura\".<br><br>Onde quer que se re\u00fana um grande n\u00famero de japoneses, incidentes problem\u00e1ticos sempre irrompem, mas a Rua dos Japoneses, onde o Sr. Kiyohachi Kimura residia, era o pr\u00f3prio para\u00edso da paz.<br><br>H\u00e1 tamb\u00e9m uma lenda de bravura que diz que o Sr. Kimura e mais duas pessoas andavam pela Rua Conde com o torso nu, usando apenas tamancos e brandindo espadas japonesas... Mas, independentemente disso, sua exist\u00eancia era grandiosa. Ele fazia valer o que era certo e repreendia o que era errado, obtendo o apoio dos jovens e garantindo que a Rua dos Japoneses n\u00e3o perdesse seu esp\u00edrito novo e \u00edntegro.<br><br>H\u00e1 um ditado que diz: \"Governar o mundo atrav\u00e9s da n\u00e3o-a\u00e7\u00e3o\". O Sr. Kiyohachi Kimura n\u00e3o possui grandes reviravoltas ou dramas a serem narrados. Certamente, \u00e9 prefer\u00edvel deixar muito legado para o mundo sem nada ter para contar do que ter muito para contar e pouco para dar ao mundo. Na \u00e9poca atual, em que muitas vezes se tenta julgar as pessoas pela sua riqueza ou pobreza, a lembran\u00e7a do Sr. Kiyohachi Kimura \u00e9 profundamente sentida.<br><br>Ele faleceu devido a doen\u00e7a em 14 de maio de 1953 (28\u00ba ano da Era Showa). Sua esposa, a Sra. Miko, havia falecido no ano anterior.<\/p>","protected":false},"featured_media":21029,"template":"","special_columns":[978],"class_list":["post-41306","historical-figures","type-historical-figures","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","special_columns-pioneers"],"blocksy_meta":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/historical-figures\/41306","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/historical-figures"}],"about":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/historical-figures"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21029"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"special_columns","embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/special_columns?post=41306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}