{"id":41309,"date":"2008-01-17T17:18:09","date_gmt":"2008-01-17T17:18:09","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.cenb.org.br\/?post_type=historical-figures&#038;p=41309"},"modified":"2025-10-22T14:34:50","modified_gmt":"2025-10-22T14:34:50","slug":"yasushi-sakamoto","status":"publish","type":"historical-figures","link":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/historical-figures\/yasushi-sakamoto\/","title":{"rendered":"\u5742\u5143\u9756 Yasushi Sakamoto"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-right\">quinta-feira, 17 de janeiro de 2008<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"212\" height=\"281\" src=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/yasushi_sakamoto.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21021\" srcset=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/yasushi_sakamoto.jpg 212w, https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/yasushi_sakamoto-9x12.jpg 9w, https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/yasushi_sakamoto-205x272.jpg 205w\" sizes=\"auto, (max-width: 212px) 100vw, 212px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O Sr. (Shin Kimitsuka) era o segundo filho de Shunichi (Capit\u00e3o de Engenharia da Marinha) e Masako. Seu registro familiar era em Kagoshima, mas nasceu em Mita, T\u00f3quio. Ap\u00f3s se formar na Escola Prim\u00e1ria Kanda, em T\u00f3quio, ele frequentou a Escola Secund\u00e1ria \u014cmuta, na Prov\u00edncia de Kumamoto, em seguida ingressou na Escola Militar de Cadetes de Kumamoto e se formou na Academia do Ex\u00e9rcito (20\u00aa Turma). Ele chegou a ser porta-bandeira no 14\u00ba Regimento de Infantaria da 12\u00aa Divis\u00e3o de Kokura, uma unidade que j\u00e1 foi comandada pelo General Nogi.<br><br>Naquele per\u00edodo, em que se afirmava que o Ex\u00e9rcito era dominado por pessoal de Ch\u014dsh\u016b e a Marinha por pessoal de Satsuma, refletindo a forte influ\u00eancia regional nas For\u00e7as Armadas Japonesas, ele costumava dizer em vida que um homem de Satsuma de pura estirpe, tendo se infiltrado no Ex\u00e9rcito de Ch\u014dsh\u016b, n\u00e3o tinha oportunidade de ascender.<br><br>O Capit\u00e3o Matsuo Itami do Ex\u00e9rcito, que foi o primeiro adido militar na lega\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro e um parente distante do Sr. Sakamoto, j\u00e1 o havia aconselhado a reorientar sua carreira para o empreendimento de imigra\u00e7\u00e3o no Brasil. No entanto, o Sr. Sakamoto, que admirava o General Nogi como ser humano mais do que como figura militar, ficou com a inten\u00e7\u00e3o clara de deixar o servi\u00e7o militar ap\u00f3s o mart\u00edrio (suic\u00eddio em honra) do General Nogi.\n\n\u00c9 relatado que ele foi incentivado pelo Sr. Morishima, rec\u00e9m-chegado da Am\u00e9rica do Norte, com a frase: \"O Para\u00edso n\u00e3o est\u00e1 no Norte, nem no Leste, nem no Oeste, mas est\u00e1 todo no Sul,\" e assim ele tomou a decis\u00e3o final de viajar para o Brasil.<br><br>Em maio de 1914 (3\u00ba ano da Era Taish\u014d), ele viajou ao Brasil a bordo do navio Wakasa Maru e, por um tempo, trabalhou na fazenda do Sr. Y\u016bzabur\u014d Yamagata, no Rio de Janeiro. Dizem que ele conquistou a admira\u00e7\u00e3o do grande Yamagata, que lhe deu o aval, dizendo: \"Este rapaz vai dar em algo.\" Em 1917 (6\u00ba ano da Era Taish\u014d), ao ingressar na Cooperativa de Imigra\u00e7\u00e3o do Brasil, seu destino se tornou decisivo.<br><br>endo o navio Wakasa Maru de 1914 (3\u00ba ano da Era Taish\u014d) como a \u00faltima embarca\u00e7\u00e3o, o contrato de imigra\u00e7\u00e3o foi rescindido pelo Estado de S\u00e3o Paulo. Em mar\u00e7o de 1916 (5\u00ba ano da Era Taish\u014d), as tr\u00eas empresas \u2013 Companhia Oriental de Imigra\u00e7\u00e3o, Cia. Takemura de Coloniza\u00e7\u00e3o e Companhia limitada de Emigra\u00e7\u00e3o Morioka \u2013 uniram-se para organizar a \"Cooperativa de Emigra\u00e7\u00e3o para o Brasil\" (Burajiru Ij\u016b Kumiai). No ver\u00e3o do mesmo ano, a cooperativa enviou o Sr. Tadao Kamiya ao Brasil para negociar com as autoridades do Estado de S\u00e3o Paulo a retomada da aceita\u00e7\u00e3o de imigrantes japoneses. Em agosto do mesmo ano, foi firmado um novo acordo para a aceita\u00e7\u00e3o de imigrantes, e a imigra\u00e7\u00e3o sob este novo acordo foi retomada em abril de 1917 (6\u00ba ano da Era Taish\u014d), novamente com o navio Wakasa Maru. Em dezembro de 1917 (6\u00ba ano da Era Taish\u014d), a Companhia Ultramarina de Coloniza\u00e7\u00e3o (Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha KKKK) foi estabelecida, e o Sr. Sakamoto tamb\u00e9m se tornou um funcion\u00e1rio da Kaik\u014d, podendo exercer sua capacidade e talento livremente.<br><br>Naquela \u00e9poca, a comunidade japonesa no Brasil ainda n\u00e3o havia se consolidado como uma sociedade organizada, e a presen\u00e7a japonesa no meio urbano da cidade de S\u00e3o Paulo ainda era incipiente e composta por poucos residentes. O Consulado, a Companhia Ultramarina de Coloniza\u00e7\u00e3o (Kaik\u014d) e a Casa Fujisaki constitu\u00edam o que era chamado de \"Gosanke\" \u2014 um termo que remete \u00e0s tr\u00eas linhagens mais prestigiosas do xogunato japon\u00eas \u2014, referindo-se aqui \u00e0s tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es que detinham a m\u00e1xima autoridade e influ\u00eancia sobre a comunidade. O prest\u00edgio dos funcion\u00e1rios da Companhia Ultramarina de Coloniza\u00e7\u00e3o\n era t\u00e3o elevado que, recorrendo a uma met\u00e1fora popularizada por Kiyoshi Yamashita \u2014 um famoso artista japon\u00eas que costumava classificar o valor das pessoas por meio de patentes militares \u2014, poder\u00edamos dizer que o Sr. Sakamoto teria sido promovido ao posto equivalente ao de Coronel.<br><br>Como a aloca\u00e7\u00e3o dos imigrantes ocorria principalmente na zona cafeeira antiga, a  Companhia Ultramarina de Coloniza\u00e7\u00e3o estabeleceu uma sub-sede em Ribeir\u00e3o Preto e enviou o Sr. Sakamoto como seu respons\u00e1vel. Homem de boa linhagem, de apar\u00eancia distinta e personalidade cativante, o Sr. Sakamoto tornou-se o \"rei\" de toda a regi\u00e3o da Linha Mogiana at\u00e9 1939 (14\u00ba ano da Era Sh\u014dwa), alcan\u00e7ando grandes feitos como mentor e protetor dos imigrantes das fazendas de caf\u00e9. Ao assumir o trabalho de imigra\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o Sr. Umekichi Akiho, ele chegou a atuar como gerente de filial substituto.\n\nPor ser um homem que apreciava uma boa bebida e possu\u00eda uma intelig\u00eancia perspicaz, ele conquistou a admira\u00e7\u00e3o dos jovens da \u00e9poca, sendo carinhosamente apelidado de \"Sakamoto Chindai\" (A Fortaleza Sakamoto) e tornando-se uma das figuras mais emblem\u00e1ticas e queridas da col\u00f4nia japonesa.<br><br>Casou-se em 1921 (10\u00ba ano da Era Taish\u014d) com Sugako, a filha mais velha do Dr. Kenz\u014d Kitajima \u2014 m\u00e9dico que era venerado quase como uma divindade pelos moradores ao longo do Rio Ribeira. As recorda\u00e7\u00f5es de Sugako sobre aquela \u00e9poca revelam com clareza a ess\u00eancia humana de Sakamoto.<br><br>\"Sakamoto era dono de um f\u00edsico imponente e muito querido por seu jeito extrovertido e generoso, mas, surpreendentemente, ele tinha um lado t\u00edmido e inseguro. Na \u00e9poca em que meu pai, o Dr. Kitajima, mantinha sua cl\u00ednica em Registro, houve uma noite em que algu\u00e9m bateu \u00e0 porta com for\u00e7a: 'Bum, bum!'. Pensando tratar-se de uma emerg\u00eancia m\u00e9dica, meu pai foi atender e deu de cara com o Sr. Umezabur\u014d Hara, da Associa\u00e7\u00e3o Nipo-Brasileira, e o Sakamoto \u2014 ambos com os rostos avermelhados pela bebida.\n\nEnquanto meu pai os observava, perplexo, Sakamoto, tentando manter-se firme em suas pernas tr\u00eamulas, gritou com uma voz t\u00e3o potente que eu, l\u00e1 dentro, pude ouvir claramente: 'Vim aqui para pedir a m\u00e3o de sua filha em casamento!'. Fiquei realmente espantada. Meu pai pareceu ainda mais desconcertado e tentou acalm\u00e1-lo, dizendo: 'Bem, j\u00e1 est\u00e1 tarde esta noite... que tal voltarem amanh\u00e3?'\"<br><br>Contudo, Sakamoto insistiu com aquela sua voz estrondosa: \"De jeito nenhum! Se fosse para vir amanh\u00e3, eu n\u00e3o estaria aqui a esta hora da noite. Tentei vir in\u00fameras vezes at\u00e9 hoje, mas n\u00e3o tive coragem de tratar de um assunto desses estando s\u00f3brio. Por isso, tomei uns tragos esta noite e trouxe comigo o Sr. Hara para me apoiar. Por favor, me d\u00ea uma resposta! N\u00e3o sairei daqui enquanto o senhor n\u00e3o me responder!\" \u2014 uma verdadeira intima\u00e7\u00e3o.<br><br>\"Pressionado pelo fervor dos dois, meu pai acabou cedendo: 'Est\u00e1 bem, est\u00e1 bem... entrem, por favor'. Eles foram conduzidos \u00e0 sala de visitas e, assim, fui for\u00e7ada a participar de um 'miai' (encontro formal para casamento) com o Sakamoto completamente embriagado.\n\nNaquela situa\u00e7\u00e3o, Sakamoto estava t\u00e3o nervoso e fora de si que confundiu a vela sobre a mesa com um doce e come\u00e7ou a mastig\u00e1-la com a express\u00e3o mais s\u00e9ria do mundo. Ao vermos aquela cena, tanto meu pai quanto eu n\u00e3o aguentamos e ca\u00edmos na gargalhada.\"<br><br>Como figura p\u00fablica, ocupou cargos honor\u00e1rios em organiza\u00e7\u00f5es como a Associa\u00e7\u00e3o de Assist\u00eancia M\u00fatua dos Japoneses no Brasil (D\u014djinkai) e as federa\u00e7\u00f5es de Jud\u00f4 e Kend\u00f4. Ele caminhou lado a lado com figuras como Sukenari Onaga, Satsuzen Fukukawa e Ch\u016bzabur\u014d Nomura, integrando um grupo que refletia seriamente sobre as quest\u00f5es enfrentadas pela segunda gera\u00e7\u00e3o (Nissei).\n\nEm 1940 (15\u00ba ano da Era Sh\u014dwa), por ocasi\u00e3o do 2.600\u00ba Anivers\u00e1rio da Funda\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio Japon\u00eas (K\u014dki 2600), ele foi um dos 19 residentes japoneses no Brasil condecorados pelo Minist\u00e9rio dos Neg\u00f3cios Estrangeiros do Jap\u00e3o por seus m\u00e9ritos e contribui\u00e7\u00f5es excepcionais aos empreendimentos de imigra\u00e7\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o.<br><br>Por mais de 20 longos anos, at\u00e9 1941 (16\u00ba ano da Era Sh\u014dwa), o Sr. Sakamoto dedicou-se ao amparo e cuidado dos imigrantes. Contudo, em 28 de janeiro de 1942 (17\u00ba ano da Era Sh\u014dwa), ocorreu o rompimento das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas entre o Brasil e o Jap\u00e3o. Em abril do ano seguinte, a Companhia Ultramarina de Coloniza\u00e7\u00e3o foi colocada sob interven\u00e7\u00e3o do governo brasileiro. Diante desse cen\u00e1rio, o Sr. Sakamoto, juntamente com o gerente da filial, Sr. Miyakoshi, e o Sr. Takeshi Hasegawa, recebeu a notifica\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o precisariam mais comparecer ao trabalho, sendo assim desligado da empresa.<br><br>Ap\u00f3s o t\u00e9rmino da guerra, ele ingressou temporariamente no Jornal Paulista \u2014 peri\u00f3dico que se posicionou como um \"jornal de esclarecimento, defendendo a aceita\u00e7\u00e3o da realidade da derrota japonesa em meio ao conflito ideol\u00f3gico da \u00e9poca. L\u00e1, dedicou seus esfor\u00e7os \u00e0 angaria\u00e7\u00e3o de assinantes. A partir de 1949 (24\u00ba ano da Era Sh\u014dwa), passou a gerir a filial brasileira da empresa comercial Odagiri (Odagiri Sh\u014dji Kaisha) em sociedade com o Sr. Gisuke Takenaka. Nessa fun\u00e7\u00e3o, ocupou-se dos tr\u00e2mites de recebimento de suprimentos de ajuda enviados do Jap\u00e3o, sua terra natal, dedicando-se a essa tarefa como um gesto de profunda considera\u00e7\u00e3o e apoio \u00e0 sua p\u00e1tria.<br><br>O Sr. Sakamoto veio a falecer devido a uma enfermidade em 4 de maio de 1951 (26\u00ba ano da Era Sh\u014dwa). Pouco antes de seu descanso eterno, Sua Alteza o Pr\u00edncipe Naruhiko Higashikuni \u2014 que fora seu colega de turma na Academia Militar \u2014 soube da gravidade de seu estado de sa\u00fade. Por coincid\u00eancia, seu quarto filho, Toshihiko (atualmente filho adotivo e herdeiro do Sr. Tetsusuke Tarama), estava de visita ao Brasil e foi enviado pelo Pr\u00edncipe para visitar o Sr. Sakamoto em seu leito de enfermidade.\n\nNaquele momento, Sakamoto j\u00e1 n\u00e3o possu\u00eda for\u00e7as para responder verbalmente. Contudo, ao ver o rosto de Toshihiko pr\u00f3ximo ao seu travesseiro, ele deixou as l\u00e1grimas aflorarem em seus olhos e assentiu com a cabe\u00e7a por duas vezes, expressando seu mais profundo e sincero agradecimento.<\/p>","protected":false},"featured_media":21021,"template":"","special_columns":[978],"class_list":["post-41309","historical-figures","type-historical-figures","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","special_columns-pioneers"],"blocksy_meta":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/historical-figures\/41309","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/historical-figures"}],"about":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/historical-figures"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21021"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41309"}],"wp:term":[{"taxonomy":"special_columns","embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/special_columns?post=41309"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}