{"id":41316,"date":"2008-01-15T17:02:49","date_gmt":"2008-01-15T17:02:49","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.cenb.org.br\/?post_type=historical-figures&#038;p=41316"},"modified":"2025-10-22T15:51:58","modified_gmt":"2025-10-22T15:51:58","slug":"saburo-kumabe","status":"publish","type":"historical-figures","link":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/historical-figures\/saburo-kumabe\/","title":{"rendered":"\u9688\u90e8\u4e09\u90ce Saburo Kumabe"},"content":{"rendered":"<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"221\" height=\"300\" src=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/saburo_kumabe.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21001\" srcset=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/saburo_kumabe.jpg 221w, https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/saburo_kumabe-9x12.jpg 9w, https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/saburo_kumabe-205x278.jpg 205w\" sizes=\"auto, (max-width: 221px) 100vw, 221px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">ter\u00e7a-feira, 15 de janeiro de 2008<\/p>\n\n\n\n<p>O Sr. Sabur\u014d Kumabe viveu, de fato, uma vida de infort\u00fanios, mas sua ambi\u00e7\u00e3o e sua integridade eram um tra\u00e7o distintivo e inabal\u00e1vel entre os pioneiros e desbravadores. Ele nasceu em Kumamoto em 1865 (1\u00ba ano da Era Kei\u014d), mas em meados da Era Meiji mudou seu registro para Kagoshima e, a partir de ent\u00e3o, trabalhou como juiz e como advogado. <br><br>\nAo ler o relat\u00f3rio do Ministro Plenipotenci\u00e1rio do Jap\u00e3o no Brasil Sugimura sobre a imigra\u00e7\u00e3o brasileira, sua grande ambi\u00e7\u00e3o despertou. Ele ent\u00e3o se associou ao Sr. Tomofusa Sasa, que era uma figura importante na pol\u00edtica da \u00e9poca, e decidiu construir uma col\u00f4nia.<br><br>Assim, na primavera de 1906 (39\u00ba ano da Era Meiji), ele liderou sua fam\u00edlia para emigrar para o Brasil, viajando pela Europa. No entanto, o Ministro Sugimura faleceu repentinamente de hemorragia cerebral poucos dias antes da partida de sua fam\u00edlia do Jap\u00e3o. E o colega Tomofusa Sasa, surpreendentemente, tamb\u00e9m havia morrido de doen\u00e7a antes da chegada do Sr. Kumabe ao Brasil.\n<br><br>\nMesmo o Sr. Kumabe ficou perdido e sem rumo ao perder o leme e o propulsor ao mesmo tempo. Contudo, sua fam\u00edlia j\u00e1 havia firmado sua determina\u00e7\u00e3o e pisado em uma terra distante. Ele decidiu que n\u00e3o havia alternativa sen\u00e3o esperar a oportunidade e, assim, ele se estabeleceu temporariamente na cidade de S\u00e3o Paulo.\n\nNo pedido de certificado de resid\u00eancia apresentado ao ent\u00e3o ministro plenipotenci\u00e1rio e c\u00f4nsul geral, Sr. Sadatsuchi Uchida, consta o seguinte: <br><br>\n\"Venho por este meio solicitar que me seja concedido o  certificado de que eu, abaixo assinado, e minha fam\u00edlia, residimos na Rep\u00fablica do Brasil desde 21 de outubro de 1906 (39\u00ba ano da Era Meiji). \n<br>Cidade de S\u00e3o Paulo, Rua de S\u00e3o Francisco, n\u00ba 81. <br>11 de novembro de 1907, Sabur\u014d Kumabe.\"\n<br><br>\nIsso significa que a fam\u00edlia Kumabe viveu na cidade de S\u00e3o Paulo por pelo menos mais de um ano. O \"Per\u00edodo de Enrolar Cigarros\" (<em>tabako-maki jidai<\/em>, em japon\u00eas), que permanece nas conversas das pessoas mais antigas, refere-se de fato a essa \u00e9poca.<br><br>Em novembro de 1908 (41\u00ba ano da Era Meiji), ele chegou a participar da constru\u00e7\u00e3o da Col\u00f4nia Santo Ant\u00f4nio, baseada em um contrato do Sr. Ryo Mizuno com o governo do Rio de Janeiro. Contudo, devido \u00e0 imprud\u00eancia do Sr. Ryo Mizuno e \u00e0 falta de fundos, o projeto foi interrompido antes mesmo de a coloniza\u00e7\u00e3o come\u00e7ar.\n<br><br>\nPor outro lado, o Sr. Kumabe, sem negligenciar seus la\u00e7os com o Jap\u00e3o, vinha buscando apoio do bar\u00e3o Hisakata Shimazu, da fam\u00edlia do antigo senhor do dom\u00ednio de Kagoshima, e avan\u00e7ava secretamente com um plano de neg\u00f3cios. No entanto, a m\u00e1 sorte o perseguiu at\u00e9 o fim: o bar\u00e3o faleceu inesperadamente, e este projeto tamb\u00e9m teve que ser abandonado antes de ser iniciado.\n<br><br>\nPodemos imaginar o desapontamento do Sr. Kumabe. Apesar disso, ele n\u00e3o perdeu a esperan\u00e7a e, quando o Sr. Sanji \u014chira fez um novo contrato com o governo do Rio de Janeiro em 1910 (43\u00ba ano da Era Meiji), em parceria com Rafael Monteiro, para retomar o projeto da Col\u00f4nia Santo Ant\u00f4nio que o Sr. Ryo Mizuno havia abandonado, ele participou novamente como uma continua\u00e7\u00e3o do empreendimento anterior. Mas, mais uma vez, devido \u00e0 persistente dificuldade financeira, ele n\u00e3o teve outra escolha sen\u00e3o abandonar o projeto no meio do caminho.<br><br>Ao considerar os anos de infort\u00fanios consecutivos que se passaram, o Sr. Kumabe foi for\u00e7ado a refletir profundamente sobre o empreendimento de coloniza\u00e7\u00e3o que ele tanto almejava. O problema era a educa\u00e7\u00e3o e o futuro de seus cinco filhos: quatro meninas e um menino. Ele viera para o Brasil com o prop\u00f3sito de construir uma col\u00f4nia e estava preparado para as dificuldades, sacrif\u00edcios e contratempos que ele pr\u00f3prio enfrentaria. Contudo, como pai, sentiu-se sombrio ao pensar no futuro de seus cinco filhos.\n<br><br>\nAp\u00f3s muita delibera\u00e7\u00e3o, o Sr. Kumabe decidiu abandonar o passado, depositar todas as suas esperan\u00e7as na felicidade dos filhos e devotar toda a sua energia \u00e0 educa\u00e7\u00e3o deles, esquecendo-se de todo o resto. Assim, em 1911 (44\u00ba ano da Era Meiji), ele se mudou para o Rio de Janeiro, onde conseguiu trabalho na Lage Irm\u00e3os, na <em>Light and Power Company<\/em>, ou em colabora\u00e7\u00e3o com o Sr. Y\u016bzabur\u014d Yamagata, vendendo sal e fornecendo alimentos e combust\u00edvel para navios mercantes \u2014 fazendo o que fosse necess\u00e1rio para sustentar sua fam\u00edlia.\n<br><br>\nSua esposa, a Sra. Ioko, era de natureza firmemente paciente. Ela tamb\u00e9m trabalhou em empregos assalariados, compartilhando o fardo com o marido e, ao mesmo tempo, demonstrou as qualidades de uma dona de casa calorosa, desfrutando unicamente do crescimento de seus filhos. Nascida em 1868 (1\u00ba ano da Era Meiji), veio de uma fam\u00edlia de prest\u00edgio pertencente \u00e0 classe <em>shizoku<\/em> (antiga classe samurai) em Kanazawa, Prov\u00edncia de Kanagawa. Ela se formou na  Escola Feminina Aoyama (<em>Aoyama Jogakuin<\/em>) e chegou a ser professora na Academia de Ingl\u00eas de Kumamoto (<em>Kumamoto Eigakujuku<\/em>), possuindo, portanto, a mais alta educa\u00e7\u00e3o e cultura para aquela \u00e9poca (meados da Era Meiji).<br><br>O esfor\u00e7o e as dificuldades do casal Kumabe ao longo de muitos anos finalmente chegaram ao momento de serem recompensados. Em 1918 (7\u00ba ano da Era Taish\u014d), a segunda filha, Teruko, e a terceira filha, Akiko, se formaram na Escola Normal do Governo Federal com as melhores notas.\n<br><br>\nAs duas irm\u00e3s conseguiram imediatamente um emprego como professoras assistentes em escolas prim\u00e1rias no Brasil. Como a lei nacional exigia que fossem brasileiras para se tornarem professoras efetivas, elas adquiriram a nacionalidade brasileira em maio do ano seguinte, 1919 (8\u00ba ano da Era Taish\u014d). Assim, essas duas irm\u00e3s foram as primeiras japonesas a se formar em uma escola secund\u00e1ria no Brasil e a iniciar o processo de naturaliza\u00e7\u00e3o.<br><br>O filho mais novo, Keiichi, estudou na Am\u00e9rica do Norte, retornou ao Brasil ap\u00f3s concluir seus estudos, mas infelizmente contraiu febre tifoide e faleceu em um hospital em Santos. A filha mais velha, Mitsuko, casou-se com o Sr. Katsumi Fujita, engenheiro agr\u00f4nomo da Col\u00f4nia Iguape. A segunda filha, Teruko, casou-se com o Sr. Shichir\u014d Haraguchi, um funcion\u00e1rio do consulado em servi\u00e7o no Brasil, mas, tragicamente, ap\u00f3s dois ou tr\u00eas anos, tamb\u00e9m faleceu. E a terceira filha, Akiko, casou-se com o Sr. Yutaka Nogami, na Am\u00e9rica do Norte e, em 1928 (17\u00ba ano da Era Taish\u014d), o casal se mudou para o Brasil e comprou terras na regi\u00e3o da esta\u00e7\u00e3o Ribeir\u00e3o Pires, nos arredores de S\u00e3o Paulo. A quarta filha, Eiko, casou-se com o Sr. Tsunaz\u014d Takahashi da Casa Nishitani no Rio de Janeiro.\n<br><br>\nDesta forma, o Sr. Kumabe e sua esposa idosa se tornaram residentes do estado de S\u00e3o Paulo a partir de 1923 (12\u00ba ano da Era Taish\u014d), onde viviam a sua velhice. No entanto, em 19 de agosto de 1926 (15\u00ba ano da Era Taish\u014d), o Sr. Kumabe embarcou em um navio de cabotagem em Santos, com destino ao Estado do Rio Grande do Sul, e, no meio do Oceano Atl\u00e2ntico, cometeu suic\u00eddio jogando-se ao mar. Ele partiu para o mundo eterno, deixando para tr\u00e1s na Terra as marcas de seus muitos anos de perseveran\u00e7a e luta.<br><br>\nO Sr. Kumabe, em seus \u00faltimos anos, viveu gra\u00e7as ao amor ilimitado do casal Nogami. Como era de se esperar de algu\u00e9m com sangue de samurai e que se tornou um jurista na vida adulta, ele manteve a compostura at\u00e9 o fim. Sua esposa idosa, Ioko, aos noventa anos, ainda est\u00e1 vigorosa e robusta, gosta de pescar, cuidar do jardim, fazer artesanato e passa seus dias e noites calmamente e sem cansa\u00e7o.<br><br>Se o objetivo final do projeto de estabelecimento de col\u00f4nias \u00e9 formar pessoas e criar uma sociedade melhor, o Sr. Kumabe, embora pare\u00e7a ter deixado este mundo sem alcan\u00e7ar sua ambi\u00e7\u00e3o, deve ser considerado recompensado, pois teve numerosos netos amados cujas atividades, como cidad\u00e3os na sociedade atual, s\u00e3o altamente valorizadas.<\/p>","protected":false},"featured_media":21001,"template":"","special_columns":[978],"class_list":["post-41316","historical-figures","type-historical-figures","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","special_columns-pioneers"],"blocksy_meta":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/historical-figures\/41316","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/historical-figures"}],"about":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/historical-figures"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21001"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41316"}],"wp:term":[{"taxonomy":"special_columns","embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/special_columns?post=41316"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}