{"id":19082,"date":"2018-09-10T17:02:16","date_gmt":"2018-09-10T17:02:16","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.cenb.org.br\/?p=19082"},"modified":"2025-04-07T16:10:40","modified_gmt":"2025-04-07T16:10:40","slug":"20180910","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/information\/20180910\/","title":{"rendered":"Chegada do Volunt\u00e1rio S\u00eanior para a Comunidade Nikkei da JICA, Sr. Kunitoshi Shimizu"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Cumprimentos<\/p>\n\n\n\n<p>Muito prazer. Meu nome \u00e9 Kunitoshi Shimizu e sou Volunt\u00e1rio S\u00eanior para a Comunidade Nikkei da JICA. A partir de 25 de julho de 2018, fui designado para o CENB como curador pelo per\u00edodo de aproximadamente dois anos. Embora minha fun\u00e7\u00e3o seja de curador, trabalho como arquivista organizando documentos manuscritos em japon\u00eas. Gostaria de me apresentar falando sobre minha trajet\u00f3ria pessoal e meu tema de pesquisa: Arquivologia, arquivos e a profiss\u00e3o de arquivista.<\/p>\n\n\n\n<p>Nasci e cresci na cidade de Sakura, prov\u00edncia de Chiba. Muitos talvez reconhe\u00e7am a cidade como a terra natal do jogador de beisebol Shigeo Nagashima. Sakura tem uma rica hist\u00f3ria: durante o per\u00edodo Edo, foi sede do castelo do cl\u00e3 Sakura; no final desse per\u00edodo, o cl\u00e3 foi pioneiro no estudo da medicina holandesa, estabelecendo o Hospital Juntendo; e desde a era Meiji at\u00e9 o fim da Segunda Guerra Mundial, o terreno do castelo serviu como base militar do ex\u00e9rcito, abrigando um regimento de infantaria. A cidade carrega, assim, a hist\u00f3ria de centro pol\u00edtico feudal, ber\u00e7o da medicina holandesa e local de regimento militar. Crescendo nesse ambiente hist\u00f3rico, desde crian\u00e7a me apaixonei pela hist\u00f3ria, especialmente a hist\u00f3ria do Jap\u00e3o, e ingressei na Universidade Kokugakuin. Na universidade, especializei-me em hist\u00f3ria do per\u00edodo moderno japon\u00eas e, ap\u00f3s me formar, passei a trabalhar no Arquivo de Documentos da Prov\u00edncia de Chiba, uma institui\u00e7\u00e3o de preserva\u00e7\u00e3o de documentos hist\u00f3ricos, onde me dediquei principalmente \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de documentos antigos dos per\u00edodos Edo e Meiji. Por outro lado, mesmo ap\u00f3s a gradua\u00e7\u00e3o, n\u00e3o conseguia definir claramente meu tema de pesquisa e passei anos sem um direcionamento espec\u00edfico, at\u00e9 que gradualmente comecei a me interessar pela Arquivologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Frequentemente me perguntam: \"O que s\u00e3o arquivos (archives)?\". Nos dicion\u00e1rios de ingl\u00eas, a palavra tem dois significados: os documentos propriamente ditos, como textos e imagens, e as institui\u00e7\u00f5es que preservam esses registros. Recentemente, com o uso frequente do termo na internet, surgiram outras interpreta\u00e7\u00f5es al\u00e9m desses significados originais, havendo uma tend\u00eancia de uso misto, o que acredito levar as pessoas a me fazerem a pergunta mencionada anteriormente, j\u00e1 que pesquiso Arquivologia. Para mim, existe um terceiro significado: transformar documentos em documentos hist\u00f3ricos. Refiro-me ao processo de organizar materiais em papel e outros suportes, estabelecer sistemas para sua utiliza\u00e7\u00e3o e transmiti-los \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras, convertendo-os de simples documentos em documentos hist\u00f3ricos. Explicando com mais detalhes: documentos, livros cont\u00e1beis, cartas, fotografias e v\u00eddeos s\u00e3o criados por indiv\u00edduos ou organiza\u00e7\u00f5es com determinadas inten\u00e7\u00f5es, prop\u00f3sitos ou atividades. Esses materiais registram o cotidiano das pessoas, diversos acontecimentos e os planejamentos, processos e resultados de atividades. Embora fossem utilizados com frequ\u00eancia quando criados, ap\u00f3s a conclus\u00e3o das atividades planejadas, sua utiliza\u00e7\u00e3o diminui. \u00c9 nesse momento que, ao organizar e preservar esses documentos e estabelecer sistemas para sua utiliza\u00e7\u00e3o, eles se tornam documentos hist\u00f3ricos que comprovam as atividades realizadas. Podemos dizer tamb\u00e9m que ali ficam preservadas na hist\u00f3ria as provas da exist\u00eancia das pessoas envolvidas nessas atividades. Portanto, somente ap\u00f3s organizar os documentos, estabelecer sistemas que possibilitem sua utiliza\u00e7\u00e3o e aplicar medidas adequadas de preserva\u00e7\u00e3o \u00e9 que eles se tornam verdadeiros documentos hist\u00f3ricos. Este \u00e9 o terceiro significado de arquivos, a pessoa que realiza esse trabalho \u00e9 chamada de arquivista (archivist), e a disciplina que estuda cientificamente os arquivos \u00e9 a Arquivologia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"230\" height=\"186\" src=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/kunitoshi_shimizu.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-19492\" srcset=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/kunitoshi_shimizu.jpg 230w, https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/kunitoshi_shimizu-15x12.jpg 15w, https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/kunitoshi_shimizu-205x166.jpg 205w\" sizes=\"auto, (max-width: 230px) 100vw, 230px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p> A prop\u00f3sito, uma das raz\u00f5es pela qual existem poucos estudos historiogr\u00e1ficos sobre a imigra\u00e7\u00e3o japonesa no Brasil \u00e9 a falta de organiza\u00e7\u00e3o de documentos, especialmente materiais escritos \u00e0 m\u00e3o em japon\u00eas. Quando falamos de imigrantes japoneses, n\u00e3o se trata apenas da imigra\u00e7\u00e3o como projeto governamental, mas tamb\u00e9m de viagens individuais, migra\u00e7\u00f5es realizadas por organiza\u00e7\u00f5es religiosas crist\u00e3s, escolas de coloniza\u00e7\u00e3o, empresas de imigra\u00e7\u00e3o e outras organiza\u00e7\u00f5es privadas. Al\u00e9m disso, havia organiza\u00e7\u00f5es receptoras no Brasil, como entidades de imigrantes e associa\u00e7\u00f5es de col\u00f4nias. Naturalmente, ambos os lados \u2013 remetentes e receptores, indiv\u00edduos e organiza\u00e7\u00f5es \u2013 geraram diversos tipos de documentos. A variedade desses materiais \u00e9 incont\u00e1vel: documentos para a viagem ao Brasil, passaportes individuais, di\u00e1rios relatando atividades ap\u00f3s a chegada, correspond\u00eancias entre indiv\u00edduos e entidades receptoras, cartas trocadas com familiares, parentes e amigos no Jap\u00e3o, entre outros. Esses documentos registram muitos eventos e atividades ainda desconhecidos na hist\u00f3ria da imigra\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje. \u00c9 fundamental transform\u00e1-los em arquivos. Dessa forma, n\u00e3o apenas para pesquisas hist\u00f3ricas, mas tamb\u00e9m para rastrear a hist\u00f3ria de ancestrais e fam\u00edlias, usar atividades passadas como refer\u00eancia para criar novas iniciativas, ou compilar publica\u00e7\u00f5es comemorativas, esses materiais podem ser utilizados para diversos fins. Em outras palavras, os arquivos tornam-se a base fundamental de tudo<\/p>\n\n\n\n<p>O CENB vem coletando documentos escritos relacionados \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o desde sua funda\u00e7\u00e3o. No entanto, atualmente, esses materiais encontram-se em estado desorganizado. Durante os aproximadamente dois anos em que estou trabalhando aqui, pretendo transformar esses documentos coletados em arquivos e, como testemunho vivo dos imigrantes japoneses e nikkeis que viveram na terra brasileira, transmiti-los para o futuro, daqui a 100 ou 200 anos<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O di\u00e1rio de Shimizu-san como volunt\u00e1rio da JICA est\u00e1 dispon\u00edvel aqui \u2192:<a href=\"https:\/\/world-diary.jica.go.jp\/shimizukunitoshi\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/world-diary.jica.go.jp\/shimizukunitoshi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u7b20\u6238\u4e38\u306e\u98a8<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u7740\u4efb\u306e\u5fa1\u6328\u62f6 \u521d\u3081\u307e\u3057\u3066\u3002JICA\u65e5\u7cfb\u793e\u4f1a\u30b7\u30cb\u30a2\u30dc\u30e9\u30f3\u30c6\u30a3\u30a2\u306e\u6e05\u6c34\u90a6\u4fca(\u3057\u307f\u305a\u3000\u304f\u306b\u3068\u3057)\u3068\u7533\u3057\u307e\u3059\u30022018 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19492,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_gspb_post_css":"","footnotes":""},"categories":[426],"tags":[874],"class_list":["post-19082","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-information","tag-jica"],"blocksy_meta":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19082","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19082"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19082\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19493,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19082\/revisions\/19493"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19492"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19082"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19082"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19082"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}