{"id":19125,"date":"2019-12-11T18:40:06","date_gmt":"2019-12-11T18:40:06","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.cenb.org.br\/?p=19125"},"modified":"2025-04-07T16:14:48","modified_gmt":"2025-04-07T16:14:48","slug":"20191211","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/information\/20191211\/","title":{"rendered":"Professor Koichi Mori \u2013 In Memoriam"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"152\" height=\"210\" src=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-14.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-19126\" style=\"width:306px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-14.png 152w, https:\/\/cenb.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-14-9x12.png 9w\" sizes=\"auto, (max-width: 152px) 100vw, 152px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>No dia 21 de outubro do corrente ano (2019) faleceu o professor Koichi Mori (USP), pesquisador renomado na \u00e1rea de estudos da imigra\u00e7\u00e3o japonesa no Brasil. O professor foi, tamb\u00e9m, um colaborador constante do Centro de Estudos Nipo-Brasileiros (Jinmonken \u2013 \u30b5\u30f3\u30d1\u30a6\u30ed\u4eba\u6587\u79d1\u5b66\u7814\u7a76\u6240:\u4eba\u6587\u7814), tendo, inclusive iniciado a sua carreira de pesquisador nessa institui\u00e7\u00e3o. Nascido em 14 de abril de 1955, na cidade de Utsunomiya\uff08\u5b87\u90fd\u5bae\u5e02\uff09, prov\u00edncia de Tochigi (\u6803\u6728\u770c \u2013 Jap\u00e3o), formou-se, no ano de 1978, em Economia pela Faculdade de Economia e Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Universidade de Meiji\uff08\u660e\u6cbb\u5927\u5b66\u653f\u6cbb\u7d4c\u6e08\u5b66\u90e8\uff09, uma das mais conceituadas universidades particulares de T\u00f3quio. Depois continuou a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na mesma faculdade alcan\u00e7ando o grau de mestre em ci\u00eancias pol\u00edticas, no ano de 1982 \u2013 t\u00edtulo reconhecido pela USP. Ele veio ao Brasil, em 1983, como bolsista da Associa\u00e7\u00e3o Nipo-Brasileira de Interc\u00e2mbio (ANBI \u2013 \u65e5\u672c\u30d6\u30e9\u30b8\u30eb\u9752\u5c11\u5e74\u4ea4\u6d41\u5354\u4f1a), tornando-se pesquisador visitante do Jinmonken e do Museu Paulista da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Desde ent\u00e3o se dedicou ao estudo da imigra\u00e7\u00e3o japonesa no Brasil, sobretudo, dos imigrantes origin\u00e1rios de Okinawa (\u6c96\u7e04\u770c).<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a sua primeira estadia no Brasil que durou at\u00e9 1986, Koichi Mori se dedicou, maiormente, ao estudo das religi\u00f5es novas dos imigrantes japoneses. Ele trabalhou em conjunto com Hirochika Nakamaki, conhecido especialista no estudo antropol\u00f3gico de religi\u00f5es, e Koei Ogasawara, volunt\u00e1rio s\u00eanior da JICA\uff08Japan International Cooperation Agency \u2013 \u72ec\u7acb\u884c\u653f\u6cd5\u4eba\u56fd\u969b\u5354\u529b\u6a5f\u69cb\uff09. Como resultado surgiu um seu trabalho sobre a seita Tenri \uff08\u5929\u7406\uff09publicado dentro do Relat\u00f3rio de Pesquisa IX \u2013&nbsp;<em>Novas Religi\u00f5es Japonesas no Brasil<\/em>&nbsp;(\u7814\u7a76\u30ec\u30dd\u30fc\u30c8\u2168\u3000\u30d6\u30e9\u30b8\u30eb\u306e\u65e5\u7cfb\u65b0\u5b97\u6559) \u2013 do Centro de Estudos Nipo-Brasileiros (1985). Tamb\u00e9m, participou da expedi\u00e7\u00e3o de estudos da regi\u00e3o Norte Nordeste tendo publicado um artigo sobre Juazeiro do Norte, uma cidade tipicamente nordestina (1985). \u00c9 ainda dessa \u00e9poca outro trabalho sobre a identidade da comunidade Nikkei (1985). \u00c0 \u00e9poca, o Regime Militar, que se instalara no pa\u00eds desde 1964, estava deixando o poder ap\u00f3s o fracasso na economia. O relacionamento com o Jap\u00e3o adquiria outra conota\u00e7\u00e3o. Por exemplo, a JAMIC (\u79fb\u690d\u6c11\u6709\u9650\u4f1a\u793e \u2013 Imigra\u00e7\u00e3o e Coloniza\u00e7\u00e3o Ltda.) e JEMIS (\u4fe1\u7528\u91d1\u878d\u682a\u5f0f\u4f1a\u793e \u2013 Assist\u00eancia Financeira S.A.), \u00f3rg\u00e3os do governo nip\u00f4nico, n\u00e3o puderam continuar as suas atividades no Brasil (1979). Outrossim, a comunidade Nikkei crescera e adquirira uma fei\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica que a diferenciava bastante da col\u00f4nia de imigrantes de antes e logo ap\u00f3s da II Guerra. Tudo isso consistia em objeto de estudos sociol\u00f3gicos e antropol\u00f3gicos que atra\u00eda o jovem pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1986, Mori retornou ao Jap\u00e3o, mas, por pouco tempo. No ano seguinte (1987) j\u00e1 se encontra novamente no Brasil, na cidade de S\u00e3o Paulo, como volunt\u00e1rio j\u00fanior da JICA, para participar do levantamento demogr\u00e1fico dos nikkeis e outros levantamentos semelhantes tendo como sede o Jinmonken. A sociedade brasileira vivia, na \u00e9poca, um per\u00edodo agitado tendo como objetivo maior superar os \u00f3bices, sobretudo, financeiros deixados pelo Regime Militar. A comunidade Nikkei, igualmente, vivia tempos agitados se preparando para a comemora\u00e7\u00e3o de 80 anos da imigra\u00e7\u00e3o nip\u00f4nica. As festividades coordenadas pela Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa (\u30d6\u30e9\u30b8\u30eb\u65e5\u672c\u6587\u5316\u5354\u4f1a \u2013 \u6587\u5354:Bunkyo) tiveram \u00eaxito alcan\u00e7ando grande repercuss\u00e3o. Levando em considera\u00e7\u00e3o o sucesso das festividades e a import\u00e2ncia de deixar registrada a trajet\u00f3ria dos imigrantes resolveu-se elaborar a hist\u00f3ria dos 80 anos da imigra\u00e7\u00e3o japonesa. Para isso constituiu-se uma comiss\u00e3o presidida por Katsunori Wakisaka, um dos mais ativos pesquisadores do Centro de Estudos Nipo-Brasileiros \u2013 o Jinmonken. A comiss\u00e3o coordenou um grupo de trabalho que em tr\u00eas anos elaborou, em japon\u00eas,&nbsp;<em>a Hist\u00f3ria dos 80 Anos da Imigra\u00e7\u00e3o Japonesa no Brasil<\/em>&nbsp;(\u30d6\u30e9\u30b8\u30eb\u65e5\u672c\u79fb\u6c11\uff18\uff10\u5e74\u53f2), publicada em 1991. No ano seguinte apareceu a vers\u00e3o em l\u00edngua portuguesa da obra com o t\u00edtulo de&nbsp;<em>Uma Epopeia Moderna \u2013 80 Anos da Imigra\u00e7\u00e3o Japonesa no Brasil<\/em>. Mori se engajou a esse grupo de trabalho, elaborando o cap\u00edtulo referente \u00e0 religi\u00e3o. Trata-se (provavelmente) da primeira obra sistem\u00e1tica sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dessa \u00e9poca (final do dec\u00eanio de 1980), Mori come\u00e7a a trabalhar em tr\u00eas \u00e1reas nas quais desenvolve os seus principais trabalhos: imigra\u00e7\u00e3o okinawana, decass\u00e9gui e culin\u00e1ria japonesa no Brasil. Ao que tudo indica, o interesse pela imigra\u00e7\u00e3o dos origin\u00e1rios de Okinawa foi mediado pelos seus estudos sobre o xamanismo dos imigrantes daquela prov\u00edncia no territ\u00f3rio brasileiro. Entretanto, nesse caso, tamb\u00e9m deve ter influenciado a sua participa\u00e7\u00e3o no projeto internacional (1989-1992) coordenado por Hideshi Ohashi, financiado pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Ci\u00eancia do Jap\u00e3o, sobre a imigra\u00e7\u00e3o okinawana para a Bol\u00edvia. Quanto ao seu engajamento \u00e0 pesquisa do fen\u00f4meno decass\u00e9gui \u00e9 mais do que entend\u00edvel se levar em considera\u00e7\u00e3o o per\u00edodo. Na \u00e9poca, muitos descendentes de imigrantes japoneses iam trabalhar na \u201cTerra do Sol Nascente\u201d, reflexo da dificuldade econ\u00f4mica do Brasil e da prosperidade japonesa &#8211; na \u00e9poca, segunda maior economia do planeta. Mori tem oportunidade de participar de um projeto internacional sobre o tema, financiado pela Funda\u00e7\u00e3o Toyota (1989-1991; coordenadora: Masako Watanabe).<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro tema de seu interesse tem uma hist\u00f3ria interessante. A culin\u00e1ria nip\u00f4nica n\u00e3o gozava de qualquer prest\u00edgio entre os brasileiros at\u00e9 a d\u00e9cada de 1980. Muito ao contr\u00e1rio. Era desprezada. Principalmente o peixe cru, seja na forma de sushi ou de sashimi, recebia aprecia\u00e7\u00f5es sarc\u00e1sticas. Surpreendentemente, toda essa repulsa come\u00e7ou a mudar. N\u00e3o se sabe, ainda ao certo, os fatores que influenciaram tal mudan\u00e7a. Por\u00e9m, o fant\u00e1stico desenvolvimento econ\u00f4mico do Jap\u00e3o e a longevidade dos nip\u00f4nicos, com toda probabilidade devem ter influenciados. E, tamb\u00e9m, o fato dos imigrantes japoneses e seus descendentes j\u00e1 fazerem parte da sociedade brasileira nessa \u00e9poca. Uma prova desta asser\u00e7\u00e3o pode ser verificada pela observa\u00e7\u00e3o da comida japonesa ter se difundido mais em cidades como S\u00e3o Paulo nas quais existe um n\u00famero grande de nikkeis. Qualquer que seja a raz\u00e3o \u00e9 ineg\u00e1vel que a culin\u00e1ria vinda da \u201cTerra do Sol Nascente\u201d j\u00e1 havia alcan\u00e7ado popularidade entre os brasileiros, inclusive sushis e sashimis. Mori percebe que havia um fil\u00e3o muito rico sob os pontos de vista sociol\u00f3gico, antropol\u00f3gico e etnogr\u00e1fico. E realizar\u00e1 pesquisas rigorosas e importantes sobre o assunto, tornando-se uma refer\u00eancia na \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo em que desenvolve pesquisas pioneiras, Koichi Mori se esfor\u00e7a para completar a sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Ele se inscreve no curso de doutorado na \u00e1rea de Ci\u00eancias Sociais da Universidade de Tohoku (\u6771\u5317\u5927\u5b66 \u2013 1990-1994), sob a orienta\u00e7\u00e3o do professor Hideshi Ohashi. A tese versa sobre a religi\u00e3o e imigrante okinawano no Brasil sob a abordagem de antropologia cultural. Por causa da sua situa\u00e7\u00e3o peculiar \u2013 estava no Brasil \u2013 ele s\u00f3 obter\u00e1 o t\u00edtulo em 2001. Para isso retornaria ao Jap\u00e3o em 2000 para redigir a tese, defendendo-a no ano seguinte. Durante todo esse per\u00edodo n\u00e3o deixa de pesquisar e publicar, em grande parte na revista Jinmonken (\u4eba\u6587\u7814), \u00f3rg\u00e3o do Centro de Estudos Nipo-Brasileiros. Assim, em 1998, publica&nbsp;<em>Sengo ni okeru okinawa ken imin no esunikku shokugy\u00f4 to shite no Kosutsuura (h\u00f4sei-gy\u00f4) &#8211; midoruman mainoritii he no michi (A Costura (Confec\u00e7\u00e3o)como Profiss\u00e3o \u00c9tnica dos Imigrantes Okinawanos P\u00f3s-guerra &#8211; O Caminho para Middleman Minority)<\/em>, in Jinmonken, v. 1. \u00c9 ainda do mesmo ano:&nbsp;<em>Shoku wo meguru imin-shi (1) &#8211; korono, N\u00f4son koronia jidai (Hist\u00f3ria da Vida Alimentar dos Imigrantes Japoneses no Brasil (1) &#8211; Era dos &#8216;Colonos&#8217; e col\u00f4nia Rural)<\/em>, in Jinmonken v. 2, 1998. No ano seguinte, na mesma revista, sai a continua\u00e7\u00e3o deste artigo:&nbsp;<em>Shoku wo meguru imin-shi (2) &#8211; senzen\/sengo no toshi ni okeru shoku seikatsu (Hist\u00f3ria da Vida Alimentar dos Imigrantes Japoneses no Brasil(2) &#8211; A Vida Alimentar na Cidade no Pr\u00e9\/P\u00f3s II Guerra)<\/em>. (Jinmonken, v. 3, 1999).<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa \u00e9poca, o seu relacionamento com o Jinmonken se intensifica a tal ponto de fazer parte da diretoria do Centro a partir de 2002. Publica uma boa parte da sua produ\u00e7\u00e3o na revista Jinmonken, \u00f3rg\u00e3o oficial do Centro. Amplia de igual maneira o seu dom\u00ednio de atua\u00e7\u00e3o pesquisando outros temas como a quest\u00e3o da linguagem dos nikkeis. Nesse tema, deve-se destacar a sua participa\u00e7\u00e3o no projeto internacional&nbsp;<em>\u201cL\u00edngua Falada dos Nikkeis no Brasil\u201d<\/em>&nbsp;(2002-2003), coordenada por Mayumi Kud\u00f4, com financiamento do Minist\u00e9rio de Educa\u00e7\u00e3o e Ci\u00eancia (\u6587\u90e8\u79d1\u5b66\u7701). No projeto teve oportunidade de estreitar conhecimentos com pesquisadoras da \u00e1rea, sobretudo, com as professoras da USP, Junko Ota e Leiko Matsubara Morales. Em 2003, Mori ingressa na carreira docente da USP e deixa o cargo de diretor executivo do Jinmonken ao qual havia sido nomeado naquele mesmo ano. Na USP, ele amplia ainda mais o seu campo de atua\u00e7\u00e3o. Destarte, come\u00e7ou a trabalhar no Instituto de Estudos Avan\u00e7ados (IEA-USP), com o grupo da professora Sylvia Dantas DeBiaggi, sobre a quest\u00e3o mais geral da e(i)migra\u00e7\u00e3o sob o ponto de vista da psicologia cultural. Tamb\u00e9m, come\u00e7a a se interessar pelos assuntos de imigra\u00e7\u00e3o sob a abordagem folcl\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2008, o professor Mori recebeu uma importante incumb\u00eancia. Naquele ano instalou-se a Comiss\u00e3o Editorial da Hist\u00f3ria de Cem Anos da Imigra\u00e7\u00e3o Japonesa no Brasil &#8211; vers\u00e3o em l\u00edngua japonesa \u2013 (\u65e5\u672c\u8a9e\u7248\u30d6\u30e9\u30b8\u30eb\u65e5\u672c\u79fb\u6c11\u767e\u5e74\u53f2\u7de8\u7e82\u520a\u884c\u59d4\u54e1\u4f1a) da Associa\u00e7\u00e3o para Comemora\u00e7\u00e3o do Centen\u00e1rio da Imigra\u00e7\u00e3o Japonesa no Brasil\uff08\u30d6\u30e9\u30b8\u30eb\u65e5\u672c\u79fb\u6c11\u767e\u5468\u5e74\u8a18\u5ff5\u5354\u4f1a\uff09. Escolhido presidente dessa Comiss\u00e3o, ele desempenhou com efici\u00eancia a sua fun\u00e7\u00e3o possibilitando a publica\u00e7\u00e3o de cinco volumes projetados que acabou saindo em quatro tomos (o quarto e o quinto volumes sa\u00edram em um \u00fanico tomo). Al\u00e9m desses cinco volumes versando sobre as atividades dos imigrantes na agricultura (Vol.1), na ind\u00fastria (Vol.2), na cultura e na forma de viver (Vol.3 e Vol.4), sintetizadas e discutidas do ponto de vista antropol\u00f3gico (Vol.5) publicou-se um suplemento fotogr\u00e1fico acerca dos 100 anos da imigra\u00e7\u00e3o. Trata-se de um livro bil\u00edngue (portugu\u00eas e japon\u00eas) com fotografias cedidas, em grande parte, pelo Museu Hist\u00f3rico de Imigra\u00e7\u00e3o Japonesa no Brasil. No seu \u201cPosf\u00e1cio\u201d, Mori afirma: \u201cCom o lan\u00e7amento deste volume, esperamos lan\u00e7ar uma nova luz sobre quest\u00f5es que dizem respeito aos dois pa\u00edses \u2013 nominalmente, quest\u00f5es como&nbsp;<em>\u2018povo\u2019, \u2018na\u00e7\u00e3o\u2019<\/em>&nbsp;e tamb\u00e9m&nbsp;<em>\u2018modernidade\u2019<\/em>; nosso desejo \u00e9 que atrav\u00e9s das fotografias, os leitores possam conhecer as experi\u00eancias singulares que os imigrantes japoneses acumularam durante esse \u00faltimo s\u00e9culo, e que cada grupo repense sob o prisma do imigrante as quest\u00f5es que mencionamos acima\u201d. De certo, \u00e9 tamb\u00e9m com esse tipo de olhar que o professor encarava o objeto de suas pesquisas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que nunca, espremido entre duas culturas \u2013 a brasileira e a nip\u00f4nica \u2013 Mori se debatia para superar conceitos como povo, na\u00e7\u00e3o, modernidade, globaliza\u00e7\u00e3o e outros dentro de uma perspectiva do futuro. Por isso tinha uma intera\u00e7\u00e3o grande com os seus alunos, em particular, com os seus p\u00f3s-graduandos. E quer que estes tenham o melhor conhecimento poss\u00edvel da \u201cTerra do Sol Nascente\u201d. Quando os seus p\u00f3s-graduandos ultrapassavam o n\u00edvel de mestrado e queriam se aprofundar mais em hist\u00f3ria e etnologia do Jap\u00e3o, Mori usando o seu amplo c\u00edrculo de rela\u00e7\u00f5es (universidades de T\u00f3quio, Osaka, Tohoku, Hokkaido, Kanagawa e outras) possibilitava a ele(a)s o ingresso ao curso de doutorado nas escolas superiores japonesas. Assim, n\u00e3o \u00e9 de espantar que por ocasi\u00e3o do seu inesperado falecimento, tenham sido seus alunos e suas alunas o(a)s que mais lamentaram e expressaram os seus sentimentos de tristeza \u2013 o que mais um professor poderia esperar? Sem d\u00favida, uma apoteose!<\/p>\n\n\n\n<p>E, para n\u00f3s pesquisadores, sobretudo do Centro de Estudos Nipo-Brasileiros \u2013 o Jinmonken \u2013 fica a sensa\u00e7\u00e3o de que perdemos um colega dedicado, um intelectual de grande capacidade, na plenitude das suas for\u00e7as desbravando searas tradicionais como religi\u00e3o japonesa no Brasil e novas como estudo antropol\u00f3gico da presen\u00e7a da cultura latino-americana no Jap\u00e3o. Ultimamente estava engajado, tamb\u00e9m, em uma pesquisa coordenada por Eliza Tashiro Perez (USP) acerca do contato hist\u00f3rico do Jap\u00e3o com o Ocidente dentro do qual a imigra\u00e7\u00e3o ao Brasil est\u00e1 inserida. Isso s\u00f3 para citar algumas \u00e1reas nas quais estava atuando. Sem Koichi Mori, o amanh\u00e3 de estudos nipo-brasileiros nunca mais ter\u00e1 o brilho que prometia ter. Uma pena!<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 21 de outubro do corrente ano (2019) faleceu o p [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19126,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_gspb_post_css":"","footnotes":""},"categories":[426],"tags":[451],"class_list":["post-19125","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-information","tag-451"],"blocksy_meta":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19125","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19125"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19125\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19127,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19125\/revisions\/19127"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19126"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19125"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19125"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19125"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}