{"id":19135,"date":"2020-04-13T18:56:27","date_gmt":"2020-04-13T18:56:27","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.cenb.org.br\/?p=19135"},"modified":"2025-04-07T16:14:27","modified_gmt":"2025-04-07T16:14:27","slug":"20200413","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/information\/20200413\/","title":{"rendered":"Em mem\u00f3ria do professor Shozo Motoyama"},"content":{"rendered":"<p><strong>Leiko Matsubara Morales\u00a0<\/strong>(Presidente)<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Lamentamos a perda do grande professor e historiador Shozo Motoyama.<br><br>O professor presidiu por cerca de 15 anos o Jin\u2019monken, o tradicional centro de estudos nipo-brasileiros, fundado em 1946. Um&nbsp;<em>locus<\/em>&nbsp;onde japoneses que se emigraram para o Brasil pensavam sobre o seu &#8216;novo lugar&#8217; no Brasil, preocupando-se com a dita&nbsp;<em>koronia<\/em>&nbsp;japonesa, discutindo o seu futuro e os problemas atuais \u00e0quela \u00e9poca entre seus membros. Homens de grandeza \u00edmpar passaram pela institui\u00e7\u00e3o, como Suzuki Teiiti, Wakisaka Katsunori, Tomoo Handa, Ando Zenpati, s\u00f3 para citar alguns dispensando quaisquer explica\u00e7\u00f5es.<br><br>A preocupa\u00e7\u00e3o desses l\u00edderes era exatamente com o n\u00edvel cultural dos imigrantes e seus descendentes circunscritos no seu mundo, longe dos centros urbanos, sem acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se formando nem japoneses e tampouco brasileiros. A incultura era uma das maiores preocupa\u00e7\u00f5es dos l\u00edderes da \u00e9poca que esse era o esp\u00edrito da funda\u00e7\u00e3o do Jin\u2019monken. Shozo Motoyama, em \u00faltimas palavras, dizia se orgulhar de ter estudado e atingido o grau m\u00e1ximo na Academia, que era ser professor titular na mais renomada universidade brasileira, a Universidade de S\u00e3o Paulo. Nesse seu discurso est\u00e1 contida a heran\u00e7a dos seus antecessores. Ele pr\u00f3prio foi o modelo do que seus ancestrais desejavam para os descendentes.<br><br>Assim como o t\u00e9rmino da Segunda Guerra constituiu um divisor de \u00e1guas, muitos japoneses, por imposi\u00e7\u00e3o do Estado e tamb\u00e9m por estrat\u00e9gia familiar, decidiram n\u00e3o ensinar japon\u00eas aos seus filhos. Shozo Motoyama tem uma vantagem at\u00e9 nisso: depois de estudar no Brasil, foi aprimorar seus conhecimentos no Jap\u00e3o e aperfei\u00e7oou a l\u00edngua e a cultura dos seus ancestrais; fez disso uma ferramenta importante para as suas pesquisas e evoluiu enormemente como pesquisador no cen\u00e1rio acad\u00eamico.<br><br>Shozo Motoyama n\u00e3o \u00e9 conhecido apenas como professor titular em Hist\u00f3ria das Ci\u00eancias e Tecnologia do Brasil da Universidade de S\u00e3o Paulo, suas contribui\u00e7\u00f5es se estenderam \u00e0s atua\u00e7\u00f5es como secret\u00e1rio e coordenador em diversas inst\u00e2ncias da Sociedade Brasileira da Hist\u00f3ria das Ci\u00eancias, na d\u00e9cada de 1980; depois ainda o professor contribuiu enormemente como organizador nas publica\u00e7\u00f5es de livros que registraram a hist\u00f3ria das institui\u00e7\u00f5es de pesquisa em S\u00e3o Paulo como a FAPESP e na esfera nacional, o CNPq, na d\u00e9cada de 1990 e 2000.<br><br>N\u00e3o pararam a\u00ed o seu engajamento como historiador, nas \u00faltimas d\u00e9cadas ainda se dedicou a orientar alunos no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em L\u00edngua, Literatura e Cultura Japonesa da USP, com temas voltados \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o japonesa, concomitantemente exercendo a presid\u00eancia do Jin\u2019monken, formando v\u00e1rios pesquisadores que hoje est\u00e3o espalhados pelo Brasil e Jap\u00e3o.<br><br>Nos \u00faltimos meses, durante a sua participa\u00e7\u00e3o nas reuni\u00f5es da comiss\u00e3o cient\u00edfica do Museu de Imigra\u00e7\u00e3o Japonesa manifestava mais do que ningu\u00e9m a sua preocupa\u00e7\u00e3o em registrar pessoas que iam sendo apagadas da hist\u00f3ria da imigra\u00e7\u00e3o japonesa, demonstrou preocupa\u00e7\u00e3o em criar um registro que permitisse a perpetua\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria e da mem\u00f3ria da imigra\u00e7\u00e3o.<br><br>Costumava dizer que h\u00e1 uma subvaloriza\u00e7\u00e3o da elite intelectual pelos assuntos da&nbsp;<em>koronia<\/em>&nbsp;japonesa, incentivando mais pesquisadores a fazerem o que mais precisa: estudar a t\u00e3o superdiversificada comunidade Nikkei, incluindo-se japoneses e seus descendentes.<br><br>O professor deixa saudades tamb\u00e9m pelo seu aspecto pessoal, por essa leveza de alma e s\u00edmbolo de serenidade. Uma pessoa que definitivamente transitou entre a Academia Brasileira e a comunidade Nikkei, sendo um presidente que deixa marcas indel\u00e9veis por ter fortalecido a ponte com a Academia com inser\u00e7\u00e3o de estudantes para fomentar pesquisas sobre a comunidade Nikkei. Nossa homenagem \u00e0 sua mem\u00f3ria \u00e9 dar continuidade ao trabalho de fortalecer a pesquisa no vern\u00e1culo e formar novas gera\u00e7\u00f5es de pesquisadores para aprofundar o v\u00ednculo com o Centro e tamb\u00e9m despertar o interesse da comunidade Nikkei e n\u00e3o-nikkei em geral.<br><br>Nossa profunda gratid\u00e3o!<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leiko Matsubara Morales\u00a0(Presidente) Lamentamos a perda [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_gspb_post_css":"","footnotes":""},"categories":[426],"tags":[451],"class_list":["post-19135","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-information","tag-451"],"blocksy_meta":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19135","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19135"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19135\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19136,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19135\/revisions\/19136"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19135"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19135"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cenb.org.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19135"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}