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多羅間鉄輔 Tetsusuke Tarama

sexta-feira, 08 de fevereiro de 2013

Entre os diplomatas que, após se aposentarem, dedicaram-se pessoalmente à gestão agrícola no Brasil, destacam-se figuras como Shigetuna Furuya, Chibata Miyakoshi e Tetsusuke Tarama. Dentre eles, o Sr. Tetsusuke Tarama era quem possuía a relação mais antiga e profunda com o Brasil. Graduou-se na Escola Superior de Yamaguchi e, posteriormente, na Escola Nacional de Inglês Seisoku de Tóquio. Em novembro de 1903 (36º ano de Era Meiji), partiu para a Espanha como estudante bolsista no exterior, ingressando na Legação Imperial na Espanha no ano seguinte. Em maio de 1914 (3º ano de Era Taishō), foi transferido para a Legação do Japão no Brasil. Posteriormente, em 1915 (4º ano de Era Taishō), mudou-se para o Consulado Geral em São Paulo. Em 1918 (7º ano de Era Taishō), retornou temporariamente ao Japão em licença, voltando ao Brasil um ano depois. Pouco tempo depois, foi transferido para Ribeirão Preto. Em 1920 (9º ano de Era Taishō), recebeu a ordem para a abertura do Consulado de Bauru, sendo promovido a cônsul em 1923 (12º ano de Era Taishō). Até 1929 (4º ano de Era Shōwa), ao longo de 15 longos anos, manteve um contato íntimo com a colônia japonesa. Durante esse período, sob o comando do primeiro cônsul-geral, Sr. Sadao Matsumura, empenhou-se na construção da Colônia Hirano. Além disso, na fundação do Colônia Aliança em 1924 (13º ano de Era Taishō) e em sua gestão posterior, prestou uma assistência tão dedicada que superava até mesmo os laços familiares.

Retornou ao Japão no início de 1929 (4º ano de Era Shōwa) e retirou-se da carreira diplomática. No final do mesmo ano, regressou ao Brasil e estabeleceu-se em terras na região de Lins, onde passou a administrar pessoalmente sua própria plantação de café. Durante sua vida na zona rural, foi nomeado consultor da Federação das Associações Japonesas sob a jurisdição do Consulado de Bauru, presidente da Federação Brasileira de Judô e Kendo, presidente da Federação de Beisebol dos Imigrantes Japoneses da Alta Noroeste, e presidente da Associação Central Japonesa do Brasil, entre outros cargos. Em agosto de 1938 (13º ano de Era Shōwa), retornou temporariamente ao Japão como membro da missão de conforto às tropas imperiais, visitando o norte da China. Finalmente, regressou ao Brasil em junho de 1940 (15º ano de Era Shōwa).

O Sr. Tarama amava os jovens. Por eles, aceitava com um sorriso qualquer preocupação ou gasto financeiro que fosse necessário. Até mesmo o comportamento rude e sem cerimônia dos rapazes era motivo de alegria para ele, que via nisso a própria essência da juventude. Por outro lado, sua personalidade possuía o rigor do frio outonal, sendo respeitado e carinhosamente chamado de "Kaminari Oyaji" (Velho Trovão). Ele próprio, ao dividir o caractere de trovão (雷), adotou o pseudônimo de "Uden" (雨田 - Campos de Chuva).

Diz-se que a linhagem da família Tarama era composta por retentores que acompanharam o clã Mōri desde seu antigo domínio em Kurume, ocupando cargos importantes como Karō (ancião da casa) e Rōjū (conselheiro) por gerações até a Restauração Meiji. Provavelmente, sua vida de consciência rigorosa derivava dessa linhagem sanguínea. Em fevereiro de 1913 (2º ano de Era Taishō), ele se casou. Sua esposa, Kinu, era a terceira filha do Sr. Kogenta Yoshida, de Shibukawa, na província de Gunma. Ela era graduada pela Faculdade de Pedagogia da Universidade Feminina do Japão (Nihon Joshi Daigaku), que tinha como reitor o Sr. Jinzō Naruse, conterrâneo do Sr. Tarama. Sobre o planejamento de sua vida e de suas esperanças, a viúva do Sr. Tarama relata o seguinte:

"Ao nos casarmos, nós dois conversamos e elaboramos um plano para o futuro. O primeiro período, os primeiros dez anos, seria para estabelecer a base econômica da família. O segundo período de dez anos seria para consolidar e enriquecer o conteúdo de nossas vidas. Ao entrar no terceiro período, o objetivo era começar a contribuir, mesmo que minimamente, para a sociedade. Como ambos gozávamos de boa saúde, os resultados do primeiro período superaram nossas expectativas. No entanto, talvez devido ao longo período em que vivemos separados, infelizmente não fomos abençoados com nenhum filho. Por isso, nosso desejo de levar adiante nossas aspirações iniciais tornou-se ainda mais forte. Durante a época no Consulado de Bauru, nas Três Grandes Festas Nacionais (Sandaisetsu) — e especialmente no Tenchōsetsu (Aniversário do Imperador) — convidávamos os voluntários e líderes da jurisdição para banquetes e, à noite, realizávamos bailes. Naquela época, figuras proeminentes como o Sr. Kenichiro Hoshina na Linha Sorocabana, e os Srs. Kanichi Yamane e Teijiro Suzuki na Linha Noroeste, eram presenças constantes. Juntamente com o Sr. Rokuro Kayama, do jornal Seishū Shimpō, eles sempre se reuniam e criticavam a postura passageira dos funcionários públicos japoneses, incentivando-nos a comprar terras. Como não tínhamos filhos e, portanto, não havia necessidade de retornar ao Japão para fins educacionais, decidimos que, para o enriquecimento do segundo período de nossa vida, a gestão agrícola em uma fazenda seria algo interessante."

"Sob diversas razões, como o desejo de criar uma fazenda ideal, ainda que pequena, para servir de modelo aos capitalistas japoneses e incentivá-los a investir, obtivemos a compreensão do Ministério das Relações Exteriores e adquirimos 200 alqueires (aproximadamente 500 hectares) de mata virgem. Iniciamos o plantio de 120 mil pés de café em 1922 (11º ano de Era Taishō), ano em que se comemorava o Centenário da Independência do Brasil."

Havíamos tomado uma decisão e um preparo espiritual quase trágicos: caso nosso empreendimento no Brasil fracassasse, estávamos dispostos a ingressar no Ittōen, uma comunidade fundada por Tenkō Nishida que prega a renúncia total aos bens materiais. Estávamos prontos para aceitar uma vida de absoluta humildade, dedicando-nos ao serviço altruísta e vestindo apenas roupas simples amarradas com cordas, abdicando de qualquer conforto ou status que tivéssemos no passado. Em 1929 (4º ano de Era Shōwa), após retornar ao Japão, ele exonerou-se do cargo público. No final do mesmo ano, enquanto atravessava o oceano de volta ao Brasil sonhando em ser um proprietário agrícola, soubemos em Cape Town sobre o pânico na América do Norte e a consequente queda drástica no preço do café. Ao chegarmos a Santos cheios de ansiedade, quem nos esperava era o administrador da fazenda acompanhado pelos credores. Imediatamente, solicitamos remessas de dinheiro aos parentes no Japão e conseguimos, a duras penas, resolver aquela situação; no entanto, as sequelas desse infortúnio persistiram por muito tempo. Embora pudéssemos realizar o desejo de levar uma vida dedicada ao cultivo nos dias de sol e à leitura nos dias de chuva (seikō udoku), como éramos dois que nunca havíamos passado privações financeiras, o período inicial foi consideravelmente difícil. Durante três anos, vivemos de forma obscura e precária; decidimos não comprar nada e nem sair de casa. Contudo, com o tempo, acostumamo-nos à pobreza e, pelo contrário, passamos a compreender o valor do dinheiro e a aprofundar nossa empatia pelos agricultores, tornando-nos capazes de conviver intimamente com eles."

"No décimo ano após o início do cultivo, retornamos ao Japão e, durante nossa estadia de pouco mais de um ano e meio, Tarama passou a maior parte do tempo em tratamento médico. Ao partirmos de volta para o Brasil, decidimos não deixar nada para trás — desde a casa e o terreno até todas as nossas ações e posses. Estávamos, por assim dizer, queimando as pontes, partindo com a determinação de quem vai para a residência permanente. Nossos parentes nos diziam: 'Ir para o Brasil agora é como ir para morrer. Fiquem no Japão, de alguma forma daremos um jeito', mas nós deixamos nossa terra natal dizendo que, do fundo do coração, desejávamos voltar para o Brasil. Um ano depois, começou a Guerra Nipo-Americana (Segunda Guerra Mundial). Nossos amigos nos sugeriram retornar ao Japão nos navios de intercâmbio, mas recusamos firmemente, dizendo que permaneceríamos até sermos os últimos. Em 13 de março, ele foi convocado e, embora por um curto período, sofreu a amargura da detenção. Depois disso, sua saúde declinou subitamente e, finalmente, em 3 de dezembro de 1942 (17º ano de Era Shōwa), ele veio a falecer. Foi, de fato, como se ele tivesse vindo apenas para morrer."

"Durante sua vida, o Sr. Tarama deu grande importância à educação dos jovens das zonas rurais. Em certo momento, ele chegou a elaborar planos para a construção de um alojamento estudantil; entretanto, devido às dificuldades financeiras, não conseguiu concretizar nenhum desses projetos. O que pôde fazer foi limitado a acolher sempre três ou quatro moças em nossa própria casa, criando-as e orientando-as para que pudessem, no futuro, ser úteis à sociedade como boas esposas e boas mães."

"Há dois anos, recebi 500 aves da raça Leghorn do Sr. Isamu Yuba. Desde então, crio essas galinhas com a ajuda das moças que vivem conosco, e decidi não reter sequer um centavo do lucro para uso pessoal: toda a renda é destinada a doações para o auxílio de nossa pátria ou para melhorias em instalações culturais. Ao olhar para trás, não tenho nada além de um profundo sentimento de gratidão."

"A propósito, devido aos laços de destino, em 1951 (26º ano de Era Shōwa), a viúva do Sr. Tarama adotou Toshihiko, o filho caçula do Sr. Naruhiko Higashikuni (ex-Príncipe Higashikuni), como seu herdeiro, recebendo-o no Brasil. Desde a sua chegada ao país, o Sr. Toshihiko tem se dedicado à gestão da fazenda em Lins."

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