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quinta-feira, 01 de março de 2012

Logo após o fim da guerra, ocorreu um problema verdadeiramente absurdo e lamentável. Trata-se do conhecido incidente da Liga Shindo. Ou seja, um grupo que negava categoricamente o fato irrefutável da derrota do Japão organizou os chamados "esquadrões especiais de ataque" e partiu para ações terroristas com o objetivo de eliminar os chamados "esclarecidos" (reconhecidos como derrotistas).
Naquela época, embora o clima geral da colônia estivesse bastante tenso com essa questão extremamente desagradável entre "vitoristas" e "derrotistas", pensava-se que não chegaria a tanto. Porém, a situação finalmente explodiu: na noite de 7 de março de 1946, em Bastos, o Sr. Ikuta Mizobe, diretor executivo da cooperativa local, foi assassinado com tiros pelas costas no quintal de sua residência.
Inicialmente, circularam várias especulações sobre as causas do assassinato, mas quando, na madrugada de 1º de abril, o Sr. Chozaburo Nomura, em São Paulo, foi atacado em sua própria residência por vários criminosos e brutalmente assassinado com diversos tiros de revólver, ficou evidente que se tratava de atos terroristas da Shindo Renmei, que havia perdido completamente o controle.
O grupo esclarecida da colônia, ao tomar conhecimento do assassinato do Sr. Nomura, ficou profundamente consternada e passou a odiar a Shindo Renmei por sua brutalidade e obstinação fanática. O Sr. Nomura tinha apenas 48 anos na época, estava em plena fase produtiva de sua vida, e não apenas suas atividades como líder no período pré-guerra eram altamente reconhecidas, mas também era querido por sua lealdade às amizades e por seu caráter descontraído e elegante, sendo muito respeitado pela geração mais jovem e adulta da comunidade.
A colônia lamentou especialmente sua morte porque acreditava que ele era uma figura absolutamente necessária para enfrentar os desafios do período pós-guerra.
O Sr. Chozaburo Nomura era natural da vila de Iijima, distrito de Kami-Ina, em Shinshū (atual província de Nagano). Após concluir os estudos na Escola Secundária de Matsumoto, frequentou a Academia Nishōgakusha em Koishikawa, Tōquio. Dizia-se que sua formação em estudos clássicos chineses, adquirida naquela época, foi a base de seu estilo literário profundo, imparcial e refinado.
Em 1918 ( 7º ano da Era Taisho ), veio ao Brasil de forma despretensiosa com o título nominal de estudante de agricultura do Ministério das Relações Exteriores do Japão. Naturalmente era solteiro e, por sua natureza despreocupada, vagou pela colônia de Registro, onde havia muitos conterrâneos, reuniu garotos de nariz escorrendo para ensinar japonês na vila de Cotia, onde se plantava batata-doce, e quando desceu a Santos com a intenção de ir à Argentina, gastou todo o dinheiro da passagem bebendo. Sem alternativa, caminhou cerca de cem quilômetros ao longo da linha férrea Juquiá, onde trabalhou como camarada (diarista) por oito meses. Em outra ocasião, partiu para Goiás para garimpar diamantes, mas ficou sem dinheiro no meio do caminho, trabalhou em fazendas de japoneses e, com o dinheiro que ganhou, desistiu do garimpo e voltou à cidade de São Paulo. Esse estilo de vida parece ter durado cerca de dez anos, mas seu amor pela colônia nos anos posteriores provavelmente foi cultivado durante esse período.
Seu caminho estava decidido. Ou seja, eram os objetivos de nossa colônia e suas convicções sobre a questão dos nisseis. Em abril de 1931, atendendo ao convite do presidente da Nippak, Miura, assumiu o cargo de editor-chefe do jornal. A nomeação foi bem recebida, considerada digna de Miura. Permaneceu no cargo por oito anos. Até sua saída do Nippak em novembro de 1938 para ingressar na Bunkyō Fukyūkai, instituição educacional voltada para a questão dos nisseis, exerceu sua opinião sem reservas através de sua habilidosa pena.
Essa era foi o apogeu da colônia e também a primavera do jornal Nippak, que ultrapassou 17 mil leitores. Provavelmente, em toda a história dos cinquenta anos de imigração, nunca houve no meio jornalístico da colônia um jornal tão consistentemente inovador e perspicaz quanto o Nippak daquela época. Afinal, um jornal é feito por pessoas, e não pode ser melhor do que as pessoas que o produzem. Isso permite vislumbrar a estatura e a visão do Sr. Nomura.
A seguir, reproduzo trechos de um editorial do Sr. Nomura publicado no jornal Nippak em 22 de julho de 1935 ( 10 ano da Era Shōwa ):
「聖州に於ける労力補給問題は、過ぐる34年憲法に外国人移民二分(2%)制限條項が挿入されて以来、引続き農界頭痛の種となって来たところ、当業者並に州当局不断の努力の結果、中央政府の認容するところとなり、五月の移民法の公布を見、ようやく前途に一縷の希望をもち得るに至った。州農界が過去数年の間、如何に労力不足に悩んだかは農村労銀の顕著なる高騰によってもこれを察知することが出来る。入移民の制限根拠を、人種型構成上ないし国防的見地におくことは、十分肯定されるが、土地広大にして而も人口稀薄な新開国が、当面の必要を犠牲にして、理想にはしることは、真にその繁栄強化を致す所以ではない、1934年来の伯国憲法は、アメリカの政策に模し、又アメリカの慫慂に出た形跡瞭かである。アメリカは、建国以来150年の歴史しかもたぬ新興国であり、領域亦大なるにせよ、すでに1億3千万、方キロ16人の人口を擁し、その富強世界に冠たるに、方キロ五人総人口4千5百万に足らず、而も植民地的産業形態の域を脱せぬブラジルが、アメリカを真似るところに、大きな無理がある。彼の白人万能を謳歌して来た濠州でさえ、現に開らかれている英濠交渉に於て、人口増加のため、独自の政策許容方につき、英本国と諒解を得べく、折衝中と伝えられているが、それは云うまでもなく、一国の繁栄が、十分の労力なくして実現不可能なりとの結論に到達せるためである」
野村氏が文教普及会に入った1938年(昭13)の末から、開戦の年、即ち1941年(昭16)末までの3ヶ年間は、次ぎから次ぎと国粋的法令の公布となり、野村氏の最も苦心した時代であった。如何にそれが激しい法令であったかの概要を採録すると、「連邦政府は、1938年より9年にかけ、外国人入国法、外国人団体取締法、外国語出版物取締法、外国系ブラジル人の同化促進に関する法令等を矢つぎ早やに制定実施し、特に教育に関しては、国内の総ての農村学校に於ける各科目は、ポルトガル語を以てのみ教授すべしと規定し、その属項に於て、教師は生来のブラジル人たること、十四歳未満の児童に外国語の教授を禁じること、初等教育の書籍は必ずポルトガル語に依る著述たること、及び初等科中等科に於て、伯国の地歴教授は之を義務とすると補足した」
以上のような厳しい法令と共に、州の学務官憲に対する訓令に於いて、私立学校のブラジル化を強調し、これがため従来の文教普及会は手も足も出なくなった。この大暴風雨の中にあって、野村氏は、コロニアを思い、痩せおとろえるまでに辛労した。結局戦争となって万事休し、戦終って一切は新しく発足する事となった訳であるが、野村氏が、二世教育のために、最後まで良くがん張ったことと、終戦直後あのような悲惨な終りを遂げたこととは、永く志ある在伯同胞の記憶を去らぬであろう。