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斎藤巍洋 Takahiro Saito

segunda-feira, 08 de outubro de 2012

Assim como a contribuição do Sr. Kenzō Anyōji para o atletismo brasileiro não deve ser esquecida, o Sr. Takahiro Saito (cujo sobrenome também pode ser lido como Giyou), que se dedicou à natação e aos esportes aquáticos, também demonstrou feitos que permanecerão para sempre na história do esporte da colônia.

O Sr. Takahiro Saito era natural da Província de Chiba, tendo nascido em 14 de setembro de 1903 (36º ano da Era Meiji). Ele ingressou na Universidade Rikkyō após ter estudado no Colégio Kishiwada, que era famoso pela natação. Em seus anos universitários, ele quebrou o recorde nacional japonês várias vezes em nado de costas e estilo livre de curta distância, além de ter participado da 8.ª Olimpíadas como representante do Japão.

Em 1927 (2º ano da Era Showa), ele se formou na Universidade Rikkyō, ingressou na Companhia do Jornal Mainichi (Mainichi Shinbunsha), e também acumulou a função de instrutor na Escola de Natação Hamadera do Mainichi. Além disso, viajou frequentemente para competições no exterior, incluindo Austrália, Havaí e Estados Unidos.

O Sr. Saito não era apenas um atleta de natação talentoso, como também demonstrava habilidades extraordinárias como treinador. Ao treinar a equipe da Universidade Rikkyō, ele obteve consistentemente resultados notáveis.

Estimulada pelo Campeonato Sul-Americano de Esportes Aquáticos e pelos Jogos Olímpicos Internacionais, a comunidade brasileira de natação finalmente viu o fervor pelos esportes aquáticos crescer. A Associação de Educação Física da Marinha do Brasil e a Federação Esportiva da Marinha, por meio da Embaixada do Japão, solicitou à Federação de Esportes Aquáticos do Japão que convidasse um técnico de natação. O período do contrato era de um ano, e o escolhido, por sua excelente habilidade como técnico, foi o Sr. Takahiro Saito.

O jornal Mainichi Shinbun, local de trabalho do Sr. Takahiro Saito, prontamente aceitou o envio do Sr. Saito, com a intenção de contribuir para a amizade nipo-brasileira.

Em 17 de dezembro de 1934 (9º ano da Era Showa), o Sr. Takahiro Saito, com o peito cheio de confiança e ambição, partiu para o Brasil a bordo do navio mercante Montevidéo Maru, que havia saído de Kobe.

A força das pernas raramente vista em atletas não nikkei, a forma esplêndida e a persistência nas competições: todos estes fatores eram resultados de métodos de treinamento exclusivos da natação japonesa.

O Sr. Takahiro Saito, a quem foi cedido um alojamento em uma das salas da Escola Naval, localizada numa ilha isolada na Baía do Rio, introduziu o estilo de natação exclusivo do Japão aos cadetes da marinha brasileira e a outras pessoas relacionadas, utilizando uma piscina verdadeiramente única (onde até nadavam peixes, como o pargos e o sargos).

Naquela época, o Sr. Takeo Ueno, que trabalhava na Embaixada do Japão no Rio e havia sido incumbido de auxiliar o Sr. Takahiro Saito, aceitou ser seu intérprete logo após sua chegada. Quando se encontraram com repórteres brasileiros, o Sr. Ueno traduziu a seguinte pergunta: "Se o senhor for o técnico, em quanto tempo os atletas da Marinha irão melhorar seus tempos?" O Sr. Saito respondeu: "Em apenas um mês, eu lhes mostrarei a quebra de recordes."

O Sr. Ueno, o intérprete, ficou preocupado e perguntou se era sensato dizer algo tão grandioso. Diz-se que o Sr. Saito respondeu: "Ora, eu já observei cuidadosamente a aptidão deles, então não há problema". Essa é uma frase que demonstra a magnitude de sua robusta autoconfiança.

Graças ao método de treinamento exclusivo do Sr. Takahiro Saito, em apenas cinquenta dias os atletas da Marinha mostraram uma progressão notável. Sua forma de nadar foi completamente renovada, quebrando rapidamente os recordes anteriores do Brasil e da América do Sul. Todos os jornais elogiaram unanimemente os feito então treinador.

Em março de 1935 (10º ano da Era Showa), a Associação de Educação Física da Marinha viajou para São Paulo e competiram contra a Federação de Natação de São Paulo no dia 15 no Tietê Clube e no dia 17 no Clube Espéria. Ambos os dias foram um grande sucesso com lotação máxima, e a Associação de Educação Física da Marinha dominou o campeonato em todas as modalidades, conquistando uma vitória esmagadora. Entre os resultados, o nadador Venebest da marinha estabeleceu um novo recorde sul-americano de 2 minutos e 42,4 segundos nos 200 metros nado peito. Além disso, a equipe surpreendeu o público ao estabelecer recordes sul-americanos nos tempos parciais dos 1.500 metros.

Em compensação, São Paulo também havia contratado técnicos de alto nível e renome da Europa e todos estavam treinando; no entanto, o treinamento exclusivo do Sr. Takahiro Saito foi o que produziu resultados excepcionais. Nesta época, um certo jornal brasileiro publicou:

"O Brasil foi descoberto em 1500 pela expedição marítima portuguesa de Cabral, mas a natação brasileira foi descoberta pelo nadador japonês Takahiro Saito". Seus feitos foram elogiados a tal ponto.

Em junho de 1935 (10º ano da Era Showa), quando a Missão Econômica japonesa liderada pelo Sr. Hirao visitou o Brasil, o Sr. Pires Dório, presidente do Jornal do Brasil, dirigiu-se ao repórter Dengorō Wada, correspondente especial do jornal Mainichi Shinbun que acompanhava a comitiva, e declarou:

"Os esforços pela amizade nipo-brasileira que diplomatas realizaram ao longo de cinquenta anos, juntamente aos esforços pela cooperação nipo-brasileira empreendidos por dez emissários econômicos, não chegam aos pés da diplomacia individual do Sr. Takahiro Saito. No Campeonato Sul-Americano de Esportes Aquáticos, a Federação Esportiva da Marinha, que é treinada pelo Sr. Saito, enviou novos atletas promissores como Villar (Manoel da Rocha Villar) e Benevenuto (Benevenuto Nunes). Villar chegou a ser aclamado como a reencarnação de Zorrilla. De fato, Villar estabeleceu novos recordes sul-americanos nos 100, 200, 400 e 800 metros nado livre, e junto com os 100 e 200 metros nado de costas de Benevenuto, o lado da marinha conquistou o campeonato em seis modalidades. Dos 190 pontos totais obtidos pelo Brasil nesse campeonato, 92 foram conquistados pela Federação da Marinha".

O Sr. Takahiro Saito havia sido enviado ao Brasil sob um contrato de um ano. Contudo, em preparação para as Olimpíadas de Berlim em 1936 (11º ano da Era Showa), a Federação de Esportes Aquáticos do Japão passou a necessitar urgentemente de seus serviços como técnico. Assim, ela solicitou que ele encurtasse ligeiramente o período do contrato e retornasse ao Japão. O Sr. Saito iniciou sua viagem de volta em 18 de dezembro de 1935 (10º ano da Era Showa), a bordo do navio mercante Santos-Maru, que partiu do Rio. De acordo com um relatório do então embaixador no Brasil, Setsuzō Sawada, dirigido ao Ministério das Relações Exteriores,

"A Federação Esportiva da Marinha desejava ardentemente a extensão da permanência do Sr. Takahiro Saito. Contudo, quando o corpo diplomático da embaixada, junto ao presidente da Associação de Educação Física da Marinha, visitou o ministro da marinha e explicou as circunstâncias internas do Japão, o ministro, considerando o esforço sincero e os grandes feitos do Sr. Saito, providenciou gentilmente uma solução para que ele pudesse retornar ao Japão pacificamente antes do prazo. Isso não apenas demonstra a boa vontade do lado da marinha, mas também atesta o quão bem-sucedido ele era na comunidade de natação brasileira".

Os participantes do almoço de despedida na Embaixada elogiaram seus feitos em uníssono e expressaram a esperança de que ele retornasse ao Brasil após as Olimpíadas. Todos os jornais noticiaram seu retorno ao Japão e, ao mesmo tempo, publicaram artigos elogiando a grande contribuição que ele havia feito à natação brasileira e lamentando sua partida.
"Ele foi a primeira pessoa enviada do Japão para o exterior como técnico esportivo; contudo, como mencionado anteriormente, seu trabalho serviu como um elo para a aproximação entre as comunidades esportivas nipo-brasileiras, e, por extensão, reconhece-se que sua contribuição para as relações de amizade entre os dois países foi extremamente significativa".
Assim, o artigo ratifica a importância de seus feitos.

A Osaka Shosen Kaisha (OSK) construiu o navio Brazil Maru, navio-irmão do Argentina Maru, e o destinou à rota sul-americana para fortalecer seus serviços. Por ocasião de sua viagem inaugural, o Sr. Takahiro Saito visitou o Brasil novamente, a convite da Associação de Atletismo da Comunidade Japonesa no Brasil.

O Sr. Takahiro Saito foi o treinador da expedição, acompanhado pelos dois nadadores, Tetsuo Hamuro (Universidade Nihon) e Masanori Yusa (formando da Universidade Nihon). O navio Brazil Maru partiu de Kobe em 17 de janeiro de 1940 (15º ano da Era Showa) e chegou ao Rio em 21 de fevereiro do mesmo ano.

Na primeira competição realizada no Estádio Fluminense (25 metros), o Sr. Hamuro estabeleceu novos recordes japoneses em piscina curta de 2 minutos e 39 segundos nos 200 metros nado peito e 1 minuto e 11,7 segundos nos 100 metros nado peito. O Sr. Yusa, por sua vez, registrou 58,4 segundos nos 100 metros naquela piscina, mas, em uma reunião de recordes em 1º de março, marcou 57,9 segundos nos 100 metros. Em 3 de março, numa piscina de 50 metros, ele marcou 58,4 segundos, o que deixou os atletas brasileiros perplexos.

No entanto, o impacto dessa expedição da equipe japonesa de natação, dirigida pelo Sr. Saito, foi ainda maior para o intercâmbio e a amizade entre o Japão e o Brasil, dada a profunda familiaridade que a comunidade brasileira de natação já tinha com o Sr. Saito.

Em 17 de agosto de 1944 (19º ano da Era Showa), o Sr. Takahiro Saito foi ordenado a se apresentar em Manila como funcionário do exército, em meio ao auge da Guerra da Grande Ásia Oriental. Enquanto mantinha sua afiliação ao Manila Shinbun, ele adoeceu durante o treinamento de natação da Unidade de Educação do Departamento de Imprensa do Exército. Dando a vida à sua missão, ele faleceu subitamente em 5 de setembro do mesmo ano (1944), aos 42 anos de idade. O jornal realizou um magnífico funeral no templo Honganji de Manila, em nome da empresa.

Embora fosse de temperamento gentil e calado com uma maneira de falar baixa e reservada, ele nutria uma paixão extraordinária quando se tratava de natação.

Após o fim da guerra, quando a equipe do Sr. Masanori Yusa visitou o Brasil, o Sr. Tatsuo Ōkōchi, um dos membros do Comitê de Boas-Vindas, ficou sabendo da morte do Sr. Takahiro Saito. Ele comunicou a notícia ao Dr. Sentarō Takaoka, que era o amigo mais próximo do Sr. Saito.

O Dr. Takaoka, fazendo um apelo à comunidade japonesa, tomou a iniciativa de arrecadar fundos para a compra de uma lembrança, confiando-os ao Sr. Chibata Miyakoshi, que estava prestes a visitar o Japão. O Sr. Miyakoshi entregou a lembrança à viúva, Sra. Kimiko Saito, na sede da Shin'yō Bōeki K.K. (Comércio), em Marunouchi, Chiyoda-ku, Tóquio, em 7 de setembro de 1950 (25º ano da Era Showa). Curiosamente, a entrega ocorreu apenas dois dias após o aniversário de falecimento (sétimo karma budista). A Sra. Kimiko cria os dois filhos, Kumiko e Shunsuke, e trabalha na sede do jornal Mainichi Shinbun em Tóquio desde a morte de seu marido.

Tanto a doação da lápide para o falecido Sr. Kenzō Anyōji quanto a entrega da lembrança para a família do falecido Sr. Takahiro Saito são atos de amizade dos japoneses residentes no Brasil que aquecem o coração.

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