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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Yoshinobu Tatsue foi uma figura que dedicou 20 anos de sua vida aos negócios da Companhia Ultramarina de Colonização (Kaikō), contribuindo significativamente para o seu desenvolvimento. Com a fundação da empresa em 1º de dezembro de 1917 (6º ano da Era Taishō), ele foi nomeado Auditor Residente e, no ano seguinte, em 8 de fevereiro de 1918 (7º ano da EraTaishō), assumiu o cargo de Diretor Executivo, permanecendo na dedicação exclusiva à companhia até sua renúncia em maio de 1937 (12º ano da Era Shōwa). Durante esse período, ele deixou sua marca em solo brasileiro em duas ocasiões.
O Sr. Tatsue nasceu em 15 de março de 1874 (7º ano da Era Meiji) na cidade de Katsuyama, distrito de Ōno, província de Fukui. Após graduar-se na Faculdade Literária de Kyoto (Kyoto Bungakuryō), viajou para a Austrália e percorreu regiões como a Nova Guiné, permanecendo nas regiões do Sul por oito anos. Diz-se que, durante esse período, ele difundiu o budismo entre os mergulhadores de pérolas.
Além disso, serviu no exército durante a Guerra Russo-Japonesa. Sendo um budista fervoroso, atuou como diretor da sucursal de Kwantung do Templo Hongwanji em Dalian. Após passar pela diretoria da Companhia de Desenvolvimento do Leste Asiático (Tōtaku), em dezembro de 1917 (6º ano da Era Taishō), foi eleito executivo da Companhia Ultramarina de Colonização simultaneamente à sua fundação, tendo seus vastos conhecimentos sobre o exterior altamente valorizados.
Cerca de um ano após o Sr. Tatsue assumir o cargo de Diretor Executivo da Companhia Ultramarina de Colonização (Kaikō), em abril de 1919 (8º ano da Era Taishō), a empresa incorporou a Companhia de Colonização do Brasil (Brasil Takushoku Kabushiki Kaisha). Em novembro do mesmo ano, efetuou a fusão com a Companhia limitada de Emigração Morioka, unificando os diversos agentes de imigração que antes atuavam de forma fragmentada.
Dessa forma, a Companhia Ultramarina de Colonização consolidou sua posição como a única agência responsável por executar a política nacional de imigração. Simultaneamente, o desempenho dos seus negócios expandiu-se, elevando significativamente o seu prestígio e a sua credibilidade.
Quanto à intensificação da política de imigração, nos anos de 1918 (7º ano da Era Taishō) e 1919 (8º ano da Era Taishō), logo após a fundação da empresa, a própria companhia realizou empréstimos para as despesas de viagem, a fim de incentivar a imigração de famílias com poucos recursos financeiros para o Brasil, obtendo resultados consideráveis.
Posteriormente, devido a limitações de capital que levaram à suspensão dos empréstimos, somadas ao florescimento das indústrias no Japão e à consequente expansão do mercado de trabalho doméstico — frutos da prosperidade econômica após a Primeira Guerra Mundial —, houve uma redução drástica no número de pessoas dispostas a partir para o exterior. Devido a esses e outros diversos fatores, tanto internos quanto externos, o setor de imigração atravessou um período temporário de estagnação.
Preocupados com a possibilidade de que esse fenômeno temporário pudesse esfriar o entusiasmo do povo japonês pela imigração, o Sr. Tatsue e seus colegas consideraram urgente a necessidade de difundir a realidade dos fatos sobre as condições no exterior — especialmente no Brasil — e de buscar a redução dos custos das passagens para os emigrantes.
Dessa forma, após enfatizarem incansavelmente essa necessidade por todos os meios possíveis, o governo finalmente reconheceu a sua importância. A partir do ano de 1921 (10º ano da Era Taishō), o governo destinou um orçamento considerável para esse fim e atribuiu ao Departamento de Assuntos Sociais do Ministério do Interior a responsabilidade pela promoção da imigração e colonização.
O Departamento de Assuntos Sociais deu o primeiro passo ao conceder subsídios governamentais à Companhia Ultramarina de Colonização, iniciando assim o apoio oficial às instalações privadas voltadas para a promoção da imigração e colonização. Com essa iniciativa, surgiu o que passou a ser chamado de 'Era da Cooperação entre os Setores Público e Privado'.
A partir do ano de 1923 (12º ano da Era Taishō), o governo estabeleceu uma rubrica específica no orçamento intitulada 'Despesas para o Incentivo à Imigração e Colonização', passando o próprio Estado a promover a emigração para o exterior, especialmente para o Brasil. Com isso, o governo determinou a abolição total, a partir daquele mesmo ano, das taxas de comissão que a Companhia Ultramarina de Colonização anteriormente cobrava dos imigrantes; simultaneamente, o governo passou a conceder à companhia uma recompensa financeira subsidiada em substituição a essas taxas.
Além disso, com o objetivo de reduzir ainda mais o fardo dos imigrantes, a Companhia realizou sucessivas negociações com as empresas de navegação. Como resultado, conseguiu baixar o valor da passagem nos navios de imigração para o Brasil de 350 ienes para 200 ienes por pessoa. Adicionalmente, ao negociar com o Ministério das Ferrovias, obteve sucesso em reduzir pela metade as tarifas de trem desde a terra natal do imigrante até o porto de embarque.
Dessa forma, a Companhia Ultramarina de Colonização envidou todos os esforços possíveis para oferecer conveniência aos imigrantes. O êxito de todas essas iniciativas, do ponto de vista administrativo, deveu-se em grande parte aos esforços e à gestão proeminente do Sr. Tatsue.
O agenciamento de imigrantes para o Brasil, foco principal da Companhia Ultramarina de Colonização, aliado à propaganda realizada pelo próprio governo e ao entusiasmo pela imigração decorrente da crescente penúria nas zonas rurais — que se tornou gradualmente crítica a partir do final da Era Taishō —, resultou em um aumento notável e anual do número de imigrantes para o Brasil a partir do início da Era Shōwa.
Esse fluxo atingiu o seu auge no período que se estendeu até 1934 (9º ano da Era Shōwa), intervalo no qual a companhia enviou anualmente entre 10.000 e 20.000 emigrantes ao solo brasileiro.
Desde a sua fundação até o final de 1940 (15º ano da Era Shōwa), do número total de 191.000 imigrantes agenciados pela Companhia Ultramarina de Colonização, nada menos que 164.000 foram destinados ao Brasil.
O Sr. Tatsue permaneceu na Companhia Ultramarina de Colonização desde a sua fundação até maio de 1937 (12º ano da Era Shōwa). Durante esse período, o número de imigrantes destinados ao Brasil cujos processos foram conduzidos pessoalmente por ele chegou a aproximadamente 155.000 pessoas.
Aslém disso, durante o seu mandato, o Sr. Tatsue não se limitou ao agenciamento de imigrantes; ele também administrou a Colônia de Iguape e operou no setor de comércio e exportação sob a denominação 'Armazém Kaikō', bem como no setor bancário sob o nome 'Banco Kaikō'.
Adicionalmente, ele realizou empreendimentos de loteamento de terras na cidade de Embu (M Boy), nos arredores de São Paulo, e geriu a Fazenda Anhumas, a Colônia do Rio Grande do Sul (fundada em 1936, o 11º ano da Era Shōwa) e o Campo de Instituto Prática de Agricultura de S.Paulo ( M'Boi Noji Jisyujo)
Em junho de 1931 (6º ano da Era Shōwa), a Companhia inaugurou o Instituto Prática de Agricultura de São Paulo (M'Boi Nōji Jissyūjo), situado nos arredores da capital paulista. Para a construção desta instituição, foram investidos 155.000 ienes, montante que incluiu um subsídio de 30.000 ienes do Ministério da Colonização.
O Instituto selecionava jovens que haviam concluído o ensino médio ou superior no Japão, bem como descendentes residentes no Brasil com nível educacional equivalente. Sob regime de internato durante dois anos, os alunos passavam por um rigoroso treinamento físico e mental através do trabalho agrícola e da prática no campo, desenvolvendo o caráter e adquirindo conhecimentos acadêmicos e práticos essenciais à realidade brasileira. A Companhia Ultramarina de Colonização geriu este centro de excelência com perseverança, assumindo os elevados custos em prol da formação de futuros líderes para a comunidade.
A partir de 1924 (13º ano da Era Taishō), o Sr. Tatsue atuou como o braço direito do Presidente Masaji Inoue. Esta célebre e harmoniosa dupla, enquanto impulsionava os resultados da companhia, dedicou esforços incansáveis em prol do desenvolvimento da imigração e colonização.
m maio de 1937 (12º ano da Era Shōwa), após renunciar ao cargo na Companhia Ultramarina de Colonização, ele ocupou sucessivamente cargos de destaque, tais como Presidente do Conselho de Administração da Hainan Sangyō, Diretor Executivo da Nanbei Tochi (Companhia de Terras da América do Sul) e Presidente da Fundação Asoka.
Faleceu em 29 de julho de 1953 (28º ano da Era Shōwa), aos 78 anos de idade.