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sexta-feira, 09 de novembro de 2012

A elevação da Legação do Japão no Brasil à categoria de Embaixada ocorreu em 1º de maio de 1923 (12º ano da Era Taishō). Na mesma data de 1º de maio, o Sr. Shichita Tatsuke, que atuava como Ministro Plenipotenciário na Holanda, foi nomeado o primeiro Embaixador do Japão no Brasil.
O Embaixador Tatsuke partiu de Tóquio em 30 de junho e assumiu o seu posto no Rio de Janeiro em 16 de agosto. Apenas duas semanas após a sua chegada, ocorreu o Grande Terremoto de Kantō em sua terra natal. Dois meses depois, em 22 de dezembro, o deputado Fidélis Reis, eleito pelo estado de Minas Gerais, apresentou à Câmara dos Deputados o primeiro projeto de lei de imigração com o objetivo de excluir os japoneses.
O referido projeto de lei, intitulado 'Projeto de Lei que concede ao Poder Executivo a competência para estimular e auxiliar a introdução de famílias de agricultores europeus no país', consistia em sete artigos. O Artigo 5º continha a seguinte disposição: 'É proibida a entrada de colonos de raça preta no Brasil, e quanto ao amarelo, será ela permitida, anualmente, em número correspondente a cinco por cento dos indivíduos da mesma origem exixtentes no país'.
O referido deputado utilizou o incentivo à imigração europeia como fachada, inserindo a cláusula de restrição à raça amarela dentro do artigo que proibia a imigração de pessoas negras. Este projeto poderia ser visto como uma emenda ao projeto de lei de proibição da imigração negra que havia sido submetido à Comissão de Agricultura e Indústria no ano anterior.
Assim que este projeto de lei foi apresentado, a conveniência da introdução de imigrantes japoneses passou a ser debatida não apenas na imprensa, mas também em diversos setores da sociedade.
O Senado Estadual de São Paulo tomou a iniciativa de manifestar oposição ao Projeto Fidélis Reis. Por outro lado, a Academia Nacional de Medicina, presidida pelo Dr. Miguel Couto, expressou apoio à proposta, contando com a assinatura de 28 de seus membros em favor do projeto.
O Projeto Fidélis Reis tornou-se uma questão extremamente ruidosa, com opiniões divergentes que dividiram o país entre prós e contras; contudo, após cinco anos de tramitação, acabou sendo finalmente engavetado. Entretanto, durante o período em que o projeto permaneceu como uma questão pendente na Câmara dos Deputados, as angústias e os esforços despendidos pelo Embaixador Tatsuke, por seus sucessores e pelos membros da embaixada foram extraordinários e foram muito além do comum.
Em julho de 1924 (13º ano da Era Taishō), eclodiu a revolta armada liderada pelo General Isidoro Dias Lopes contra o governo federal. O Embaixador dedicou-se arduamente à proteção dos residentes japoneses; contudo, a situação foi pacificada após as tropas revolucionárias se retirarem para o interior do país.
m 1926 (15º ano da Era Taishō), devido à seca prolongada que assolava o interior por anos consecutivos, os Srs. Shūhei Uetsuka, representante dos japoneses na Linha Noroeste, e Ken'ichirō Hoshina, representante na Linha Sorocabana, uniram esforços para solicitar ao Embaixador Tatsuke um empréstimo de 850 mil ienes a juros baixos, visando o alívio da penúria econômica dos cafeicultores independentes.
Após a inspeção das áreas afetadas em ambas as linhas ferroviárias pelo Cônsul-Geral Akamatsu e pelo próprio Embaixador Tatsuke, a liberação dos fundos a juros baixos foi efetuada. A reabilitação dos agricultores independentes japoneses, que se encontravam em sua fase inicial, deveu-se a essa decisão do Embaixador; há quem avalie esse feito como uma conquista ainda maior do que a sua contribuição para o avanço rumo à Amazônia, que será mencionada a seguir.
Conforme mencionado na seção sobre o Sr. Sanji Mutō, por ocasião da inspeção do Sr. Yasuhei Ashizawa, engenheiro agrônomo comissionado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros ao Norte do Brasil, o Sr. Tatsuke redigiu uma carta de recomendação endereçada ao Governador do Estado do Pará, Sr. Dionísio Bentes, a qual foi entregue às mãos de Ashizawa.
O Governador Bentes não apenas o recebeu com extrema hospitalidade e concedeu-lhe todas as facilidades necessárias, como também confiou a Ashizawa um documento oficial como resposta ao Embaixador Tatsuke. Este documento continha uma proposta extremamente auspiciosa: a abertura de 500.000 hectares de terras devolutas do estado na Amazônia para o assentamento de imigrantes japoneses.
Mesmo antes da gestão do Embaixador Tatsuke, já se discutia frequentemente na Legação do Japão que não seria uma estratégia prudente limitar as áreas de desenvolvimento dos japoneses apenas ao estado de São Paulo, defendendo-se a tese de que diversos outros estados deveriam servir de palco para essa expansão. A esta visão macroscópica, opuseram-se os japoneses residentes em São Paulo e, especialmente, as empresas de imigração.
O ponto central da oposição era que, em outros estados, não existiam empreendimentos como a cafeicultura paulista. Consequentemente, não haveria para o imigrante a facilidade de ser inicialmente contratado como 'colono' em uma fazenda e, por meio das economias obtidas com seu trabalho, adquirir terras para gradualmente se tornar um agricultor autônomo. Além disso, alegavam que seria motivo de desagrado para o governo e para o povo de São Paulo o fato de o estado investir fundos públicos para introduzir imigrantes japoneses e vê-los serem enviados para outros estados, ou mesmo ver a introdução de novos imigrantes em outras regiões.
Argumentavam que tal medida traria apenas prejuízos, sem benefícios. Do ponto de vista das empresas de imigração, já era extremamente difícil atender plenamente às demandas dos fazendeiros paulistas, com os quais mantinham relações profundas de longa data; portanto, consideravam irrazoável a exigência de expandir suas atividades para outros estados enquanto mal conseguiam suprir as necessidades daquela região.
Contudo, logo após assumir o cargo, e diante de ameaças como o Projeto de Lei Fidélis Reis apresentado à Câmara dos Deputados, o Sr. Tatsuke sentiu profundamente a necessidade urgente de buscar o desenvolvimento dos japoneses em diversos outros estados, e mantinha-se em constante reflexão sobre o assunto. Foi precisamente nesse contexto que ele recebeu a proposta mencionada anteriormente, vinda do Governador do Estado do Pará.
O Sr. Tatsuke possuía uma compreensão consideravelmente profunda sobre os assuntos sul-americanos, tendo servido anteriormente como Ministro Plenipotenciário no Chile entre 1918 (7º ano da Era Taishō) e 1919 (8º ano da Era Taishō), exercendo simultaneamente funções na Argentina, Peru e Bolívia.
Somado a isso, ele contava com o apoio do Sr. Ryōji Noda, Primeiro Secretário e seu braço direito, que já acumulava 25 anos de serviço entre o Peru, Chile e Brasil. Durante sua estada em Lima, Noda havia inspecionado a bacia do rio Tambopata na Amazônia peruana e submetido um parecer favorável à introdução de imigrantes japoneses nos seringais daquela região. Assim, após uma ponderação minuciosa, o Embaixador Tatsuke aceitou a proposta do Governador do Pará e, reconhecendo a conveniência do avanço japonês na Amazônia, prontamente comunicou-se por telégrafo com o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Kijūrō Shidehara.
O Embaixador mediou a questão, solicitando que o Ministério providenciasse a busca por uma empresa ou associação adequada para assumir o empreendimento baseado nas terras oferecidas, e que considerasse o envio imediato de uma missão de reconhecimento. Posteriormente, por meio de correspondência diplomática, ele detalhou e fundamentou toda a sua intenção sobre o assunto
O conteúdo desta correspondência diplomática baseava-se, naturalmente, no plano estratégico do Embaixador Tatsuke, mas a sua redação coube ao Secretário Noda.
Os esforços e a solicitação do Sr. Tatsuke deram frutos, resultando no envio da Missão de Observação ( Fukuhara )à Amazônia.
Antes da chegada da comitiva de Fukuhara a Belém, o Embaixador Tatsuke partiu do Rio de Janeiro por via marítima em direção a Belém, em 17 de abril de 1926 (15º ano da Era Taishō). Ele viajou acompanhado pelo engenheiro agrônomo Nobutane Egoshi e pelo comissionado da embaixada, Kinroku Awazu, com o objetivo de realizar uma inspeção e apresentar oficialmente a Missão de Observação da Amazônia ao Governo do Estado do Pará. Integraram também esta comitiva o Adido Naval da Embaixada, Capitão de Fragata Gunpei Sekine, acompanhado de sua esposa.
A Sra. Sekine foi, provavelmente, a pioneira entre as mulheres japonesas a empreender uma missão de observação à Amazônia.
Como a chegada da comitiva de Fukuhara sofreu um certo atraso em relação ao cronograma previsto, o Embaixador Tatsuke e sua comitiva subiram o grande Rio Amazonas até Manaus, capital do estado do Amazonas. Permaneceram ali por cinco dias, sendo recebidos com calorosa hospitalidade e entusiasmo tanto pelas autoridades quanto pela população local. No caminho de volta, o Embaixador parou em Belém, onde aguardou por 17 dias a chegada do Sr. Fukuhara e seus acompanhantes.
Em 30 de maio, a comitiva finalmente chegou, sendo então apresentada às autoridades do Governo do Estado do Pará. Após cumprir essa missão, o Embaixador partiu de Belém em 4 de junho e retornou ao Rio de Janeiro no dia 17. Como já havia recebido ordens de regresso ao Japão, ele partiu do Rio em 31 de julho, iniciando sua viagem de volta à pátria
Em homenagem à visita do Embaixador Tatsuke, o Governo do Estado do Amazonas batizou um ponto em uma das grandes estradas que levam ao subúrbio com o nome de 'Estação Embaixador Tatsuke'. Este fato isolado é suficiente para evidenciar a magnitude da recepção e do entusiasmo com que ele foi acolhido.
O Sr. Tatsuke encerrou sua carreira diplomática de mais de 30 anos tendo o cargo de Embaixador no Brasil como sua última missão; contudo, seus laços com o Brasil não foram cortados. Isso se deveu ao fato de ele ter sido indicado como Presidente da Federação de Cooperativas de Emigração Ultramarina(Kaigai Ijū Kumiai Rengōkai), entidade criada em 1º de agosto de 1927 (2º ano da Era Shōwa), com base na Lei das Associações de Emigração para o Exterior.
Esta lei havia sido aprovada pela 52ª Dieta Imperial e promulgada em 29 de março de 1927 (2º ano da Era Shōwa) como a Lei nº 25.
Para o cargo de Diretor Executivo, foi indicado o Sr. Mitsusada Umetani, que havia se empenhado arduamente na construção do Colônia de Aliança durante seu mandato como Governador da Província de Nagano. Além disso, o Sr. Akira Saito, que anteriormente servira como Cônsul-Geral em São Paulo, foi eleito para o cargo de Secretário-Geral.
Posteriormente, o Diretor Executivo Umetani partiu para o Brasil, onde se encarregou das tarefas de seleção e aquisição de terras para os assentamentos. Assim, as bases do que hoje é conhecido como os assentamentos da 'Bratac' (Sociedade Colonizadora do Brasil) foram estabelecidas precisamente durante a gestão do Presidente Tatsuke.
O Sr. Tatsuke nasceu em 1º de setembro de 1867 (3º ano da Era Keiō) na família Tsuboi, tornando-se posteriormente filho adotivo de Kagekata Tatsuke. Após passar pela Escola Superior (Ichikō), graduou-se na Faculdade de Direito da Universidade Imperial de Tóquio em julho de 1895 (28º ano da Era Meiji). No mesmo ano, foi aprovado no exame para diplomatas e cônsules, sendo admitido no Ministério dos Negócios Estrangeiros em outubro como cônsul estagiário, iniciando sua carreira diplomática com seu primeiro posto em Keijō (Seul).
Em maio de 1917 (6º ano da Era Taishō), foi nomeado Ministro Plenipotenciário, servindo no Chile. Em novembro de 1920 (9º ano da Era Taishō), tornou-se Ministro nos Países Baixos e, em maio de 1923 (2º ano da Era Taishō), foi elevado ao cargo de Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário, assumindo sua missão no Brasil.
O Sr. Tatsuke faleceu em 31 de maio de 1931 (6º ano da Era Shōwa). Seu herdeiro, Keiichi Tatsuke, também seguiu a carreira diplomática e, atualmente (março de 1958, o 33º ano da Era Shōwa), ocupa o cargo de Diretor-Geral da Secretaria do Ministro dos Negócios Estrangeiros.