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下元健吉 Kenkichi Shimomoto

sexta-feira, 06 de julho de 2012

O Sr. Kenkichi Shimomoto teve um fim súbito e dramático às 13h30 do dia 25 de setembro de 1957 (32º ano da Era Shōwa), justamente na sala da presidência da Cooperativa Cotia — instituição à qual ele havia dedicado toda a sua alma e energia para administrar. Tinha 60 anos de idade.

No dia seguinte, 26 de setembro, os restos mortais do Sr. Shimomoto, cobertos pelas orquídeas brancas que ele tanto amava, foram despedidos em um 'Funeral da Cooperativa' (Kumiaiso). Foi uma cerimônia de caráter oficial, organizada pela Cooperativa Cotia como preito de gratidão e reconhecimento máximo àquele que foi seu pilar fundamental. A cerimônia contou com a presença de cerca de 10 mil pessoas, entre brasileiros e estrangeiros, incluindo representantes dos governos federal do Brasil, estadual e do governo japonês. Este fato é um testemunho de quão querido e respeitado ele era por tantas pessoas; foi, verdadeiramente, como se uma árvore gigante tivesse tombado, deixando um vazio imenso no coração de todos.

Em reconhecimento aos seus méritos em vida, o governo japonês o condecorou com a Ordem do Sol Nascente, Raios de Ouro e Roseta (5ª classe). O governo brasileiro, por sua vez, prestou-lhe uma homenagem póstuma com a Ordem Nacional do Mérito. Além disso, a cidade de São Paulo nomeou uma de suas importantes avenidas como "Avenida Kenkiti Shimomoto", imortalizando sua contribuição para a posteridade. Estas honrarias representam as glórias mais brilhantes já alcançadas por um japonês que chegou ao país como um simples imigrante. Sua biografia confunde-se com os próprios 30 anos de história da Cooperativa Cotia; não se pode conceber Shimomoto longe da Cooperativa, nem se pode narrar a história da instituição sem mencionar Shimomoto. Tais prêmios foram o justo reconhecimento de uma obra monumental.

O Sr. Shimomoto nasceu em 24 de outubro de 1897 (30º ano da Era Meiji), no vilarejo de Yoneyama, distrito de Takaoka, província de Kochi, como o terceiro filho de Souma e Kiyo Shimomoto. Aos 16 anos, em 1914 (3º ano da Era Taishō), imigrou para o Brasil a bordo do navio Teikoku Maru, acompanhando a família de seu irmão mais velho, Ryotaro. Trabalhou por um ano agrícola como colono na fazenda Boa Vista, próxima à estação Piraju da linha Sorocabana. Em setembro do ano seguinte, estabeleceu-se no núcleo de colonização que estava sendo formado em Moinho Velho, no distrito de Cotia, subúrbio de São Paulo — o local que viria a ser conhecido como a "Vila Cotia".

Inicialmente, a Vila Cotia contava com apenas quatro famílias japonesas que se dedicavam ao cultivo da batata, mas o assentamento cresceu gradualmente até atingir cerca de 50 famílias. Na comercialização da batata produzida, os agricultores eram constantemente vítimas da exploração cruel dos intermediários urbanos. Para enfrentar essa situação, surgiu o movimento para fundar uma cooperativa de venda conjunta como medida de autodefesa. Assim, em 11 de dezembro de 1927 (2º ano da Era Shōwa), foi fundada a 'Sociedade Cooperativa de Responsabilidade Limitada dos Produtores de Batata de Cotia', com um capital social de 290 contos de réis e 83 membros fundadores.

Em 1925, ao retornar ao Japão para se casar, Shimomoto observou o florescimento das cooperativas nas zonas rurais japonesas. Essa experiência trouxe-lhe profundos ensinamentos e a convicção de que aquele modelo era a solução ideal para os problemas enfrentados em Cotia. Inspirado por essa visão, ao retornar ao Brasil, ele atendeu prontamente ao chamado do Consulado para formação de uma cooperativa agrícola. Dedicando-se de corpo e alma à sua fundação, foi eleito o primeiro diretor-presidente da organização com apenas 29 anos de idade. (Em 1932, com a promulgação da Lei de Cooperativas no Brasil, a entidade foi devidamente registrada e passou a se chamar oficialmente Cooperativa Central de Cotia).

Nos primeiros anos após a fundação, a falta de uma compreensão plena sobre a doutrina cooperativista gerou conflitos internos de opinião que, por diversas vezes, colocaram a instituição à beira do colapso. Contudo, foi graças aos esforços incansáveis de Shimomoto — que defendia com firmeza que a união baseada no cooperativismo era o único caminho para a sobrevivência — que a organização conseguiu superar essas crises. Além disso, quando a gestão enfrentava dificuldades extremas por falta de capital, ele chegava a oferecer seus próprios bens como garantia para viabilizar empréstimos à cooperativa. Sua dedicação foi absoluta, manifestando-se tanto no campo ideológico quanto no sacrifício material, entregando tudo de si para que o projeto prosperasse.

A cooperativa conseguiu atravessar a Grande Depressão de 1929 (4º ano da Era Shōwa) e, finalmente, consolidar suas bases. No entanto, os comerciantes de batata do mercado local, que viam suas atividades limitadas pelo crescimento da organização, passaram a hostilizá-la. Eles chegaram a formar um boicote conjunto, visando aniquilar a cooperativa de uma só vez. Diante desse desafio que colocava em risco o sustento de centenas de famílias de agricultores, Shimomoto ordenou a todos os membros a suspensão total dos carregamentos. Trabalhando incansavelmente dia e noite, ele percorreu todas as direções para fortalecer a união dos cooperados — que por vezes vacilavam diante da pressão — e executou um controle rigoroso de distribuição. Por fim, os comerciantes foram forçados a se retratar e pedir desculpas, resultando em uma vitória gloriosa para a cooperativa.

Sem essa decisão audaciosa do Sr. Shimomoto, o desenvolvimento posterior da cooperativa teria enfrentado obstáculos gravíssimos. Do ponto de vista da história do cooperativismo no Brasil, este incidente foi um acontecimento memorável que merece destaque especial. A vitória consolidou não apenas a autonomia dos agricultores japoneses, mas também serviu como um marco histórico que demonstrou a força e a eficácia do sistema cooperativista dentro da estrutura econômica brasileira.

Dessa forma, a cooperativa tornou-se ainda mais sólida. Prevendo os desafios do futuro, Shimomoto propôs uma mudança na estratégia de gestão, passando a adotar gradualmente a comercialização diversificada de produtos, como hortaliças, frutas e ovos, além da batata. Essa medida não apenas assegurou a estabilidade financeira da instituição, como também permitiu a inclusão de agricultores que se dedicavam a diferentes tipos de cultivo. Como resultado, o quadro de 83 membros fundadores cresceu para quase 6.000 associados até março de 1958. Da mesma forma, o volume total de negócios, que era de 679 mil cruzeiros no período de 1928-29, atingiu a cifra astronômica de 4 bilhões, 507 milhões e 25 mil cruzeiros no exercício de 1957-58

A abrangência de suas operações expandiu-se do estado de São Paulo para os estados vizinhos, passando a realizar tanto a exportação de produtos agrícolas quanto a importação direta de fertilizantes, implementos agrícolas e sementes. Assim, a organização desenvolveu-se até tornar-se, de fato e de direito, a maior cooperativa de toda a América do Sul.
 
É evidente que uma organização como a cooperativa só alcança sua grandeza por meio da colaboração de todos os seus membros, e que seu desenvolvimento não foi obra exclusiva de um único indivíduo. No entanto, o papel do Sr. Shimomoto foi monumental ao lidar com associados que, por vezes, tendiam a buscar lucros pessoais em detrimento do benefício coletivo. Ele pregava exaustivamente o espírito cooperativista e, quando necessário, chegava a bater na mesa para corrigir erros e apontar o caminho certo. Sua liderança foi decisiva para conter movimentos de dissidência instigados por ambiciosos oportunistas. Se, por um lado, ele chorava as dores dos pequenos agricultores como se fossem as suas próprias, por outro, demonstrava um entusiasmo sobre-humano na expansão da cooperativa, visando o desenvolvimento da agricultura brasileira em uma perspectiva macroscópica. A presença de Shimomoto era como uma estrutura de aço: sólida e inabalável, sustentando toda a organização.

Não foi por acaso que se tornou comum ouvir dizer: 'É Shimomoto pela Cotia, ou é a Cotia por Shimomoto?'. Tal expressão refletia a simbiose perfeita entre o homem e a instituição, onde um já não podia ser definido sem o outro.

A amplitude de sua visão e sua energia incansável não se limitavam apenas aos negócios da cooperativa; Shimomoto dedicava profunda atenção às alegrias e angústias de toda a comunidade nipo-brasileira (Colônia). Um exemplo disso foi sua liderança pioneira no 'Movimento de Conscientização' (Ninsiki Undo) durante o período de confusão ideológica que abalou a Colônia após a Segunda Guerra Mundial. Pode-se dizer que, com o fim da guerra, aquele que era conhecido como o 'Shimomoto da Cotia' transformou-se no 'Shimomoto da Colônia', tornando-se uma figura central para todo o conjunto da sociedade de origem japonesa no Brasil.

O fato de destinar verbas da cooperativa para o envio de técnicos e para a orientação de jovens agricultores era uma clara demonstração do amor de Shimomoto pela comunidade (Colônia) e, especialmente, pelas zonas rurais. Ele acreditava que o progresso técnico e humano no campo era essencial para o bem-estar de todos.

Após sua visita ao Japão em março de 1956 (31º ano da Era Shōwa), que lhe conferiu uma visão ideológica ainda mais ampla e profunda, Shimomoto planejou e colocou em prática a vinda de 1.500 jovens imigrantes solteiros pela Cooperativa Central de Cotia, como uma solução para o problema social do excedente populacional nas zonas rurais japonesas. Em abril de 1957, para celebrar o 30º aniversário de sua fundação, a Cooperativa Central de Cotia realizou a Exposição Nacional de Produtos Agrícolas. A cerimônia de abertura teve a honra de receber o Ministro da Agricultura, Sr. Meneghetti, como representante do Presidente da República Juscelino Kubitschek. Com um público recorde de 300 mil visitantes durante os cinco dias de evento, a exposição demonstrou ao mundo o prestígio da Cooperativa Cotia, consolidada — de fato e de direito — como a maior de toda a América do Sul.

Além disso, o Sr. Shimomoto foi o principal idealizador da Cooperativa Central Agrícola de Colonização de São Paulo. Esta entidade foi constituída como o órgão receptor local para o Grupo de Jovens para o Desenvolvimento Industrial (Sangyo Kaihatsu Seinentei), tendo sua assembleia geral de fundação realizada em 27 de outubro de 1957 (32º ano da Era Shōwa).

Shimomoto afirmava com convicção: 'O projeto de imigração e colonização possui uma relevância muito mais vital para o país que acolhe do que para o que envia os seus filhos. Se o planejamento de recepção for falho, ou se o imigrante for deixado à deriva, sem o apoio necessário para se estabelecer, a infelicidade não será apenas individual; tornará-se um ônus social e uma fonte de críticas para o Estado receptor. Por isso, é nosso dever transformar nossa vivência em um alicerce para os que chegam agora'. Hoje, nossa comunidade celebra o 50º Aniversário da Imigração Japonesa com grandes êxitos em diversas áreas. No entanto, oferecer nossas amargas experiências e nossas valiosas conquistas para orientar e fixar os novos imigrantes é um ato de amor ao próximo, amor à pátria e, acima de tudo, um serviço à nação brasileira. Por meio da cooperação generosa — tanto moral quanto material — dos veteranos da Colônia, pretendemos fundar uma cooperativa para os que virão." Este foi o apelo de Shimomoto à Colônia, uma mensagem em que ele depositou seu grande sonho de ser o baluarte para o futuro da imigração e para o progresso agrícola do Brasil. Consciente do agravamento progressivo de sua doença, ele continuou a trabalhar dia e noite para fundar a Cooperativa Central Agrícola de Colonização de São Paulo. Pode-se dizer que foi um destino singular o fato de ele ter falecido às vésperas da assembleia geral de fundação pela qual tanto lutou.

No plano pessoal, o Sr. Shimomoto era um homem de um senso de responsabilidade inabalável. Devido à sua grande autoconfiança, possuía uma personalidade forte e determinada, não recuando diante de desafios ou críticas. Por outro lado, era dotado de uma generosidade profunda: cuidava de seus subordinados com extrema atenção e, mesmo em casos onde era inevitável o desligamento de alguém da cooperativa, ele se esforçava nos bastidores para garantir que essa pessoa recebesse o apoio necessário. Essa natureza benevolente e protetora fez com que ele fosse carinhosamente chamado de 'O Nosso Pai' (O Nosso Velho), sendo admirado e respeitado por todos, tanto dentro quanto fora da organização.

Aqueles que ficaram profundamente consternados e lamentaram sua partida repentina não foram apenas os membros da Cooperativa Cotia; na verdade, a tristeza foi sentida de forma ainda mais intensa pelos membros da Colônia que não tinham qualquer relação direta de interesse com a organização. Isso ocorreu porque Shimomoto estendeu suas asas protetoras sobre toda a comunidade nipo-brasileira, agindo em prol do bem comum. Sua vida exemplificou perfeitamente o antigo provérbio: 'A virtude não vive na solidão; aquele que a possui sempre encontrará companheiros'. De fato, o imenso número de pessoas que choraram sua morte foi a prova definitiva de que sua integridade e nobreza de espírito conquistaram o coração de todos.

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