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sexta-feira, 08 de junho de 2012

O Sr. Naoya Samejima era natural de Higashi-Kaseda, no distrito de Kawanabe, província de Kagoshima, compartilhando a mesma terra natal que o Sr. Eizō Ohara. Assim como o saudoso Ohara, os nativos de Kagoshima são, de modo geral, homens de poucas palavras e focados na prática; além disso, é raro encontrar entre eles alguém do tipo avarento.
Não são dados a lisonjas para subir na vida perante seus superiores, nem costumam ser autoritários com seus subordinados. No entanto, realizam o que deve ser feito e, quando é necessário investir ou contribuir, fazem-no generosamente sem precisar de cobranças. Seria essa retidão uma tradição intrínseca ao temperamento do povo de Kagoshima? De qualquer forma, trata-se de uma personalidade extremamente singular e marcante.
A personalidade do Sr. Naoya Samejima era a personificação exata desse perfil. Ele chegou ao Brasil ainda jovem, solteiro e trabalhando como carpinteiro, a bordo do Kasato Maru — a primeira expedição de imigrantes. Sem hesitações, manteve-se fiel ao seu ofício por cinquenta anos, evoluindo de carpinteiro a empreiteiro de construção civil. Durante todo esse tempo, nunca deixou a cidade de São Paulo, crescendo e prosperando junto com a metrópole.
Em 1912 (45º ano da Era Meiji), casou-se com a Sra. Ito, terceira filha do Sr. Eisuke Tsuji, com quem teve cinco filhos, todos criados com excelência. Por si só, o fato de ter prosperado e educado bem sua família já seria digno de nota especial para um imigrante da primeira leva, marcada por inúmeras provações e poucas recompensas. Contudo, ele foi além, deixando inúmeras contribuições tangíveis e intangíveis.
O que ele considerava com maior seriedade eram as questões da educação da segunda geração (Nissei) e a saúde e higiene de seus compatriotas. Essas preocupações tornaram-se o foco de suas ações a partir de 1919 (8º ano da Era Taishō), quando sua situação financeira finalmente se estabilizou. Acredita-se que a Escola Taishō, fundada pelo Sr. Shinzō Miyazaki, só pôde lançar as bases de sua estrutura atual graças à presença e ao apoio incondicional de Naoya Samejima.
No âmbito da saúde, com a fundação da Associação de Assistência Mútua dos Japoneses no Brasil (Dojinkai) em 1924 (13º ano da Era Taishō), ele serviu como diretor por longos anos. No caso do atual Hospital Santa Cruz, ele desempenhou um papel fundamental nos bastidores, trabalhando incansavelmente e em silêncio desde a seleção do terreno até a conclusão das obras. Samejima amava profundamente o hospital, onde veio a falecer por enfermidade em 4 de fevereiro de 1955 (30º ano da Era Shōwa).
Sua conduta abnegada tocou tanto a comunidade japonesa quanto a brasileira, que sentiram o dever de retribuir a tamanha dedicação. Em 23 de abril do ano de seu falecimento, foi realizada a cerimônia de inauguração de uma placa em sua homenagem nas dependências do hospital. Nesta placa de reconhecimento, estão gravadas as palavras: "Pioneiro japonês no Brasil, Membro da comissão de construção do Hospital Santa Cruz, Diretor da Sociedade de Benemerência Santa Cruz e grande colaborador do hospital".
"O tempo continuará seu fluxo eterno, sem jamais cessar. Da mesma forma, a humanidade repetirá infinitamente o ciclo entre o bem e o mal, entre a ascensão e o declínio. Contudo, a alma permanece imutável, e as ações de bondade e de verdade são imortais."
Nota Adicional: O Sr. Samejima serviu na Guerra Russo-Japonesa, incorporado ao 45º Regimento de Infantaria de Kagoshima, sob a jurisdição da 6ª Divisão do Exército. Ele estendeu seu período de permanência no quartel como instrutor de esgrima de baioneta, treinando os voluntários de um ano. Após a baixa do serviço militar, aos 24 anos de idade, imigrou para o Brasil, onde passou a dedicar-se à indústria da construção.