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quinta-feira, 08 de dezembro de 2011

Nasceu em 2 de agosto de 1865 (1º ano de Era Keiō), na vila de Okuura, distrito de Minami-matsuura, província de Nagasaki. Aos 15 anos, ingressou no Seminário de Oura, em Nagasaki, e em 1897 (30º ano de Era Meiji) foi ordenado sacerdote. Sua primeira missão evangelizadora foi na região de Oshima, na província de Kagoshima. Dedicou-se ao movimento de educação e orientação espiritual naquela região por 25 anos e, até a sua ascensão ao céu, entregou-se com devoção à obra sagrada por um longo período de 43 anos.
Em agosto de 1923 (12º ano de Era Taishō), ele partiu a bordo do navio Kawachi Maru e desembarcou no Brasil como o primeiro missionário japonês a sair do Japão com o propósito de evangelizar no exterior.
Em 1919 (8º ano de Era Taishō), o padre alemão Lorenzo Hubbayer tornou-se o pároco da cidade de Pindamonhangaba, na Linha Central. Sob o apoio do Sr. Ryoichi Yasuda, administrador da Fazenda Tozan, ele iniciou a primeira atividade de evangelização voltada aos japoneses.
Ele se esforçou na doutrinação dos imigrantes encomendando do Japão o Catecismo e outros livros de doutrina da Igreja Católica. No entanto, havia o lamento de que seus objetivos missionários não podiam ser plenamente alcançados devido à comunicação insuficiente, uma vez que o padre não falava o japonês com fluência.
Por intermédio de Dom Lúcio, bispo da Diocese de Botucatu, o Padre Lorenzo Hubbayer convenceu o Núncio Apostólico residente no Rio de Janeiro a sugerir ao Papa o envio de um sacerdote japonês ao Brasil. Simultaneamente, solicitou o mesmo ao Ministério das Relações Exteriores do Japão por meio do Ministro Horiguchi.
Sob ordens da Sagrada Congregação para a Propagação da Fé (Propaganda Fide), o Núncio Apostólico no Japão, Arcebispo Pietro Fumasoni Biondi (referido como Giardini), ficou encarregado de selecionar o candidato ideal. Diz-se que foi assim que se concretizou a vinda do Padre Domingos Chōhachi Nakamura ao Brasil.
Partiu de Tóquio em 7 de junho de 1923 (12º ano de Era Taishō). Diferente de outros viajantes, não houve fitas coloridas nem vozes festivas de despedida quando ele zarpou do Porto de Kobe. Levava consigo a missão de oferecer palavras de consolo aos que gemiam no abismo da tristeza e o poder da oração aos que buscavam prosperar.
Aos 59 anos, o Padre Nakamura desembarcou no Porto de Santos em 25 de agosto. Dirigiu-se imediatamente ao Bispado de Botucatu, onde iniciou a evangelização entre os colonos japoneses daquela diocese. Três meses depois, partiu rumo à Linha Noroeste, a região com a maior concentração de japoneses. Primeiramente, visitou o pároco Vicente Fontenets na cidade de Cafelândia e começou seu trabalho missionário pela Colônia Hirano.
Conta-se que, passados alguns meses, ele retornou mancando; ao examinarem seus pés, descobriram que todas as pontas de seus dedos estavam infestadas por bicho-de-pé.
Não houve lugar nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso que não tivesse recebido suas pegadas. Em 1938 (13º ano de Era Shōwa), mudou-se para a cidade de Álvares Machado, na Linha Sorocabana. Quando os fiéis construíram uma igreja de madeira e uma casa paroquial dentro de uma fazenda na Colônia Brejão (comumente conhecida como Guaiçara), ele ficou imensamente feliz com aquele local elevado, fresco e isolado, tornando-o seu refúgio enquanto se dedicava à evangelização.
Passava quase dois terços do ano viajando, caminhando com duas malas grandes e uma pequena equilibradas nos ombros. O Padre Nakamura era um homem robusto, cujo peso não baixava dos 72 quilos, e percorria longas distâncias a pé carregando essa bagagem pesada. Como detestava causar transtornos a outrem, suas três malas estavam repletas de tudo o que precisava: desde os moldes de ferro para assar as hóstias, farinha de trigo e paramentos de missa, até livros e mudas de roupa.
A personalidade desapegada e altruísta do Padre Nakamura era admirada e respeitada por todos, tanto por japoneses quanto por brasileiros. Em 14 de março de 1940 (15º ano de Era Shōwa), às 4 horas da manhã, ele ascendeu aos céus aos 76 anos de idade.
Antes da chegada do Padre Nakamura ao Brasil, os japoneses residentes no país eram secretamente desprezados por alguns brasileiros como "pagãos" — ou seja, seguidores de uma religião pagã. No entanto, a vinda de um sacerdote japonês parece ter causado uma enorme surpresa à sociedade brasileira em geral, e relata-se que, desde então, esse preconceito desapareceu por completo. A influência que a virtude e a fé do Padre Nakamura exerceram sobre os japoneses no Brasil, tanto direta quanto indiretamente, foi imensurável.
Em julho de 1938 (13º ano de Era Shōwa), quando o Contra-Almirante da Marinha, Shinjiro Yamamoto, visitou o Brasil como enviado católico, o Padre Nakamura dirigiu-se à cidade de São Paulo para recebê-lo. No dia 24 do mesmo mês, durante uma cerimônia solene de recepção ao enviado Yamamoto, foi entregue ao Padre Nakamura a Medalha Pro Ecclesia et Pontifice (Benemerenti), concedida pelo Papa Pio XI.
O sacerdote, cuja semelhança remetia à de São Francisco de Assis, viveu toda a sua vida tendo a pobreza como sua fiel companheira, deixando por onde passava rastros de piedade e inúmeras passagens memoráveis.
Em certa colônia, vivia apenas um único fiel católico. Todos os anos, o Padre Nakamura percorria milhares de quilômetros, sem se importar com a distância, apenas para visitar esse único fiel. Como o local ficava no interior das matas e não havia sequer uma hospedaria, ele costumava pernoitar na residência do administrador do assentamento. Embora o administrador fosse protestante, o padre não demonstrava a menor preocupação com essa diferença religiosa. A esposa do administrador, por sua vez, cuidava com todo o carinho das vestes do padre, lavando-as e remendando-as.
Certa vez, no momento da despedida, o padre entregou um envelope com dinheiro, provavelmente como um gesto de gratidão. O casal recusou firmemente a princípio, mas o padre permaneceu em silêncio, não aceitando a negativa. Ao abrirem o envelope discretamente, ficaram surpresos com a quantia vultosa que ali estava; acreditando tratar-se de um erro do padre, tentaram devolvê-lo, mas ele apenas respondeu com um sorriso silencioso. Diz a lenda que, outrora, o poeta e monge Saigyō presenteou uma criança com um gato de ouro sem qualquer hesitação; certamente, o Padre Nakamura compartilhava desse mesmo estado de espírito elevado e desapegado.
Houve também outra ocasião memorável. O Padre Nakamura parecia ser consideravelmente conhecido na sociedade brasileira da época. Em certo assentamento, um jovem casal de camaradas (trabalhadores rurais) brasileiros esperava há quase meio ano para que o próprio Padre Nakamura realizasse o seu casamento. Assim que souberam da chegada do padre, fizeram o pedido imediatamente, mas ele recusou, explicando que não possuía permissão formal para realizar tal ato (visto que a jurisdição cabia ao pároco local).
No entanto, naquela mesma noite, o jovem que seria o noivo faleceu subitamente de um derrame cerebral, possivelmente devido à extrema agitação. Na manhã seguinte, a moça que seria a noiva veio ao encontro do padre e implorou que ele realizasse o funeral. No cemitério solitário, o padre proferiu as orações em latim e concluiu a cerimônia. Dizem que, diante da expressão desapegada e austera do sacerdote, e da serenidade de quem confiava plenamente a vida e a morte nas mãos de Deus, a jovem sentiu-se confortada do fundo de seu coração.