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quinta-feira, 07 de outubro de 2010

O Sr. Shin Kimitsuka deixou um grande legado no Brasil sob dois aspectos: como homem de negócios e como diplomata. Seu grande desenvolvimento como homem de negócios ocorreu no período pré-guerra e sua atuação como diplomata aconteceu no pós-guerra.
Ele era natural da província de Chiba e nasceu em 28 de novembro de 1891 (24º ano da Era Meiji). Após se formar na Escola Superior de Comércio de Tóquio (Tōkyō Kōtō Shōgyō Gakkō), ele continuou seus estudos no curso de especialização da mesma instituição, formando-se em março de 1915 (4º ano da Era Taishō). Ele foi um aluno brilhante, mantendo-se em primeiro lugar desde a escola superior até o curso de especialização e, durante seus estudos, atuou como parceiro de estudos dos três irmãos da família Iwasaki (barão Hisaya).
Após a formatura em Hitotsubashi, ingressou no Departamento Bancário da Mitsubishi (Mitsubishi Gōshi Kaisha Ginkō-bu). Em fevereiro de 1917 (6º ano da Era Taishō), foi transferido para a filial de Londres e, em 1º de abril de 1921 (10º ano da Era Taishō), passou a trabalhar na filial londrina do Banco Mitsubishi (Mitsubishi Ginkō).
Em 1º de março de 1927 (2º ano da Era Showa), foi transferido para a filial de Xangai do mesmo banco, mas em 18 de fevereiro de 1929 (4º ano da Era Showa), foi transferido para a Indústria Agrícola Tozan (Tōzan Nōji Kabushiki Kaisha) e foi designado para trabalhar no Brasil como representante-chefe em Santos. O destino que faria com que o Sr. Kimizuka estabelecesse uma relação inseparável com o Brasil e, mais tarde, enterrasse seus ossos ali, começou naquele momento.
Em 1930 (5º ano da Era Showa), quando o Sr. Kimitsuka chegou ao Brasil, a Casa Tozan já havia iniciado atividades agrícolas consideráveis. Ou seja, em 1927 (2º ano da Era Showa), ela adquiriu a Fazenda Campinas e começou o cultivo de café e a criação de gado. No ano seguinte, 1928 (3º ano da Era Showa), comprou mais de 2.500 alqueires (cerca de 6.000 hectares) no município de Pindamonhangaba, no estado de São Paulo, e a chamou de Fazenda Tozan Pinda, onde cultivava principalmente arroz, café e gado, tendo mandioca e outras culturas diversas como atividades secundárias. Foi nessa fazenda que se obteve, pela primeira vez, sucesso no cultivo de arroz irrigado pelo sistema de irrigação japonês. Em uma história posterior, em 1933 (8º ano da Era Showa), as duas fazendas foram incorporadas para criar uma sociedade de responsabilidade limitada chamada Fazenda Monte D'Este Ltd. (Fazenda Tozan).
Além disso, em 1928 (3º ano da Era Showa), com o objetivo de abrir caminho para a venda consignada de café produzido por agricultores japoneses e para o financiamento a ela relacionado, foi criada na cidade de Santos uma sociedade em nome coletivo chamada Casa Tozan Mizukami Shōkai (Kāza Tōzan Mizukami Shōkai), que ingressou no setor comercial e financeiro brasileiro como o primeiro negócio de comissário fundado por compatriotas.
Quando o Sr. Kimitsuka desembarcou no Brasil como representante-chefe em Santos, as bases mencionadas anteriormente já haviam sido estabelecidas pelo Sr. Yamamoto, na área de agricultura, e pelo Sr. Mizukami, na área de comércio.
Os Srs. Srs. Yamamoto e Mizukami foram os dois pilares de apoio do Sr. Kimitsuka, logo após a sua chegada ao Brasil, para planejar a expansão e o desenvolvimento dos negócios. Primeiro, ele gradualmente transferiu as atividades de comissário para o setor comercial. Ele aumentou o número de filiais, estendendo-se para o interior em cidades como Lins, Marília, Promissão, Álvares Machado, Guarantã e Presidente Prudente. Além disso, ele posicionou agentes em várias regiões do estado de São Paulo. Dessa forma, ele não se limitou apenas à compra, venda e seleção de café, mas também desempenhou o papel de instituição financeira para os agricultores, garantindo que os produtos agrícolas cultivados pelos compatriotas pudessem ser vendidos de forma vantajosa, construindo assim uma imensa base e credibilidade.
Além disso, em 1933 (8º ano da Era Showa), foram estabelecidas filiais nas cidades de São Paulo, atualmente a matriz, e no Rio de Janeiro. No mercado brasileiro, que até então era palco do monopólio de produtos europeus e americanos, eles se envolveram pela primeira vez, como compatriotas, no comércio de importação e exportação em grande escala. Sob uma competição feroz e pagando muitos sacrifícios, eles se esforçaram para introduzir produtos japoneses no Brasil. Ao mesmo tempo, sempre se empenharam em serem os pioneiros na exportação de especialidades brasileiras para o Japão.
Assim, tendo partido de atividades de comissário e se desenvolvido da área comercial e financeira doméstica para o comércio internacional, em 1935 (10º ano da Era Showa), a empresa foi reorganizada como a sociedade de responsabilidade limitada Casa Tozan Ltd.. Separadamente, em relação ao setor financeiro, em 1933 (8º ano da Era Showa), foi fundada a Casa Bancária Tozan Ltd. (Banco Tozan), tornando-se a pioneira como banco administrado por compatriotas.
Naquela época, o Banco Yokohama Shōkin (Yokohama Shōkin Ginkō) era o único banco de compatriotas no Brasil, mas estava no Rio de Janeiro e não possuía filial em São Paulo, que era a zona de concentração dos japoneses. Consequentemente, o comissariado da Casa Mizukami (Mizukami Shōkai) era a única instituição financeira para os agricultores compatriotas. No entanto, à medida que as atividades dos compatriotas se expandiam nos setores agrícola, industrial e comercial, e sua situação econômica melhorava progressivamente, surgiu a demanda por um banco de compatriotas que servisse como instituição para que pudessem depositar suas economias com segurança e buscar rendimentos, e também para que esse capital pudesse ser revertido como fundo de produção para os agricultores no interior. Foi assim que nasceu o Banco Tozan. Além disso, o seu nascimento foi possível devido à presença de uma pessoa ideal, o Sr. Kimitsuka, que havia trabalhado por muitos anos no setor bancário do Banco Mitsubishi.
O Banco Tozan atualmente transferiu sua matriz para São Paulo e estabeleceu filiais em Mercado, Lins e Presidente Prudente. Graças à sua administração sólida, ele conquistou imensa credibilidade entre os compatriotas no Brasil, tornando-se a instituição financeira central para o desenvolvimento econômico japonês.
O que foi exposto até agora refere-se à atuação do Sr. Kimitsuka nos setores agrícola e comercial. No que diz respeito ao setor industrial, em 1934 (9º ano da Era Showa), foi primeiramente estabelecida, dentro da Fazenda Campinas, a Indústria Agrícola Campineira Ltd. (Indasutoria Agurikōra Kanpinēra Rimitāda, Companhia de Saquê Tozan), e suas operações foram iniciadas com a fabricação de saquê. Isso foi iniciado com o objetivo de fornecer uma bebida salutar de alta qualidade, sem visar apenas o lucro, pois muitos imigrantes japoneses residentes no Brasil costumavam consumir cachaça, e muitos eram afetados por sua toxicidade. Eles importaram todo o equipamento de fermentação do Japão, trouxeram engenheiros especializados e começaram a fabricação de saquê autêntico (Azuma Kirin e Azuma Hō), utilizando a água límpida da nascente na margem do Rio Atibaia, um ponto cênico dentro da fazenda, e o arroz de campo irrigado produzido na Fazenda Pinda.
Com o desenvolvimento dos negócios da Tozan, o Sr. Kimitsuka tornou-se gerente do escritório de Santos em julho de 1935 (10º ano da Era Showa). Em outubro de 1937 (12º ano da Era Showa), ele foi promovido a diretor da Indústria Agrícola Tozan, tornando-se diretor geral dos negócios Tozan no Brasil. Em novembro de 1939 (14º ano da Era Showa), ele se tornou diretor geral da Casa Tozan.
Ele também havia identificado, desde cedo, o negócio de fiação e tecelagem como parte dos negócios da Tozan no Brasil. Vendo que o Japão sofria com o encalhe de estoques devido à baixa nas exportações de seda crua, ele adquiriu em 1937 (12º ano da Era Showa) uma fábrica de tecidos de seda administrada por gaijin (não nikkei) na cidade de São Paulo. Ele importou técnicos com anos de experiência e teares do Japão e instalou uma fábrica integrada de tecidos de seda, que ia desde a tecelagem até o tingimento e a estamparia, utilizando a seda crua japonesa como principal matéria-prima. Esta foi a Tecelagens de Seda Paulicéia Ltd. (Teserāzen de Sēda Paurisea Rimitāda). A empresa abriu dois service stations na cidade de São Paulo, dedicando-se à promoção e venda de diversos produtos, desde artigos de luxo para as classes mais altas até produtos gerais para o público em geral. Assim, apresentou a excelência da seda crua japonesa no Brasil e contribuiu para o avanço do comércio japonês com o país.
Em seguida, no Brasil, em vista da tendência de que as regiões que perderam a fertilidade do solo devido aos métodos predatórios de cultivo exigiriam inevitavelmente a aplicação de fertilizantes para a recuperação da terra no futuro, o grupo Tozan concentrou-se na indústria de fertilizantes e, como passo inicial, construiu uma fábrica de farinha de ossos na região da Fazenda Campinas. Além disso, reconhecendo o potencial da indústria de máquinas como futuro setor industrial doméstico no Brasil, e com o objetivo de estabelecer sua base, foi inaugurada uma fundição/fábrica de ferro na cidade de São Paulo.
Sob a orientação de engenheiros japoneses, iniciaram a produção experimental de peças de máquinas de alta qualidade, consolidando gradualmente sua posição no setor industrial, enquanto se preparavam para um grande desenvolvimento futuro. Infelizmente, a eclosão da Segunda Guerra Mundial levou a uma paralisação temporária da expansão nos setores comercial e industrial. A interrupção dos investimentos provenientes do Japão acabou forçando a disposição/venda da Fazenda Pinda, e a fábrica de tecidos de seda foi submetida a leilão sob a administração do governo brasileiro durante o período de guerra.
A Fazenda Campinas, que serviu de base para os negócios da Tozan no Brasil, foi preservada durante o período de guerra pelo Dr. Kiyoshi Yamamoto, PhD em Agronomia. As atividades principais da fazenda passaram a ser a cafeicultura, a pecuária e o reflorestamento baseado no plano de manejo florestal sustentável focado em eucalipto. A fazenda também se dedicou à diversificação dos negócios através do plantio de tungue (abura-giri), frutas cítricas e abacate, além de outras culturas como algodão e milho. Além disso, ela introduziu excelentes técnicas agrícolas japonesas no Brasil, desempenhou um papel de liderança na orientação de brasileiros e estrangeiros, e se tornou uma fazenda modelo das mais renomadas do país.
Assim que o Sr. Kimitsuka chegou ao Brasil, ele notou que o Sr. Fujio Mizukami, que havia chegado antes, era um renomado tenista nos tempos da Escola Secundária Superior Rokucuu e da Universidade de Tóquio. Mizukami havia vencido torneios de tênis em Santos e foi o primeiro japonês a se filiar a um clube de tênis brasileiro, tendo, portanto, muitas amizades através do esporte. Refletindo sobre o benefício que isso traria aos negócios, Kimizuka, além de suas atividades comerciais, também investiu em esportes. Ele se tornou um dos promotores do clube de golfe de São Paulo, ajudando a construir um campo, e como presidente da Federação de Atletismo dos Compatriotas (Rikujō Kyōgi Renmei), ele se dedicou grandemente ao seu desenvolvimento. Amando a pesca marítima, ele possuía um bote a motor em Santos, onde ocasionalmente cultivava seu espírito de grandeza.
Ele também contratou e convidou ao Brasil o Sr. Jirō Fujikura, formado pela Universidade Meiji, famoso por ter sido um jogador da Taça Davis em tênis, e contratou o Sr. Kōzō Miyaji, formado pela Universidade Comercial de Kobe, que era habilidoso tanto no tênis quanto no piano. Por volta de 1938-1939 (13º-14º anos da Era Showa), quando o Sr. Yoshie Fujiwara visitou o Brasil, o Sr. Miyaji tocou seu acompanhamento, realizando turnês musicais, o que sugere que o piano do Sr. Miyaji era de nível profissional.
Assim como o Sr. Kimitsuka tinha um porte físico imponente, tinha um espírito generoso, era muito acolhedor, e conseguia confiar nas pessoas e lhes delegar tarefas. Por isso, muitas pessoas se reuniam ao seu redor.
Em agosto de 1940 (15º ano da Era Showa), no auge da Segunda Guerra Sino-Japonesa, o Sr. Kimitsuka se tornou diretor executivo da Indústria Agrícola Tozan e retornou ao Japão, após onze anos de permanência no Brasil.
Em setembro de 1946 (21º ano da Era Showa), o Sr. Kimitsuka tornou-se presidente da Indústria Agrícola Tozan. Contudo, em março de 1948 (23º ano da Era Showa), ele se desligou e fundou a Companhia Tozan Empreendimentos (Tōzan Kigyō Kabushiki Kaisha), tornando-se seu presidente. Em 1949 (24º ano da Era Showa), na reconstrução da Associação Central Nipo-Brasileira (Nippaku Chūō Kyōkai), que havia sido temporariamente fechada durante e após a guerra, Sr. Setsuzō Sawada, ex-embaixador do Brasil, aceitou o cargo de presidente, e o Sr. Kimitsuka assumiu o posto de diretor executivo, encarregando-se de planejar o desenvolvimento da associação.
Nesse meio tempo, os dois países se aproximaram do momento de restabelecimento das relações diplomáticas, e vários postos diplomáticos foram reabertos. Seguindo a política do primeiro-ministro Yoshida de que a diplomacia do pós-guerra deveria se concentrar na economia, a vasta experiência econômica que o Sr. Kimitsuka cultivara ao longo dos anos no Brasil foi decisiva. Graças à recomendação do então presidente da Câmara dos Representantes, Sr. Jōji Hayashi, ele atingiu o objetivo de se tornar embaixador no Brasil em julho de 1952 (27º ano da Era Showa).
No dia 31 do mesmo mês, ele foi nomeado embaixador extraordinário e plenipotenciário e recebeu a ordem de assumir o posto no Brasil. Em 23 de setembro do mesmo ano, ele partiu de Haneda em direção ao Brasil e chegou ao Rio como o primeiro embaixador após o fim da guerra, o que foi encarado como um verdadeiro regresso triunfal. Além disso, brasileiros e estrangeiros no Brasil receberam com satisfação este embaixador de origem civil que conhecia bem o país, e sua reputação foi excelente.
Os esforços do Sr. Kimitsuka durante seu mandato incluíram o desbloqueio de ativos congelados, a negociação para a reativação da Associação Cultural Nipo-Brasileira (Nippaku Bunka Kyōkai), o desenvolvimento do território brasileiro utilizando capital americano e mão de obra japonesa, e o plano de desenvolvimento da Gama na Bacia Amazônica por japoneses.
Em novembro de 1953 (28º ano da Era Showa), o primeiro-ministro Yoshida iniciou uma viagem ao exterior, passando primeiro pela Europa e depois pelos Estados Unidos. Naquela época, o embaixador Kimitsuka voou do Rio para Nova Iorque com a proposta de desenvolver o Brasil utilizando capital americano e mão de obra japonesa, e apresentou o plano ao primeiro-ministro Yoshida. Embora este estivesse ocupado, ouviu a explicação do embaixador Kimitsuka por duas horas e conversou, o que o emocionou profundamente. O Gabinete Yoshida renunciou logo depois, e o Sr. Kimitsuka, movido pela lealdade aos Srs. Yoshida e Hayashi, imediatamente manifestou sua intenção de renunciar.
Ele solicitou seu retorno e obteve a permissão para voltar ao Japão em 11 de janeiro de 1955 (30º ano da Era Showa), retornando de fato em 11 de março. Em 21 de junho do mesmo ano, a seu pedido, foi exonerado do cargo de Embaixador e voltou à vida civil. Em 1956 (31º ano da Era Showa), ele viajou novamente a São Paulo como consultor da Casa Tozan e da Mitsubishi Corporation, com o objetivo de coordenar os negócios de ambas, que estava se expandindo para o Brasil. Tendo concluído sua missão, em 1º de agosto do mesmo ano, pouco antes de seu retorno iminente ao Japão, ele sofreu um derrame cerebral em um campo de golfe e faleceu naquela mesma noite no Esplanada Hotel, assistido por seu filho Hideo (representante da Mitsubishi Corporation em São Paulo).
O projeto de imigrantes rizicultores para Gumá, no estado do Pará, que o Sr. Kimizuka promoveu entusiasticamente durante seu mandato como embaixador, era um plano de três benefícios em um. A ideia era: enviar imigrantes japoneses para a Gama, onde havia vastas terras adequadas para o cultivo de arroz; vender o arroz produzido pelos imigrantes japoneses ao Japão; em troca, o Brasil compraria produtos do Japão; e, por fim, a viagem dos imigrantes japoneses para o Brasil seria vista com bons olhos.
Além disso, o plano de imigração baseado em empréstimos americanos que o Sr. Kimizuka apresentou ao primeiro-ministro Yoshida em Nova Iorque foi posteriormente concretizado como a Empresa de Fomento de Emigração Ultramarina S.A. (Nihon Kaigai Ijū Shinkō Kaisha). Visto que a Fazenda Tozan, onde o Sr. Kiyoshi Yamamoto está no comando, está recebendo financiamento da Empresa de Fomento de Emigração para realizar melhorias na fazenda, talvez o Sr. Kimizuka esteja sorrindo discretamente no céu devido a esta curiosa coincidência.