Enter your email address below and subscribe to our newsletter

岩波菊治 Kikuji Iwanami

quinta-feira, 09 de setembro de 2010

O Sr. Kikuji Iwanami se destacou desde a juventude como poeta da Escola Araragi de tanka. Nascido na vila Shiga, distrito Suwa, província de Shinshu, ele imigrou para o Brasil em julho de 1925 (14º ano da Era Taishō), a bordo do navio Manila Maru, como parte da equipe avançada de colonos do Assentamento de Aliança, e empunhou o machado para a abertura da terra.

Após chegar ao Brasil, ele não se limitou à poesia tanka, mas também tentou compor haiku, adotando o pseudônimo de Kikuni, e enviou poemas para a seção de contribuições gerais da revista Hototogisu de haiku.

A Colônia Aliança estava sendo construída por uma elite intelectual de diversas esferas, a tal ponto que, na época, chegou a ser ridicularizada pela sociedade com o apelido de "Assentamento Gin-Bura", ou seja, Ginza-Brasil.

Essa elite incluía funcionários públicos, professores, pastores, engenheiros, entre outros. No campo da literatura, havia poetas de haiku discípulos de Kyoshi (como Nenpuku Satō e Keiseki Kimura), e poetas de tanka como o próprio Kikuji Iwanami, além de Minamiuo Namekata, entre outros. O subsequente florescimento dos círculos literários de haiku e tanka de nossa colônia deveu-se em grande parte ao esforço deles.

Em 1928 (3º ano da Era Shōwa), ele foi recomendado como membro da Escola Araragi.

Embora na colônia japonesa durante a Era Taishō quase não houvesse poetas de tanka notáveis, a partir de 1929–1930 (4º e 5º anos da Era Shōwa), o cenário poético gradualmente ganhou vida.

Vários jornais em língua japonesa, como Nippaku Shimbun, Burajiru Jihō e Seishū Shinpō criaram seções de poesia, convidando editores responsáveis, e assim começou a ser vista uma poesia tanka com características próprias.

Durante seu período na Colônia Aliança, ele fundou a revista Okapo de tanka e haiku em colaboração com Keiseki Kimura. Ele se dedicou como figura central para o florescimento atual do cenário poético, atuando simultaneamente como editor da revista de tanka da colônia, Yashiju (Coqueiro).

O Sr. Iwanami permaneceu na Colônia Aliança por mais de dez anos, dedicando-se à construção da vila enquanto cultivava café. Infelizmente, sua esposa sofreu com uma doença ocular, forçando-o a se mudar para as proximidades de Campinas, onde se dedicou pacientemente ao tratamento dela. Posteriormente, ele adquiriu um pequeno terreno nos arredores de Mogi das Cruzes, onde plantou pêssegos e complementou sua subsistência com a criação de galinhas.

Ele tinha como única alegria as visitas de outros poetas, com quem conversava gentilmente e a quem frequentemente orientava. Contudo, o céu não lhe concedeu mais vida; ele faleceu nesta terra em 23 de novembro de 1953 (conforme o texto original, embora 1952, 27º ano da Era Shōwa, seja o correto), devido a uma úlcera estomacal. Ele contava 55 anos de vida.

Embora Iwanami fosse um agricultor habilidoso e trabalhasse arduamente, por algum motivo ele nunca foi abençoado com dinheiro em toda a sua vida. Mesmo trabalhando, sua subsistência não era como ele desejava, e ele deve ter ficado exausto, tanto física quanto mentalmente. Esse sentimento de desamparo está expresso no monumento poético de Ibirapuera, cuja cerimônia de inauguração foi realizada em 1º de setembro de 1954, com o seguinte poema:

As montanhas e rios da Província de Shinano, minha terra natal, penetram meu coração e por toda a eternidade me lembrarei deles. (ふるさとの信濃の国の山河は心に泌みて永久におもわむ Furusa to no Shinano no kuni no sanka wa kokoro ni shimite towa ni omowamu)

... e isso deve ter atingido poeticamente peito do autor.

Não se sabe ao certo qual será o futuro de formas de arte puramente japonesas, como tanka e haiku, na segunda e na terceira geração de descendentes (nissei e sansei).

Contudo, aqueles que foram criados por imigrantes de primeira geração, issei, com tal sentimento poético e estado de espírito terão, em alguma medida, absorvido a influência desse ambiente elegante. Não é possível que isso se torne parte de sua carne e flua em seu sangue, trazendo algum efeito latente?

Chegando ao Assentamento (植 匆々 Nyūshoku sō-sō)
Por Kikuji
  Na clara e pura noite de luar, O som do veado a mugir Passa perto de minha casa.
(冴えわたる月夜を清み鳴く鹿の声とおるなり家屋ま近く Sae-wataru tsukiyo o kiyomi naku shika no koe tōru nari oku ma-chika ku)
  Sobre a terra que nivalei para construir a casa, há um número impressionante de pegadas de veados.
(家建つると地均ししたる土の上に夥しかり鹿の足跡 Ie tatsu ru to chi-narashi shitaru tsuchi no ue ni obitadashikari shika no ashiato)
  É a primeira noite que dormimos na casa recém-construída; sem conseguir pegar no sono, falo com minha esposa.
(粗建ての家に始めて寝ぬるなり寝つかれぬままに妻と物言う Ara-date no ie ni hajimete nuru nari netsukarenu mama ni tsuma to mono iu)
  Quantas vezes minha esposa, lamentavelmente, ergue o ouvido ao som dos pássaros noturnos na noite clara.
(澄みとおる夜鳥の声にいくたびか耳そばだてぬあわれ我が妻 Sumi-tooru yodori no koe ni ikutabi ka mimi sobada te nu aware waga tsuma)
  Colocando a carinhosa encomenda da minha mãe sobre a cabeça em sinal de respeito, abro-a junto com minha esposa.
(たらちねの母が情けの包物押し戴きて妻と開けにけり Tarachine no haha ga nasake no tsutsumimono oshi-itadakite tsuma to ake ni keri)
  Escrevo uma carta pensando secretamente na forma como meus pais ficarão alegres [ao saber de nós].
(父ははの喜びまさむみ姿をうら思いつつ手紙書くなり Chichi haha no yorokobi masa mu mi sugata o ura omoi tsutsu tegami kaku nari)

Entrando em Meu Lote (我がロッテに入る Waga Rotte ni Iru)
  Tendo trabalhado por três anos junto com minha esposa para adquiri-lo, esta montanha tem uma extensão de trinta hectares.
(妻と共に三年働きて求め得しこの山の広さ三十町歩ありTsuma to tomo ni sannen hataraki-te motome eshi kono yama no hirosa sanjutchōbu ari)
  Para determinar o lugar onde devo construir minha casa, penetrei profundamente nas densas montanhas.
(わが家を建つべき所定めんと茂山ふかく分け入りにけり Waga ie o tatsu beki tokoro sadame-n to shige-yama fukaku wake iri ni keri)
  Fazendo shoyu e missô com minhas próprias mãos, a vida neste país já completa quatro anos.
(醤油も味噌も我が手に作りつつこの国住みも四年となりぬ Shōyu mo miso mo waga te ni tsukuri-tsutsu kono kuni sumi mo yo-nen to nari nu)
  Não se passaram muitos dias desde que nos mudamos para nossa montanha, mas, lamentavelmente, meu único filho faleceu.
(が山に移りて未だ日は経たねあわれ死なせぬ我が独り子を Wa ga yama ni utsuri te mada hi wa tate ne aware shinase nu wa ga hitori-go o)
  Abrindo caminho em meio ao matagal de ervas daninhas, vou até o túmulo do meu filho.
(雑草のおどろが中を踏み分けて吾子の墓べに詣りけるかも Zassō no odoro ga naka o fumi-wake te wago no haka-be ni mairi keru kamo)
  Não há nada que eu possa fazer com as lágrimas que brotam espontaneamente, enquanto arranco as ervas daninhas no túmulo do meu filho.
(おのずから湧きくる涙すべもなし吾が子の墓べに草むしり居し Onozu kara waki kuru namida sube mo nashi wa ga ko no haka-be ni kusa mushiri oshi)
  Pendurando o venerável poema do meu mestre na parede de madeira, sirvo-lhe o chá mate forte.
(板壁に師のおん歌を掲げつつマテ茶の濃きをつぎてまいらす Ita-kabe ni shi no on-uta o kakage-tsutsu matecha no koki o tsuide mairasu)

Poemas Ocasionais (折々の歌 Ori-ori no Uta)
  Embora eu não tenha dinheiro de sobra, devo dizer que minha vida é mais fácil em comparação com as pessoas da minha terra natal.
(手に余る金はあらねど故里の人に比べて安しと言うべし Te ni amaru kane wa arane do furusato no hito ni kurabe te yasushi to iu beshi )
  Tendo vindo de longe para construir uma nova vila, quando poderei realizar essa esperança? (新しく村建つると遠く来しその希みさえいつ遂ぐるべき Atarashiku mura tatsu ru to tōku koshi sono nozomi sae itsu tsuiguru beki)
  A intensidade do trabalho de abrir a roça para a subsistência faz-me pensar que envelheci mais do que eu gostaria.
(畑拓く世すぎの業の劇しさは我が願いたく老けたりと思う Hatake hiraku yo-sugi no gō no hageshisa wa waga negai taku oketari to omou)
  Ajudando a revista Yashiju, penso em todos e em cada um dos meus amigos poetas de terras distantes. (椰子樹誌を手伝いつつ思う遠地の歌の友の誰彼を Yashiju-shi o tetsudai-tsutsu omou tōchi no uta no tomo no tare kare o)
  Os caquis plantados no meio da plantação de chá são jovens, e algumas de suas folhas de outono estão sendo comidas [por insetos].
(畑に植えたる柿は稚くしてその幾本か蝕ゆるもみじ葉の Chabata-ke ni uetaru kaki wa osana ku shite sono iku-hon ka mushiburu momijiba no)
  Com o embarque dos pêssegos e a colagem dos sacos de papel, tendo continuado o trabalho noturno por muitas noites, estou um pouco exausto.
(桃の出荷また紙袋張りと幾夜さか夜業つづけて稍疲れぬる Momo no shukka mata kamibukuro hari to iku-yo sa ka yog yō tsuzuke te yaya tsukare nuru)
  Até mesmo o naruko (espantalho barulhento) esticado sobre o pomar de pêssegos se tornou familiar, e os passarinhos já não se assustam. (桃畑にはり渡したる鳴子すら慣れて小鳥の驚くにあらず Momo-batake ni hari watashi taru naruko sura nare te kotori no odoroku ni arazu)
  O Sr. Ichige, o mais velho, compõe haiku; o novo Cônsul-Geral compõe tanka.
(市毛大人は俳句作りぬ新しき総領事の君は歌よみ給う Ichige ōhito wa haiku tsukuri nu atarashiki sōryōji no kimi wa uta yomi tamau)
  Após a doença ocular de minha esposa, que durou tanto tempo, ser curada, ela engravidou depois de vários anos. (永かりし妻が眼疾の癒えしとき幾とせ振りに身ごもりにけり Nagakarishi tsuma ga ganshitsu no ieshi toki iku-tose buri ni migomori ni keri)
  Suportando nossa pobre subsistência por vários anos, tenho composto poemas tanka efêmeros.
(貧しかる生計に耐えて幾年か果敢なき歌を詠みて来にけり Mazushikaru seikei ni taete iku-tose ka hakanaki uta o yomi te ki ni keri)
  Meu irmão caçula, que deixou cinco filhos, morreu numa ilha sem fim, ao sul. (五たりの子らを遺してみんなみの涯なき島に果てし吾が弟 Go-tari no ko ra o nokoshi te minami no hagae naki shima ni hateshi waga otōto)
  Dizem que até mesmo os restos mortais que meu camarada de guerra recolheu sofreram novo bombardeio. (戦友が拾いてくれし遺骨さえまた爆撃を受けしというはや Sen'yū ga hiroi te kureshi ikotsu sae mata bakugeki o ukeshi to iu wa ya)
  Talvez digam que até mesmo a morte em combate pela nação foi em vão.
(国のため戦い死にしことすらも或はいわん犬死なりしと Kuni no tame tatakai shini shi koto sura mo arui wa iwanu inu-jini narishi to)
  Embora agora se diga que foi uma morte em vão, que seja: uma nova era está surgindo.
(犬死と今は言うべしさもあらばあれ新しき世は興りつつ Inu-jini to ima wa iu beshi samo araba are atarashiki yo wa okori tsutsu)

Cadastro na newsletter “Boletim do CENB”
Subscription Form|人文研だより