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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O Sr. Kōzō Ichige serviu no Brasil em três ocasiões, ocupando os cargos de segundo secretário, primeiro secretário e cônsul geral. Em uma dessas vezes, quando foi promovido de primeiro secretário a cônsul geral, ele, já estando no Brasil, apenas se transferiu da cidade do Rio para a cidade de São Paulo.
Ele nasceu em 25 de julho de 1894 (27º ano da Era Meiji) e era natural da vila Midorioka, distrito de Higashiibaraki, província de Ibaraki. O famoso campeão de sumô, Yokozuna Hitachiyama, uma lenda de sua época, era seu tio.
Após terminar a Primeira Escola Superior (ichikō), ele se graduou no Departamento de Língua Alemã da Universidade Imperial de Tóquio em julho de 1918 (7º ano da Era Taishō). Em outubro do mesmo ano, foi nomeado adido consular e enviado a Hong Kong. Em agosto do ano seguinte, tornou-se adido diplomático e, desde então, serviu sucessivamente na Alemanha, Suécia, Áustria, entre outros.
Em maio de 1926 (15º ano da Era Taishō), foi nomeado segundo secretário da embaixada e designado para atuar no Brasil. Ele permaneceu no Rio até 1930 (5º ano da Era Shōwa), servindo cumulativamente como cônsul.
Depois disso, serviu novamente na Áustria e, em 2 de novembro de 1933 (8º ano da Era Shōwa), foi nomeado primeiro secretário da embaixada, iniciando seu segundo período de serviço no Brasil. Ele era um genuíno "Mito-kko", que significa "natural da região de Mito", por apresentar péssimas habilidades sociais. Recebeu muitas críticas por suas maneiras, como colocar os dois pés sobre a mesa e tratar os visitantes com desdém, o que era perfeitamente normal para ele. Sua esposa era alemã e se chamava Marie.
Em 31 de agosto de 1934 (9º ano da Era Shōwa), ele foi nomeado cônsul geral e designado para atuar em São Paulo. Seu antecessor no posto, Sr. Iwatarō Uchiyama, foi transferido para o cargo de embaixador provisório substituto no Rio.
Em São Paulo, era o período em que o plano para a construção do Hospital Japonês havia sido lançado e estava sendo promovido com entusiasmo.
A Associação de Assistência Mútua dos Japoneses no Brasil, comumente reconhecida por seu nome em japonês Dōjinkai, que havia sido criada em fevereiro de 1924 (13º ano da Era Taishō), durante a gestão do cônsul geral Saitō, planejava a administração de um hospital como um de seus empreendimentos acessórios.
Desde a posse do cônsul geral Uchiyama, em julho de 1931 (6º ano da Era Shōwa), e talvez impulsionados pelas circunstâncias, os residentes em geral subitamente despertaram, como se tivessem rompido a hibernação, e passaram a se dedicar fervorosamente à construção do hospital.
A Liga Promotora para Efetivação da Construção do Hospital Japonês, organizada pelo próprio cônsul Geral Uchiyama como proponente, distribuiu cem caixas de arrecadação em várias áreas como primeira tentativa. A popularidade foi tanta que logo tiveram que ser adicionadas mais sessenta caixas.
Em junho de 1932 (7º ano da Era Shōwa), a Associação Feminina Suiyo-kai de São Paulo realizou um evento artístico-cultural com o objetivo de apoiar a construção do hospital, arrecadando imediatamente 43 contos de réis e doando-os à associação.
Em 18 de junho de 1933 (8º ano da Era Shōwa), foi realizada a Cerimônia Comemorativa do 25° Aniversário da Imigração Japonesa para o Brasil. Marcando essa data, realizou-se a cerimônia de assentamento da pedra fundamental no terreno do Hospital Japonês, localizado à Rua Santa Cruz, nº 64, no bairro Vila Mariana, que havia sido adquirido antecipadamente pelos diretores da Dōjinkai para a construção do hospital.
O padre Guido Del Toro oficiou a cerimônia, na presença do cônsul geral Uchida, do Dr. Rangel Pestana, diretor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, e de numerosas outras personalidades de ambos os países, Japão e Brasil. Uma urna contendo várias moedas brasileiras e registros relativos ao plano de construção do Hospital Japonês foi enterrada dentro daquela pedra fundamental.
Assim, a Liga Promotora para Efetivação da Construção do Hospital Japonês, presidida pelo cônsul geral Uchiyama, anunciou um orçamento de custo total de 800.000 ienes (equivalente a cerca de 3.000 contos de réis na moeda brasileira da época), que incluía a construção e todos os equipamentos internos, e apelou à boa vontade de doadores no Japão e no exterior.
Este fato, ao atravessar o mar e chegar ao conhecimento do Imperador, resultou em uma doação imperial de 50.000 ienes, concedida na ocasião do aniversário do imperador, em abril de 1934 (9º ano da Era Shōwa). Este ato gerou uma grande comoção em toda a comunidade japonesa residente no Brasil.
Quando o plano para a construção do hospital chegou a este ponto, o cônsul geral Uchiyama, que havia sido o principal proponente, transferiu-se para a embaixada no Rio como conselheiro, e o cônsul geral Ichige assumiu seu posto.
Em outras palavras, a situação se resumia a: o Sr. Uchiyama foi quem se empenhou intensamente para "montar a mesa", providenciando os preparativos, e o Sr. Ichige foi quem chegou para calmamente "pegar os hashis", dando prosseguimento ao projeto.
Em janeiro de 1935 (10º ano da Era Shōwa), durante a gestão de Ichige, o projeto arquitetônico foi submetido a uma nova revisão e, com a pronta aceitação do Dr. Luiz de Resende Puech, uma sumidade da medicina brasileira e professor da Faculdade de Medicina de São Paulo, o projeto pôde ser iniciado em grande escala, tendo o médico Hosoe e o engenheiro arquiteto Takeshi Suzuki como assistentes.
A Dōjinkai estabeleceu como meta um orçamento total de 800.000 ienes, distribuído em 50.000 ienes de donativo imperial, 150.000 ienes de subsídio governamental, 400.000 ienes de doações do Japão e 200.000 ienes de doações locais. O projeto arquitetônico e o orçamento foram submetidos ao Ministério das Relações Exteriores do país natal para aprovação.
Por outro lado, em março de 1935 (10º ano da Era Shōwa), uma reunião com a presença do Sr. Ichige e de todos os voluntários envolvidos foi realizada no Clube Japonês de São Paulo. Após uma discussão fervorosa sobre métodos de arrecadação de fundos e outros assuntos, foi organizada a Comissão de Construção do Hospital Japonês de São Paulo, que se prontificou a trabalhar imediatamente para a concretização do projeto.
A Comissão de Construção do Hospital Japonês de São Paulo era composta pelas seguintes autoridades: Setsuzō Sawada (o então embaixador no Brasil) como presidente honorário; Iwatarō Uchiyama (conselheiro da embaixada) como consultor; Kōzō Ichige (cônsul geral em São Paulo) como presidente; Tetsuo Umemoto (vice-cônsul) como presidente do comitê central; e Kunito Miyasaka (representante da Cooperativa de Colonização do Brasil) como vice-presidente.
Foram eleitos trinta membros para o comitê, incluindo Iwao Nakano e Sentarō Takaoka. Como órgãos de execução, foram criados Comitês Regionais no Rio de Janeiro, Ribeirão Preto, Santos e Belém. Os cônsules e vice-cônsules dessas localidades foram designados para atuar como presidentes dos comitês regionais.
Posteriormente, devido às mudanças de responsabilidade e de postos, o embaixador Kazue Kuwashima assumiu como presidente honorário, o cônsul geral Junzō Sakane como presidente, o Sr. Shigetsuna Furuya, ex-ministro, como presidente do comitê central, e o Sr. Chibata Miyakoshi, gerente da filial brasileira da Companhia Ultramarina de Colonização, assumiu como vice-presidente.
Por outro lado, a arrecadação de doações no Japão foi iniciada em 15 de julho de 1935 (10º ano da Era Shōwa), sob a liderança do então Ministro das Relações Exteriores, Sr. Kōki Hirota, que convidou numerosas figuras influentes para a residência oficial, explicando-lhes o plano e solicitando seu apoio.
Foi então organizada a Sociedade de Apoio à Construção do Hospital Japonês de São Paulo dentro do departamento da América do Ministério das Relações Exteriores, sendo indicados o visconde Makoto Saitō como presidente e o marquês Yorisada Tokunaga, que posteriormente se tornaria presidente, como vice-presidente.
Decidiu-se que a meta de arrecadação de doações seria a metade do valor total necessário, ou seja, 400.000 ienes, dos 800.000 ienes do custo total. O gerenciamento dessas doações foi encarregado ao ex-cônsul geral Kasuga.
Em maio de 1936 (11º ano da Era Shōwa), o Sr. Shintarō Sakamoto, engenheiro arquiteto contratado pelo Ministério das Relações Exteriores, viajou ao Brasil e, em colaboração com o engenheiro Suzuki, da parte local, revisou detalhadamente o projeto arquitetônico do Dr. Puech, adicionando correções apropriadas, e o plano de implementação foi concluído. Em 1º de agosto do mesmo ano, a obra de construção foi finalmente iniciada e, em 27 de agosto do ano seguinte, 1937 (12º ano da Era Shōwa), foi realizada a cerimônia de assentamento da cumeeira.
O cônsul geral Ichige havia solicitado uma licença para retornar ao Japão durante o andamento do projeto do hospital. O pedido foi autorizado em 13 de agosto de 1937 (12º ano da Era Shōwa), e ele partiu para o Japão em 9 de novembro.
Dessa forma, em 20 de abril de 1939 (14º ano da Era Shōwa), realizou-se a cerimônia de posse do cargo de diretor do Dr. Benedito Montenegro, uma sumidade em cirurgia na medicina brasileira e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Alguns dias depois, no dia 28, no auspicioso aniversário do imperador, foi finalmente realizada a cerimônia de inauguração do hospital japonês, que recebeu o nome de Hospital Santa Cruz.
O Sr. Ichige, sob o pseudônimo de Gyōsetsu ("Neve ao Amanhecer"), era proficiente em haiku e tinha grande importância no mundo do haiku da colônia. Quando o Sr. Ichige foi nomeado cônsul geral em São Paulo, o Sr. Tetsuo Umimoto já havia decidido retornar ao Japão.
O Sr. Ichige, desejando que o Sr. Umimoto, que conhecia bem São Paulo, permanecesse, enviou-lhe um haiku para persuadi-lo:
Arando o outono, troco de cavalo, mas ele é caolho.
(秋耕や馬かえてみれば片眼なり)
Diz-se que o Sr. Umimoto, comovido, adiou seu retorno ao Japão por um tempo.
O volume inaugural da revista de haiku "Haikai", lançado em abril de 1938 (13º ano da Era Shōwa), incluiu o artigo "Relatório de Retorno ao Japão do Brasil" do Sr. Ichige Gyōsetsu.
"A imigração não é apenas uma 'imigração de mãos' (te no ijū), mas também a 'imigração de mentes' (atama no ijū). É possível saber por fragmentos de jornais japoneses antigos que o haiku existe há muito tempo na colônia, mas, como a base da imigração é, acima de tudo, a economia, parece que o haiku continuava sendo praticado de forma autônoma.
Há dez anos, com a vinda do Sr. Keiseki Kimura e do Sr. Nempuku Satō para o Brasil, o haiku brasileiro entrou em uma nova era. Pode-se dizer que, agora, com a oportunidade, sua forma foi claramente estabelecida. Atualmente, trinta anos após a chegada dos primeiros imigrantes, com uma população de 200 mil pessoas e uma produção agrícola que excede 2 bilhões de ienes, o mundo do haiku, que é uma faceta da vida espiritual, floresceu paralelamente a esse progresso".
Esta é uma passagem de um trecho do referido artigo.
O Sr. Ichige regressou a Tóquio em 27 de dezembro de 1937 (12º ano da Era Shōwa). Em 6 de junho de 1939 (14º ano da Era Shōwa), foi-lhe designado um posto em Praga e, após servir lá por cerca de um ano, regressou ao Japão em novembro de 1940 (15º ano da Era Shōwa), aposentou-se do Ministério das Relações Exteriores e ingressou na Kanegafuchi Spinning Co. (Kanebō).
Após a invasão das Forças Armadas Japonesas, ele viajou para as Filipinas como gerente da filial filipina, mas com a derrota do Japão, fugiu para a selva e morreu de doença.
Seja como for, o barraco foi construído; agora planto abóboras.
(兎に角に小屋は建ちたり南瓜蒔く Toni kaku ni koya wa tachitari kabocha maku)
A menina que fez doze anos sem saber jogar hagoita.
(羽子つくを知らで十二となる娘かな Hago tsuku o shira de jūni to naru musume kana)
Lua crescente... Três anos se passaram longe da pátria.
(三日月や故国離れて三年経し Mikazuki ya kokoku hanarete sannen heshi)
Os crisântemos em plena glória; Consulado Japonês.
(咲き誇る菊や日本領事館 Saki hokoru kiku ya Nihon ryōjikan)
Cavalo comprado, E o levo de volta para casa; Outono do algodão.
(馬買って牽いて帰りぬ棉の秋 Uma katte hīte kaerinu wata no aki)
Lã vegetal no topo dos galhos, papagaios a esfarelar
(梢なる木棉鸚鵡の喰い散らす Kozue naru kiwata ōmu no kuichirasu)
Poema de Despedida (辞世の句 Jisei no Ku)
Sol no zênite, não há sombra para mim.
(天心に陽ありてわれにかげなかり Tenshin ni hi arite ware ni kage nakari)