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terça-feira, 15 de janeiro de 2008
O Sr. Saburō Kumabe viveu, de fato, uma vida de infortúnios, mas sua ambição e sua integridade eram um traço distintivo e inabalável entre os pioneiros e desbravadores. Ele nasceu em Kumamoto em 1865 (1º ano da Era Keiō), mas em meados da Era Meiji mudou seu registro para Kagoshima e, a partir de então, trabalhou como juiz e como advogado.
Ao ler o relatório do Ministro Plenipotenciário do Japão no Brasil Sugimura sobre a imigração brasileira, sua grande ambição despertou. Ele então se associou ao Sr. Tomofusa Sasa, que era uma figura importante na política da época, e decidiu construir uma colônia.
Assim, na primavera de 1906 (39º ano da Era Meiji), ele liderou sua família para emigrar para o Brasil, viajando pela Europa. No entanto, o Ministro Sugimura faleceu repentinamente de hemorragia cerebral poucos dias antes da partida de sua família do Japão. E o colega Tomofusa Sasa, surpreendentemente, também havia morrido de doença antes da chegada do Sr. Kumabe ao Brasil.
Mesmo o Sr. Kumabe ficou perdido e sem rumo ao perder o leme e o propulsor ao mesmo tempo. Contudo, sua família já havia firmado sua determinação e pisado em uma terra distante. Ele decidiu que não havia alternativa senão esperar a oportunidade e, assim, ele se estabeleceu temporariamente na cidade de São Paulo.
No pedido de certificado de residência apresentado ao então ministro plenipotenciário e cônsul geral, Sr. Sadatsuchi Uchida, consta o seguinte:
"Venho por este meio solicitar que me seja concedido o certificado de que eu, abaixo assinado, e minha família, residimos na República do Brasil desde 21 de outubro de 1906 (39º ano da Era Meiji).
Cidade de São Paulo, Rua de São Francisco, nº 81.
11 de novembro de 1907, Saburō Kumabe."
Isso significa que a família Kumabe viveu na cidade de São Paulo por pelo menos mais de um ano. O "Período de Enrolar Cigarros" (tabako-maki jidai, em japonês), que permanece nas conversas das pessoas mais antigas, refere-se de fato a essa época.
Em novembro de 1908 (41º ano da Era Meiji), ele chegou a participar da construção da Colônia Santo Antônio, baseada em um contrato do Sr. Ryo Mizuno com o governo do Rio de Janeiro. Contudo, devido à imprudência do Sr. Ryo Mizuno e à falta de fundos, o projeto foi interrompido antes mesmo de a colonização começar.
Por outro lado, o Sr. Kumabe, sem negligenciar seus laços com o Japão, vinha buscando apoio do barão Hisakata Shimazu, da família do antigo senhor do domínio de Kagoshima, e avançava secretamente com um plano de negócios. No entanto, a má sorte o perseguiu até o fim: o barão faleceu inesperadamente, e este projeto também teve que ser abandonado antes de ser iniciado.
Podemos imaginar o desapontamento do Sr. Kumabe. Apesar disso, ele não perdeu a esperança e, quando o Sr. Sanji Ōhira fez um novo contrato com o governo do Rio de Janeiro em 1910 (43º ano da Era Meiji), em parceria com Rafael Monteiro, para retomar o projeto da Colônia Santo Antônio que o Sr. Ryo Mizuno havia abandonado, ele participou novamente como uma continuação do empreendimento anterior. Mas, mais uma vez, devido à persistente dificuldade financeira, ele não teve outra escolha senão abandonar o projeto no meio do caminho.
Ao considerar os anos de infortúnios consecutivos que se passaram, o Sr. Kumabe foi forçado a refletir profundamente sobre o empreendimento de colonização que ele tanto almejava. O problema era a educação e o futuro de seus cinco filhos: quatro meninas e um menino. Ele viera para o Brasil com o propósito de construir uma colônia e estava preparado para as dificuldades, sacrifícios e contratempos que ele próprio enfrentaria. Contudo, como pai, sentiu-se sombrio ao pensar no futuro de seus cinco filhos.
Após muita deliberação, o Sr. Kumabe decidiu abandonar o passado, depositar todas as suas esperanças na felicidade dos filhos e devotar toda a sua energia à educação deles, esquecendo-se de todo o resto. Assim, em 1911 (44º ano da Era Meiji), ele se mudou para o Rio de Janeiro, onde conseguiu trabalho na Lage Irmãos, na Light and Power Company, ou em colaboração com o Sr. Yūzaburō Yamagata, vendendo sal e fornecendo alimentos e combustível para navios mercantes — fazendo o que fosse necessário para sustentar sua família.
Sua esposa, a Sra. Ioko, era de natureza firmemente paciente. Ela também trabalhou em empregos assalariados, compartilhando o fardo com o marido e, ao mesmo tempo, demonstrou as qualidades de uma dona de casa calorosa, desfrutando unicamente do crescimento de seus filhos. Nascida em 1868 (1º ano da Era Meiji), veio de uma família de prestígio pertencente à classe shizoku (antiga classe samurai) em Kanazawa, Província de Kanagawa. Ela se formou na Escola Feminina Aoyama (Aoyama Jogakuin) e chegou a ser professora na Academia de Inglês de Kumamoto (Kumamoto Eigakujuku), possuindo, portanto, a mais alta educação e cultura para aquela época (meados da Era Meiji).
O esforço e as dificuldades do casal Kumabe ao longo de muitos anos finalmente chegaram ao momento de serem recompensados. Em 1918 (7º ano da Era Taishō), a segunda filha, Teruko, e a terceira filha, Akiko, se formaram na Escola Normal do Governo Federal com as melhores notas.
As duas irmãs conseguiram imediatamente um emprego como professoras assistentes em escolas primárias no Brasil. Como a lei nacional exigia que fossem brasileiras para se tornarem professoras efetivas, elas adquiriram a nacionalidade brasileira em maio do ano seguinte, 1919 (8º ano da Era Taishō). Assim, essas duas irmãs foram as primeiras japonesas a se formar em uma escola secundária no Brasil e a iniciar o processo de naturalização.
O filho mais novo, Keiichi, estudou na América do Norte, retornou ao Brasil após concluir seus estudos, mas infelizmente contraiu febre tifoide e faleceu em um hospital em Santos. A filha mais velha, Mitsuko, casou-se com o Sr. Katsumi Fujita, engenheiro agrônomo da Colônia Iguape. A segunda filha, Teruko, casou-se com o Sr. Shichirō Haraguchi, um funcionário do consulado em serviço no Brasil, mas, tragicamente, após dois ou três anos, também faleceu. E a terceira filha, Akiko, casou-se com o Sr. Yutaka Nogami, na América do Norte e, em 1928 (17º ano da Era Taishō), o casal se mudou para o Brasil e comprou terras na região da estação Ribeirão Pires, nos arredores de São Paulo. A quarta filha, Eiko, casou-se com o Sr. Tsunazō Takahashi da Casa Nishitani no Rio de Janeiro.
Desta forma, o Sr. Kumabe e sua esposa idosa se tornaram residentes do estado de São Paulo a partir de 1923 (12º ano da Era Taishō), onde viviam a sua velhice. No entanto, em 19 de agosto de 1926 (15º ano da Era Taishō), o Sr. Kumabe embarcou em um navio de cabotagem em Santos, com destino ao Estado do Rio Grande do Sul, e, no meio do Oceano Atlântico, cometeu suicídio jogando-se ao mar. Ele partiu para o mundo eterno, deixando para trás na Terra as marcas de seus muitos anos de perseverança e luta.
O Sr. Kumabe, em seus últimos anos, viveu graças ao amor ilimitado do casal Nogami. Como era de se esperar de alguém com sangue de samurai e que se tornou um jurista na vida adulta, ele manteve a compostura até o fim. Sua esposa idosa, Ioko, aos noventa anos, ainda está vigorosa e robusta, gosta de pescar, cuidar do jardim, fazer artesanato e passa seus dias e noites calmamente e sem cansaço.
Se o objetivo final do projeto de estabelecimento de colônias é formar pessoas e criar uma sociedade melhor, o Sr. Kumabe, embora pareça ter deixado este mundo sem alcançar sua ambição, deve ser considerado recompensado, pois teve numerosos netos amados cujas atividades, como cidadãos na sociedade atual, são altamente valorizadas.