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杉村濬 Fukashi Sugimura

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

O caminho inicial para a introdução da imigração japonesa no Brasil foi aberto por Fukashi Sugimura, o terceiro Ministro Plenipotenciário do Japão no Brasil.Natural de Morioka, na província de Iwate, Sugimura possuía uma habilidade excepcional na arte do Kendo e, após mudar-se para Tóquio, dedicou-se com afinco ao estudo dos clássicos chineses.

Ingressou no Ministério dos Negócios Estrangeiros em outubro de 1880 (13º ano da Era Meiji), iniciando sua carreira no Consulado em Busan, na Coreia. Em sua segunda missão na Península Coreana, enquanto servia como Primeiro Secretário da Legação Japonesa, ocorreu o célebre incidente do assassinato da rainha em outubro de 1895 (28º ano da Era Meiji). Como um dos suspeitos, Sugimura foi encarcerado na prisão de Hiroshima por três meses, junto ao Ministro Goro Miura e outras dez pessoas. Durante o período na prisão, ele escreveu a obra intitulada 'Zaikan Kushin-roku' (Memórias das Dificuldades na Coreia).

mbora todos os suspeitos do incidente do assassinato da rainha tenham sido postos em liberdade e absolvidos por falta de provas, o Sr. Sugimura foi temporariamente afastado da carreira diplomática e transferido para o Governo-Geral de Taiwan. Posteriormente, conseguiu retornar ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, assumindo o cargo de Diretor-Geral do Departamento de Comércio. Em novembro de 1904 (37º ano da Era Meiji), foi nomeado Ministro Residente e designado para servir no Brasil. Sua chegada ao Rio de Janeiro ocorreu em 19 de abril do ano seguinte.

Após o retorno do Ministro Narinori Okoshi — que havia relatado ser o Brasil uma terra inadequada para os imigrantes japoneses —, o Ministro Sugimura assumiu o posto. Logo após sua chegada, acompanhado pelo secretário Kumaichi Horiguchi, que era fluente em francês, Sugimura realizou uma viagem de inspeção aos estados de Minas Gerais e, posteriormente, São Paulo, sob a ótica da introdução de imigrantes. Na ocasião, ele solicitou respostas definitivas do Secretário da Agricultura do Estado de São Paulo sobre os seguintes pontos:

1. Embora seja compreensível incentivar a composição familiar dos imigrantes para garantir sua fixação, se este Estado persistir rigidamente na aplicação da lei atual — que concede o subsídio das passagens apenas a grupos familiares —, a introdução de imigrantes japoneses poderá tornar-se difícil. Não haveria uma solução mais flexível ou uma proposta alternativa para este caso?
2. Qual é a perspectiva do governo de São Paulo quanto ao montante das despesas de imigração que poderá subsidiar? Além do subsídio governamental, haveria algum meio para que os próprios empregadores (fazendeiros) pudessem arcar com o custeio ou o reembolso dessas despesas?
3. Seria desnecessário o reembolso posterior dessas despesas de viagem? Em outras palavras, seriam tais valores concedidos como um subsídio a fundo perdido?

A resposta do Secretário da Agricultura a estas indagações foi a seguinte:
1. Exclusivamente para os imigrantes japoneses, será estabelecida inicialmente uma norma especial, pela qual o subsídio das passagens será concedido mesmo para pessoas solteiras.
2. Considerando que o Japão é um país distante, a expectativa é que o governo possa conceder um subsídio de aproximadamente 7 libras esterlinas por pessoa.
3. Não será necessário o reembolso posterior desses valores.

O Ministro Sugimura enviou também ao Ministro das Relações Exteriores, Jutaro Komura, o 'Relatório sobre a Acolhida das Autoridades e do Povo Brasileiro durante a Viagem ao Estado de São Paulo'. Nesse documento, ele detalhou a calorosa recepção em cidades como São Paulo, Ribeirão Preto e Taubaté, enfatizando que as sucessivas vitórias do Exército Imperial desde o início da Guerra Russo-Japonesa haviam despertado profunda admiração e respeito entre os estrangeiros. Além disso, ele encaminhou ao ministério uma série de relatórios extensos, precisos e valiosos, tais como: 'Condições da Imigração e Situação do Comércio no Brasil' (Brasil Imin Jijo) , 'Relatório de Inspeção sobre o Estado de Minas Gerais (Nambei Brasil Koku Minas Gerais Shu Shisatsu Fukemeisho)' e 'Relatório de Inspeção sobre a Situação da Imigração no Estado de São Paulo' (Nambei Brasil Koku São Paulo imin Jokyo Shisatsu Fukumeisho). Graças a esses relatos, o informe anterior do Ministro Okoshi — que descrevia a 'situação deplorável de 300 mil imigrantes italianos no Brasil' — foi finalmente relegado ao esquecimento.

Ao descrever detalhadamente as vantagens do país, o Ministro Sugimura afirmou que o Estado de São Paulo era, de fato, um paraíso e uma terra abençoada pela natureza, sendo ideal não apenas para imigrantes, mas também para capitalistas e empreendedores, devido ao preço extremamente baixo das terras próximas às ferrovias. O Ministério dos Negócios Estrangeiros providenciou a impressão e a ampla distribuição desse relatório, o qual atraiu significativamente a atenção de intelectuais e especialistas. A imprensa também repercutiu e publicou o conteúdo, criando assim um forte clima favorável à promoção da imigração para o Brasil.

Foi o estímulo causado pelo relatório do Sr. Sugimura que levou o Sr. Ryo Mizuno — que viria a ser o líder do primeiro grupo de imigrantes — a partir de Tóquio rumo ao Brasil em dezembro de 1905 (38º ano da Era Meiji), com o objetivo de firmar um contrato de imigração. Assim, logo após desembarcar no Brasil, a primeira atitude de Mizuno foi visitar o Ministro Sugimura, a quem declarou de forma direta: 'Vim de tão longe com a intenção de iniciar a introdução de imigrantes japoneses seguindo exatamente as suas recomendações; por isso, peço que interceda por mim junto às autoridades do Estado de São Paulo'.

O Ministro Sugimura alegrou-se imensamente com a proposta de Mizuno e, de imediato, designou o intérprete Miura para acompanhá-lo a São Paulo. Em 15 de abril, Mizuno partiu de Petrópolis junto ao intérprete Miura e, em São Paulo, reuniu-se com o Sr. Bento Bueno (ex-Secretário do Interior do Estado de São Paulo), então presidente de uma companhia de imigração e colonização, além de encontrar-se com o Presidente do Estado e o Secretário da Agricultura. Na ocasião, ele também realizou visitas de inspeção às principais fazendas da região.

Pouco antes de Mizuno retornar a Petrópolis, o Ministro Sugimura sofreu um colapso devido a uma hemorragia cerebral aguda enquanto caminhava pelos arredores da cidade, caindo em estado crítico e ficando acamado. Mizuno, como se tivesse vindo ao Brasil especialmente para prestar esse auxílio, dedicou-se arduamente aos cuidados do Ministro, zelando por ele até o momento de sua morte.

'Permaneci ao lado de seu leito, ministrando medicamentos por sete dias e sete noites mas, infelizmente, sem sucesso. Às 16h30 do dia 19 (maio do 39º ano da Era Meiji), o Ministro finalmente partiu para o descanso eterno. Ah, que tristeza! Que dor incomensurável!' Estas foram as palavras de despedida proferidas por Mizuno em lamento à morte do Ministro Sugimura.

O funeral do Sr. Sugimura foi organizado com toda a solenidade pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, em consulta com a esposa do Ministro e os membros da legação. Para o sentimento japonês da época, era de suma importância que os restos mortais pudessem retornar ao Japão. Havia um forte anseio cultural pela cremação, vista como o ritual necessário para que o espírito encontrasse paz em sua pátria; contudo, como não havia crematórios no Brasil naquela época, tal procedimento não foi permitido. Assim, ele foi sepultado no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, no jazigo nº 1332.

A canção popular que refletia o pensamento social logo após a Guerra Russo-Japonesa era 'Sob o sol poente vermelho da Manchúria' (Manchū no Akai Yūhi). Essa música expressava o anseio pelas vastas planícies do continente e pelos campos férteis localizados a dez mil milhas de distância. Os soldados que foram ao front e viram com os próprios olhos as savanas da Manchúria, que pareciam estender-se até o fim do mundo, ficaram com uma impressão nítida da estreiteza, do aperto e da pobreza do Japão. Esse sentimento, nascido nas terras manchures, transformou-se na realidade da travessia rumo ao Brasil para muitos emigrantes. Hoje, passados trinta ou quarenta anos, esses mesmos homens vivem desfrutando de uma aposentadoria tranquila e digna como pessoas de sucesso.

Não se deve esquecer que o fato de o Japão ter saído vitorioso na Guerra Russo-Japonesa abriu os olhos dos jovens cidadãos de uma nação ainda nova para o mundo, impulsionando-os rumo a Taiwan, Sacalina, Coreia, Manchúria, Mares do Sul e América do Sul. Nesse contexto, os inúmeros relatórios do Ministro Sugimura foram elaborados no momento exato, capturando perfeitamente essa oportunidade histórica. Foi essa conjunção de fatores que permitiu à imigração para o Brasil, na América do Sul, desempenhar um papel de importância secular na história do Japão.

Dentre os pioneiros que, inspirados pelo relatório do Ministro Sugimura, decidiram cruzar o oceano rumo ao Brasil, destacam-se nomes como Saburo Kumabe, Umekichi Akiho, Teijiro Suzuki, Ryoichi Yasuda e Masahiko Matsushita. É um destino profundo e significativo que o Sr. Sugimura, o homem que abriu as portas para a imigração japonesa, tenha se tornado parte da terra brasileira. Seu espírito heroico permanece eternamente no Brasil, velando pela trajetória e pelo florescimento de seus compatriotas.

Cabe mencionar que Yotaro Sugimura (condecorado com a Primeira Classe da Ordem do Tesouro Sagrado e o Terceiro Grau na Ordem de Precedência da Corte, falecido em 1939 aos 56 anos), que serviu como Embaixador do Japão na Itália e na França, era filho do Ministro Sugimura.

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