Newsletter Subscribe
Enter your email address below and subscribe to our newsletter
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

O ponto inicial da imigração em massa para o Brasil foi aberto pelo Sr. Ryu Mizuno, que liderou o navio Kasato Maru. No entanto, o início da colonização agrícola foi deflagrado pelo Sr. Ikutaro Aoyagi.
Em 1907 (40° ano do Era Meiji), o Sr. Aoyagi, junto ao visconde Kanetake Ōura como figura central, o doutor em engenharia Yoshinosuke Hasegawa e o Sr. Takejirō Tokonami, entre outros, avançaram em estudos sobre os métodos de implementação da colonização no Brasil.
No ano seguinte, 1908 (41° ano da Era Meiji), com a formação do Segundo Gabinete Katsura, o visconde Ōura (Kanetake Ōura) assumiu o cargo de ministro da Agricultura e Comércio. Ao detalhar a situação de que o arroz, o principal alimento básico da nação, estava em déficit anual e precisava ser suprido por nações estrangeiras como parte de sua política principal, ele sentiu profundamente a necessidade urgente da colonização na América do Sul.
Por iniciativa própria, ele persuadiu o primeiro-ministro Katsura e consultou o ministro do Interior, Hirata, obtendo a aprovação de ambos.
Esforçando-se para estabelecer uma política governamental para o projeto de colonização sul-americana, Ōura e seus colegas concordaram e apresentaram ao primeiro-ministro Katsura um longo memorando de opinião em nome de Ikutarō Aoyagi, anexando quatro razões.
Contudo, o ministro do Interior Hirata, por ter uma natureza que ponderava as coisas meticulosamente, não se contentou apenas com o memorando e solicitou uma consulta mais detalhada. Em resposta, o Sr. Aoyagi submeteu novamente um relatório minucioso, desta vez dividido em oito pontos, abrangendo o crescimento populacional, problemas sociais e a agricultura interna. Ele enfatizou que, para a colonização japonesa na época, não havia outro lugar senão o Brasil. Aoyagi advertiu que caso não fosse iniciada naquele momento, o Japão perderia o único território colonial restante reservado para japoneses em um canto do mundo, o que se tornaria um arrependimento que duraria mil anos.
Mesmo assim, o ministro das Relações Exteriores Jutaro Komura se opôs veementemente ao memorando do Sr. Aoyagi a partir de um ponto de vista diplomático. Por essa razão, a iniciativa de debater a questão no Conselho de Ministros e de estabelecer uma política governamental definida acabou fracassando.
Assim, o grupo decidiu, por consenso, abandonar a via governamental e iniciar o projeto por conta própria, com o apoio de seus colegas. Eles obtiveram o consentimento de figuras como o grande proprietário de terras Kōjirō Ōsawa, Arata Hamao, Shigetake Sugiura e Takeo Nakano, e fundaram um sindicato empresarial chamado Sindicato de Tóquio. Visto que o visconde Ōura era o ministro da Agricultura na época, ele evitou investir em seu próprio nome, utilizando, em vez disso, o nome de seu genro e secretário, o Sr. Tei Hori.
O Sindicato de Tóquio decidiu enviar o Sr. Aoyagi ao Brasil para concretizar o plano. Assim, o Sr. Aoyagi partiu de Tóquio em 30 de junho de 1910 (43° ano da Era Meiji), fez uma parada na Alemanha via Sibéria e chegou ao Rio de Janeiro em 14 de setembro do mesmo ano.
A estada do Sr. Aoyagi no Brasil se estendeu por 18 meses, sendo que seis deles foram dedicados a percorrer quase todo o estado de São Paulo, além dos três estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O objetivo era investigar as condições gerais e inspecionar in loco as colônias estabelecidas por imigrantes alemães e italianos nessas regiões.
O restante do tempo foi gasto principalmente na cidade de São Paulo, focado em negociações com a Assembleia Legislativa Estadual e o governo do estado.
Com base em seu próprio reconhecimento de campo, o Sr. Aoyagi concluiu que, na zona costeira do estado de São Paulo, o território localizado entre o Rio Ribeira e as áreas de Pariquera-Açu e Cananeia, no município de Iguape, seria o mais adequado para o estabelecimento de colônias japonesas.
Assim, em 14 de fevereiro de 1911 (44° ano da Era Meiji), ele apresentou uma petição ao então governador de São Paulo, Albuquerque Lins, visando a doação gratuita de terras públicas naquela região. A essência do requerimento definia que o Sindicato de Tóquio se comprometeria a assentar cinco mil famílias de agricultores japoneses na região de Iguape no prazo de dez anos, e, em troca, o governo do estado de São Paulo deveria doar gratuitamente 150 mil hectares de terras públicas ao Sindicato de Tóquio; reembolsar os custos de transporte dos imigrantes; estabelecer fazendas-modelo e postos de experimentação agrícola dentro da área da colônia; abrir estradas conectando a colônia com a estação ferroviária e o porto marítimo mais próximos.
Com base nessa proposta, repetidas negociações ocorreram entre o Sr. Aoyagi, o governo estadual e a Assembleia Legislativa. Após muitas reviravoltas, a Câmara dos Deputados e o Senado de São Paulo finalmente aprovaram a doação gratuita de 50 mil hectares de terra e concederam ao governo do estado a autoridade para celebrar o contrato de colonização. Além disso, o estado acatou quase a totalidade das propostas solicitadas pelo Sr. Aoyagi, indo além da simples doação de terras.
O contrato de colonização entre o governo estadual e o Sr. Aoyagi foi finalmente assinado em 8 de março do ano seguinte, 1912. O Sr. Aoyagi dedicou-se de corpo e alma a esta negociação por um ano inteiro. Ele regressou às pressas ao Japão, levando consigo o fruto de seu esforço, e submeteu o relatório de missão cumprida ao Sindicato de Tóquio em 1º de maio de 1912 (45° ano da Era Meiji).
Com a conclusão do contrato de doação gratuita de terras, tornou-se urgente a necessidade de uma empresa que pudesse assentar os colonos e gerenciar o projeto de colonização.
Por isso, o Sr. Aoyagi e seus colegas tentaram estabelecer uma empresa em Tóquio, mas, como se tratava de um empreendimento que não geraria lucro facilmente no início, os investidores se mostraram hesitantes e não responderam prontamente à solicitação de capital. Diante disso, não restou outra alternativa senão recorrer à mediação e ao apoio do governo japonês.
Felizmente, em 21 de dezembro do mesmo ano, foi estabelecido o terceiro gabinete Katsura. O primeiro-ministro Katsura acumulou o cargo de ministro das Relações Exteriores e o Sr. Oura tornou-se ministro do Interior. Por iniciativa do primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores Katsura, em 13 de janeiro de 1913 (segundo ano da Era Taisho), mais de trinta destacados empresários da região de Keihin (Tóquio-Yokohama), incluindo o barão Eiichi Shibusawa e o presidente do Banco do Japão, Korekiyo Takahashi, foram convidados para a residência oficial do ministro das Relações Exteriores em Kasumigaseki.
O próprio primeiro-ministro apelou fervorosamente para que criassem uma empresa colonizadora, sem considerar lucros ou prejuízos, pelo bem da nação. Naquela reunião, foi estabelecido um comitê de fundação da empresa, com o barão Shibusawa como presidente. Em seguida, em 15 de março, realizou-se na Câmara de Comércio de Tóquio a assembleia geral de fundação da Companhia de Colonização do Brasil S.A. (Brasil Takushoku Kabushiki Kaisha).
Assim, a empresa foi finalmente estabelecida com um capital de um milhão de ienes. Sete diretores e três auditores foram eleitos, sendo o visconde Tadaaki Sakai o presidente do Conselho de Administração e o Sr. Taka Kawada o diretor executivo.
O Sr. Aoyagi, que também se tornou diretor com a fundação da empresa, viajou imediatamente para São Paulo para concluir os procedimentos junto ao governo estadual. Em seguida, ele se estabeleceu no local, dando início ao projeto de criação da Colônia Iguape.
Graças aos esforços do então presidente do Conselho Municipal de Iguape, Antônio Jeremias, o órgão aprovou também a doação gratuita de aproximadamente 1.400 hectares, localizados em Jipobra, às margens do Rio Ribeira, entre Iguape e Registro. Esta ação foi uma forma de garantir que o município de Iguape não ficasse para trás no desenvolvimento da colonização que se concentrava na área de Registro.
Esta colônia de Jipobra foi posteriormente rebatizada como Colônia Katsura, em 1914 (terceiro ano da Era Taishō), em homenagem aos esforços de Tarō Katsura, ex primeiro-ministro.
O Sr. Aoyagi, ao iniciar a organização da colônia, nomeou e distribuiu as funções dos seguintes especialistas: Katsumi Fujita como Engenheiro Agrônomo, Chōichi Ōno, Hideyoshi Nomura e Genzaburō Miura para levantamento e medição, Masao Hashida para o campo de experimentação agrícola e o Dr. Kenzō Kitajima como médico.
Os primeiros colonos começaram sob um sistema de trabalho assalariado, mas, posteriormente, foi implementado um sistema de parceria: 14,88 hectares de terra eram doados gratuitamente, eles recebiam moradia e deviam entregar 35% da produção à companhia. O sucesso desse sistema de colonos autônomos e cooperados estimulou os japoneses residentes no Brasil e foi o embrião para a fundação das colônias Hirano e Uetsuka.
O projeto de reassentamento de imigrantes é conhecido como uma das tarefas mais difíceis, como uma maratona sem linha de chegada. A Colônia Iguape não foi exceção: problemas como o manejo dos moradores brasileiros preexistentes na área da colônia, a escassez de fundos devido à dificuldade em cobrar o capital subscrito não pago no Japão e a baixa adesão de novos colonos foram problemas que persistiram mesmo após a Companhia de Colonização do Brasil ser incorporada à Companhia Ultramarina de Colonização (Kaigai Kōgyō Kaisha), com capital de dez milhões de ienes, em dezembro de 1917 (6° ano da Era Taishō).
A Colônia Iguape, que inicialmente tinha o arroz como principal cultura, levou a Companhia Ultramarina de Colonização a construir em 1922 (11° ano da Era Taishō), na cidade de Registro, uma fábrica de beneficiamento de arroz que foi considerada a maior da América do Sul. O projeto expandiu-se, avançando para o cultivo de cana-de-açúcar, mandioca, café, banana e chá, e também para a produção de cachaça (aguardente), traçando assim um caminho de desenvolvimento progressivo.
Os cargos de liderança na Colônia Iguape foram assumidos sucessivamente por funcionários que haviam recebido a orientação do Sr. Aoyagi e eram entusiastas do projeto de colonização. Graças à escolha acertada do Sr. Aoyagi, a região era também saudável (livre de doenças graves), o que contribuiu para a formação da grande colônia de Registro atual.
O pioneiro Sr. Aoyagi, que assumiu a primeira gestão de colônias japonesas no Brasil, serviu, em sua capacidade pública, como o primeiro presidente da Associação de Assistência Mútua dos Japoneses no Brasil (Nihonjin Dōjin-kai). Após seu retorno ao Japão, dedicou-se por longo tempo como diretor da Associação Latino-Americana.
Em reconhecimento aos seus serviços na colonização, ele foi agraciado com a medalha de honra com fita azul (Ranju Hōshō) durante o Festival Comemorativo dos 2600 Anos do Império, em 1940.
Além disso, quando o Sr. Mitsusada Umetani viajou a São Paulo em janeiro de 1927 (segundo ano da Era Showa) como diretor executivo da Federação das Associações de Imigração (Ijū Kumiai Rengō-kai) para tratar da compra de terras para colônias, ele solicitou e obteve o apoio do Sr. Aoyagi, que foi convidado a vir ao Brasil como seu consultor.
O Sr. Aoyagi nasceu em junho de 1867 (terceiro ano da Era Keiō), na província de Chiba. Ele faleceu em sua residência em Ōmori, Tóquio, em 16 de fevereiro de 1943 (18º ano da Era Showa), no auge da guerra, completando 84 anos de vida.
(Nota: Acredita-se que o ano de falecimento do Sr. Aoyagi seja 1944 (19° ano da Era Showa). Ver referência na seção posterior sobre Wasaburō Ōtake.