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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A Associação Ultramarina de Shinano (Shinano Kaigai Kyōkai), que deu origem à Colônia Aliança, foi fundada em 29 de janeiro de 1922 (11º ano da Era Taishō), por iniciativa e planejamento dos Srs. Shizuku Nagata, Shungorō Wakochi e Takuma Miyashita, com cinco notáveis como promotores: Heikichi Ogawa (presidente do conselho de estado), Gosuke Imai (membro da Câmara dos Pares), Tadahiko Okada (governador da província), Chūzō Kasahara (presidente da Assembleia Provincial) e Toratarō Satō (presidente da Associação de Educação de Shinano). O Sr. Gosuke Imai forneceu suporte financeiro para a fundação desta Associação.
Após a fundação da associação, os Srs. Nagata e Wakochi, como parte de seu projeto, arrecadaram 200.000 ienes em doações de voluntários da província. Eles planejaram adquirir 5.000 hectares de terra no Brasil para criar uma colônia e enviar inicialmente 200 famílias de agricultores independentes.
A razão para isso era que, se cada família possuísse 25 hectares, 200 famílias necessitariam de 5.000 hectares, o que era considerado o mínimo necessário sob o ponto de vista de instalações para indústria, educação, higiene e, principalmente, de autossuficiência econômica.
O governador Chiji Okada, presidente da Associação Ultramarina de Shinano, que recebeu este projeto, percebeu a dificuldade em arrecadar as doações necessárias e deixou o plano de lado, "dormindo" numa gaveta.
O governador seguinte, Honma, era uma pessoa bastante proativa e decidiu levar o plano adiante.
Em 13 de maio de 1923 (12º ano da Era Taishō), ele convocou a assembleia geral da associação, reunindo diretores, chefes distritais e prefeitos, na qual fez a importante declaração sobre a construção da colônia no Brasil, decidindo-se pela execução imediata.
Quem primeiro contribuiu com a grande soma, na época, de 50.000 ienes, foi o respeitável Sr. Kanetarō Katakura. Estes 50.000 ienes foram telegrafados ao cônsul em Bauru na época, Sr. Tetsusuke Tarama, e utilizados como fundos para a compra de terras.
Enquanto isso, no Brasil, o Sr. Shungorō Wakochi, que estava na Colônia Iguape, mudou-se para a linha da Estrada de Ferro Noroeste e se dedicou à pesquisa e seleção de terras. O Sr. Chikazo Kitahara concentrou-se na aquisição de conhecimentos preliminares sobre o cultivo e a gestão do café.
Em agosto de 1924 (13º ano da Era Taishō), o diretor da Associação, Sr. Shizuku Nagata, visitou o Brasil para a decisão final sobre a colônia. Juntamente com o cônsul Tarama e os Srs. Wakochi e Kitahara, ele realizou uma inspeção de campo da terra e selecionou a primeira Colônia Aliança de 5.500 hectares.
Ocorre que a sede da associação enfrentou dificuldades em arrecadar os 200.000 ienes e informou que só poderia enviar 50.000 ienes, sugerindo que o projeto da colônia fosse reduzido ao tamanho que pudesse ser comprado com essa quantia.
A terra que podia ser comprada com 50.000 ienes correspondia a cerca de um terço do plano original.
Visto que isso seria incompleto e afetaria o desenvolvimento futuro, o pessoal no local assinou um contrato para a terra do tamanho planejado 5.500 hectares, a ser pago em três parcelas anuais.
Contudo, como eram necessários fundos para a abertura das terras e outras despesas operacionais, o pessoal no Brasil solicitou à sede o envio de 20.000 ienes. Porém, como nem um centavo havia sido arrecadado além dos 50.000 ienes do Sr. Katakura, a sede também não tinha o dinheiro e não pôde enviar o valor.
Além disso, neste momento crucial, o governador da província de Nagano foi novamente transferido, e o Sr. Mitsusada Umetani assumiu o cargo como sucessor do Sr. Honma.
O Sr. Umetani era um homem que compreendia o sofrimento do Sr. Nagata, que estava estagnado diante da floresta virgem do Brasil. Ele chamou o chefe da Divisão de Assuntos Internos da Província e disse: "É uma vergonha para o Japão deixar na mão aqueles que dedicam suas vidas ao plano centenário da nação numa terra tão distante. Não importa de onde venha o dinheiro, envie-o ao Nagata. Eu, Umetani, assumirei a responsabilidade." Com isso, ele enviou 20.000 ienes do fundo da Associação de Prevenção à Tuberculose para o Sr. Nagata.
Assim, a Colônia Aliança nasceu da vontade dos respeitáveis Srs. Imai e Katakura, e a abertura da terra foi impulsionada pela decisão do governador Umetani.
Em 20 de novembro de 1924 (13º ano da Era Taishō), o casal Kitahara, que havia montado acampamento e construído um barracão de pioneiros no meio da floresta virgem, a 37 quilômetros da Estação Lussanvira da Estrada de Ferro Noroeste, levando consigo carpinteiros e outros poucos homens, recebeu as quatro famílias, Ogawa, Suzuki, Kamijō e Shinohara, que chegaram como os primeiros imigrantes em agosto do ano seguinte, 1925 (14º ano da Era Taishō). A emoção sentida por eles naquele momento é, verdadeiramente, indescritível.
A Colônia Aliança recebeu sucessivas levas de colonos, incluindo pessoas instruídas que eram criticadas com o apelido de "Gin Bura Imin" (abreviação para "passear por Ginza". Referência a uma rua comercial e elegante de Tóquio). Em três anos [texto original sic], cerca de mil japoneses se estabeleceram nessa região de floresta virgem.
Contudo, são necessários muitos esforços e anos para que uma colônia seja estabelecida de forma respeitável e se desenvolva. A Aliança também foi impedida por circunstâncias econômicas inevitáveis e mergulhou no auge da confusão e da desordem por volta de 1930–31 (5º ou 6º ano da Era Shōwa), aproximadamente seis ou sete anos após sua fundação.
Por outro lado, a Federação de Cooperativas de Emigração Ultramarina , que nasceu em 1º de agosto de 1927 (2º ano da Era Shōwa), elegeu imediatamente o ex-Embaixador no Brasil, Sr. Shichita Tatsuke, como seu Presidente, e o ex-governador da província de Nagano, Sr. Mitsusada Umetani, assumiu o cargo de diretor executivo.
O Sr. Umetani deixou o Japão em 24 de outubro do mesmo ano e chegou ao Brasil em 10 de dezembro, abrindo o escritório da Federação na Rua Libero Badaró, em São Paulo, e dedicou-se à seleção e compra de terras para as colônias.
Primeiramente, ele trouxe o Sr. Shungorō Wakochi, que presidia a Colônia Aliança como diretor da Associação Ultramarina de Shinano, para participar das estratégias chave do planejamento. Ainda, nomeou o advogado brasileiro Carlos Morais Andrade e o tradutor juramentado Hideo Sugiyama como consultores jurídicos. Ele também selecionou o Sr. Senjirō Hatanaka, conselheiro do Departamento de Imigração do Consulado Geral em São Paulo, e o engenheiro de levantamento sanitário da Associação Dōjinkai, Sr. Tokuya Koseki, para se dedicarem exclusivamente à pesquisa e seleção prática de terras.
Por fim, nomeou o Sr. Senzō Takeishi como secretário e convidou o Sr. Ikutarō Aoyagi, autoridade no setor que fundou a Colônia Iguape, do Japão para o Brasil como consultor.
O Sr. Umetani permaneceu no Brasil por um total de 18 meses durante seus quatro anos de mandato, que terminou em fevereiro de 1931 (6º ano da Era Shōwa). Desse tempo, os dias gastos em viagem somaram 281 dias, cobrindo uma distância estimada de 72.000 quilômetros. Se somarmos a isso as duas viagens de ida e volta ao Japão, a quilometragem total chega a mais de 100.000 quilômetros.
Além disso, as duas expedições de pesquisa que ele realizou para as bacias do Rio Doce e seu afluente, o Suaçuí Grande, no estado de Minas Gerais, foram verdadeiras aventuras extraordinárias.
Em uma ocasião, ele teve que deitar em uma canoa feita de tronco com febre próxima a 40°C. Em outra, passou a noite em uma cabana de sapê atormentado por mosquitos e pulgas. Seus sofrimentos foram indescritíveis.
As terras que ele adquiriu após essa investigação sacrificial foram:
1- 30.000 hectares em Bastos, na Linha Sorocabana.
2- Um total de 3.300 hectares em terras adjacentes à Colônia Aliança na Linha Noroeste.
3- 117.000 hectares em Tietê, na Linha Noroeste, (excluindo duas áreas descontínuas ao longo do Rio Paraná).
As três regiões em conjunto totalizavam uma área de aproximadamente 150.000 hectares.
Ele, ainda, planejou a compra de 30.000 hectares no norte do estado do Paraná, 7.000 hectares de terras adjacentes à Aliança e avançou nas negociações para a concessão de 125.000 hectares de terras estatais de Minas Gerais.
Dentre esses, a área de Três Barras, no norte do Paraná, e as terras adjacentes à Aliança foram de fato adquiridas pelo diretor executivo Umetani.
No entanto, a concessão em Minas Gerais foi cancelada na gestão do presidente seguinte, Hirano, devido à dificuldade da situação migratória na época.
Portanto, deve-se dizer que as colônias atualmente conhecidas como Companhia de Colonização do Brasil (Burataku) foram inteiramente fundamentadas pelas mãos do Sr. Umetani, durante a gestão do presidente Tatsuke.
Conforme mencionado anteriormente, o Sr. Umetani selecionou terras adjacentes à Colônia Aliança, juntamente a Tietê e Bastos. Ele fez isso incapaz de apenas observar a situação desesperadora da Aliança e buscou como medida de resgate a unificação das quatro cooperativas de imigração.
Para esse fim, ele audaciosamente comprou novas terras adjacentes à Aliança em preparação para a unificação, e também tomou a decisão unilateral de conceder empréstimos que não estavam previstos no orçamento.
De fato, sua justiça e cavalheirismo, motivados por sua profunda empatia, foram gravados na memória de todos os colonos da Aliança.
Além disso, baseado em sua experiência no local, o Sr. Umetani defendeu que a Federação de Cooperativas de Emigração Ultramarina alterasse a gestão direta das cooperativas de cada província e estabelecesse um órgão representativo regido pela legislação brasileira para assumir a administração unificada. Ele propôs que as colônias não tivessem divisões por província de origem; que a distribuição de terras fosse realizada diretamente aos membros das cooperativas pelo referido órgão representativo; e que a alocação de terras para o assentamento fosse feita por ordem de chegada dos colonos.
Ele também argumentou que as cooperativas provinciais deveriam se limitar a ser organizações no Japão; que a criação de cooperativas fosse rapidamente universalizada; que a política de um sistema de 200 famílias por cooperativa e a expansão de 8 cooperativas por ano fosse abandonada a fim de atender à demanda de todos os interessados em imigrar no Japão; e que os colonos não se limitassem apenas aos membros das cooperativas que vinham diretamente do Japão, mas que se incluísse amplamente cidadãos japoneses residentes no Brasil e, se necessário, que as portas fossem abertas também a brasileiros e outros estrangeiros, de modo a se adequar à situação nacional do Brasil. Ele incitou a rápida concretização dessa decisão.
A Federação de Cooperativas de Emigração Ultramarina, embora reconhecendo a proposta, estava hesitante, sendo restringida pelas circunstâncias em que se encontravam. Aproveitando a aquisição das terras de Tietê e Bastos, o Sr. Umetani retornou apressadamente ao Japão. Com o forte apoio do então embaixador no Brasil, Sr. Akira Ariyoshi, e do cônsul-geral em São Paulo, Sr. Sukeyuki Akamatsu, finalmente houve um acordo no final de outubro de 1928 (3º ano da Era Shōwa), e a proposta foi aprovada pela Federação de Cooperativas de Emigração Ultramarina em sua quinta assembleia geral em 26 de dezembro do mesmo ano.
Em janeiro de 1929 (4º ano da Era Shōwa), foi decidida a fundação da Companhia de Colonização do Brasil (Yūgen Sekinin Burajiru Takushoku Kumiai) como órgão representativo da Federação de Cooperativas de Emigração Ultramarina. O Sr. Umetani imediatamente viajou novamente ao Brasil via Europa, realizou os procedimentos formais relativos ao assunto, e a Companhia de Colonização do Brasil foi estabelecida em 25 de março do mesmo ano.
O Sr. Umetani também defendia a tese de que a colonização japonesa deveria ser dispersa por várias nações sul-americanas.
Como parte de seu plano para uma colônia no Paraguai, ele projetou a aquisição de 430.000 hectares oferecidos pela empresa Fauce Huarzalde [texto original sic], 70 quilômetros de ferrovias, serrarias e gado, planejando o assentamento de 5.000 famílias em dez anos.
Contudo, ele foi rejeitado pelo presidente da Federação de Cooperativas de Emigração Ultramarina, Sr. Hachisaburō Hiranuma, com a seguinte declaração: "Não o ordenei a viajar para o Paraguai. Quero que considere o plano paraguaio como sendo uma iniciativa puramente pessoal."
Diante disso, o Sr. Umetani apresentou sua carta de demissão como diretor executivo da Federação de Cooperativas de Emigração Ultramarina e deixou o cargo.
Ao refletir sobre o boom da imigração no Paraguai no pós-guerra, é notável como o Sr. Umetani já tinha seus olhos voltados para essa região mais de 30 anos antes.
Em uma sala do Chūōtei, um clássico restaurante de culinária ocidental em Tóquio, local de reuniões de figuras proeminentes, quatro pessoas se reuniram: o então vice-ministro da Guerra, Koisoku, o chefe do Escritório de Assuntos Militares, Nagata, e os Srs. Gosuke Imai e Shizuku Nagata. O tópico era a Imigração para a Manchúria.
O vice-Ministro perguntou: "Então, decidimos iniciar a Imigração para a Manchúria?" O chefe do Escritório de Assuntos Militares questionou: "Quem devemos colocar como figura central?" O Sr. Imai, acariciando sua barba branca, respondeu: "Talvez Umetani."
Em menos de um mês, o Sr. Umetani viajou para a Manchúria com o status de general da Brigada do Exército (Rikugun Shōshō taigū).
Com a influência do chefe do Estado-Maior do Exército de Kwantung, Koisoku, um empréstimo de 5 milhões de ienes foi obtido da Companhia Ferroviária do Sul da Manchúria (Mantetsu), possibilitando a compra de 4 milhões de hectares de terra para a colonização na Manchúria.
O Sr. Umetani foi um benfeitor que dedicou sua vida a um grande empreendimento – planejar e executar o desenvolvimento japonês no exterior, seja no Brasil ou na Manchúria.