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加藤友治 Tomoji Kato

quinta-feira, 10 de março de 2011

O Montevideo Maru, que transportava o primeiro grupo de imigrantes para a colonização da Amazônia, partiu do porto de Kobe em 24 de julho de 1929 (4º ano da Era Shōwa), chegando ao Rio de Janeiro em 7 de setembro. O grupo passou por Belém e desembarcou no cais da Colônia de Acará (atual Colônia Tomé-Açu) às 8h30 da manhã do dia 22 do mesmo mês.

Eles plantaram o cacau como cultura principal e semearam arroz, mas o arroz em casca produzido no ano seguinte valia apenas 7 dólares por saca, uma pechincha, depois de terem consumido arroz beneficiado que custava 90 dólares por saca. Em 1931 (6º ano da Era Shōwa), uma cooperativa de hortifrúti foi formada, e os colonos passaram a ganhar a vida transportando tomate, nabo, berinjela e pepino para o mercado de Belém. Chegou-se ao ponto de, ao saírem para Belém, serem chamados de "Nabo, Nabo", em vez de "Japonês".

Os imigrantes da quarta leva, ao verem a situação da colônia, abandonaram todos o cultivo, perguntando-se se aquilo não seria um inferno, onde não se podia nem comer, muito menos fixar um local para residência permanente. Em abril de 1931 (6º ano da Era Shōwa), a negociação entre a Companhia de Colonização da América do Sul (Nanbei Takushoku Kaisha) e os colonos sobre o pagamento do arrendamento da terra se agravou, sendo resolvida somente após concessões da companhia. Para os imigrantes da Amazônia no período inicial da colonização, o caminho de espinhos foi interminável.

Em 1933 (8º ano da Era Shōwa), vinte mudas de pimenta da variedade do sul da Ásia trazidas pelo Sr. Makinōsuke Usui foram transplantadas para a fazenda. Deste total, apenas duas mudas germinaram. Em 1935 (10º ano da Era Shōwa), quando a fazenda foi fechada, os Srs. Tomoji Katō e Enji Saitō receberam essas mudas, cuidaram delas e as multiplicaram.

Com a interrupção da importação de pimenta durante o período da guerra, o preço de mercado da pimenta-do-reino subiu inesperadamente para 30 dólares o quilo. Em 1946 (21º ano da Era Shōwa), esse valor disparou para 85 dólares, e o entusiasmo pela pimenta cresceu subitamente, com todos declarando: "A pimenta-do-reino é promissora!"

A produção de pimenta manipulada pela Cooperativa Agrícola de Acará (Akara Sangyō Kumiai) em 1938 (Shōwa 13) foi de 70 quilos (700 dólares). Em 1950 (Shōwa 25), essa produção atingiu 80 toneladas (8.500 contos), passou para 900 toneladas em 1955 (Shōwa 30) e chegou a uma colheita de 1.300 toneladas em 1958 (Shōwa 33).

O Sr. Tomoji Katō, natural de Sagae-machi, Nishi-Murayama-gun, província de Yamagata, recebeu na mensagem de despedida os dizeres "shindo fuji", provérbio cujo significado é "corpo e terra são inseparáveis", do velho Monsaburō Kunii. Mesmo na época de crise em que os colonos estavam abandonando o cultivo em massa, ele tomou a grande decisão de que seria o suficiente "se conseguisse sobreviver comendo", pois estava determinado a enterrar seus ossos na colônia.

Foi então que o Sr. Hachirō Fukuhara o aconselhou, dizendo: "Os japoneses estão bebendo pinga (aguardente de cana) demais. Isso vai arruinar a saúde deles. Por que você não tenta fazer saquê?" Com um subsídio de 200 dólares, ele obteve fermento de cerveja na cidade de Belém, produziu saquê e o vendia aos colonos para complementar sua renda. Foi por acaso, quando ele foi vender este saquê na administração da fazenda de Asahizāru (conforme o original), que ele viu a pimenta-do-reino trazida pelo Sr. Usui dando frutos. Ao notar que os frutos eram excepcionalmente diferentes da variedade original, ele concluiu que esta era a planta adequada para o solo da região.

Naquela época, em 1946 (21º ano da Era Shōwa), quando o valor começou a surgir, o Sr. Katō cultivava cerca de 800 pés (com uma produção anual de 500 quilos). No entanto, visando a reestruturação da colônia, ele e o Sr. Enji Saitō distribuíram as mudas gratuitamente para que todos as plantassem.

Em 1950, o preço atingiu o valor máximo de 100 dólares o quilo; em 1953, chegou a 150 dólares; e em 1954, o preço de atacado na cidade de São Paulo alcançou 220 dólares. De repente, isso deu origem ao boom econômico do "diamante negro", e a Colônia Tomé-Açu, produtora de pimenta, passou a ser o centro das atenções como o "vilarejo mais rico de todo o Brasil".

Após mais de 20 anos de sofrimento, a luz brilhante da prosperidade renovada chegou. A colônia renovou completamente sua aparência: construíram novas casas de tábua para substituir as cabanas inclinadas, expandiram os armazéns, compraram caminhões e adquiriram rádios e geladeiras.

A onda de prosperidade, é claro, teve como origem os Srs. Katō e Saitō, que foram os pioneiros da pimenta-do-reino. A advertência dos dois, que atuavam como conselheiros, era: "Prosperidade e crise andam lado a lado. Não gaste dinheiro desnecessariamente; preparem-se para a recessão". O Sr. Katō, por sua vez, limitou-se a reformar seus armazéns, fábrica de beneficiamento de arroz e estufa de secagem. Ele sequer visitou São Paulo, e, em vez disso, realizou seu antigo sonho: subir o Rio Amazonas com seus companheiros.

A queda no preço da pimenta a partir do ano de 1956 (31º ano da Era Shōwa) causou um impacto que lançou a colônia no fundo do poço da crise. Contudo, o Sr. Katō, que havia previsto esse acontecimento, foi um dos poucos que traçou planos para o futuro com tranquilidade.

Em 31 de dezembro do mesmo ano, ele faleceu subitamente. No entanto, o nome do Sr. Tomoji Katō, como o benfeitor da regeneração da Colônia Tomé-Açu e como pioneiro da colonização da Amazônia, permanecerá para sempre na história da imigração japonesa.

Como figura pública, o Sr. Katō foi eleito diretor executivo da Cooperativa Agrícola da Colônia de Acará após a reorganização em 1937 (12º ano da Era Shōwa). A partir de 1939 (14º ano da Era Shōwa), ele atuou subsequentemente como presidente do Conselho. Desde 1947 (22º ano da Era Shōwa), ele passou a ser consultor de negócios, cedendo o caminho aos sucessores, e dedicou-se tranquilamente aos seus próprios empreendimentos.

Seus hobbies eram a leitura e a fotografia. Ele estava sempre atento aos acontecimentos mundiais através do rádio e dos jornais. Graças à sua capacidade de crítica lúcida, era conhecido como um dos intelectuais da Colônia Tomé-Açu. Ele era hábil em conversação e uma pessoa que recebia os visitantes calorosamente com uma atmosfera familiar.

Após a morte do Sr. Tomoji Katō, o filho mais velho, Kunizō, passou a presidir os negócios. A situação atual da Fazenda Katō é a seguinte: além de cultivar arroz e mandioca, possui 18.000 pés de pimenta (produção anual de mais de 30 toneladas) e 100 hectares de plantação de sisal, com uma produção anual de 95 toneladas. Ele administra uma fábrica de fibras de sisal, uma fábrica de moagem de mandioca e uma beneficiadora de arroz.

Ele sempre proferia a advertência: "Um fazendeiro que compra arroz para comer não é um fazendeiro. Deve-se produzir o próprio alimento. É perigoso depender apenas da pimenta só porque o preço está bom". Kunizō atua como um sucessor inestimável, que dá continuidade à vontade de seu rígido pai. Nas eleições para a diretoria da cooperativa em 1958 (33º ano da Era Shōwa), ele foi eleito como um dos diretores.

A propósito, o Sr. Tomoji Katō, antes de viajar para o Brasil, trabalhou na loja Tarōbee Saratani, uma atacadista de sal, fertilizantes e grãos, e em uma empresa de fabricação de saquê. Com base em sua experiência nessa empresa, ele usou esse conhecimento para ganhar a vida produzindo saquê em um canto da Amazônia, no outro lado do mundo. É interessante notar que essa iniciativa ocorreu na mesma época em que a Casa Tōzan de São Paulo iniciou a produção de saquê, como Azuma Kirin e o Azuma Hōō, para a comunidade japonesa residente, como uma forma de oposição à aguardente de cana (pinga), considerada prejudicial à saúde.

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