Enter your email address below and subscribe to our newsletter

明穂梅吉 Umekichi Akeho

quinta-feira, 03 de setembro de 2009

Diz-se que o Sr. Umekichi Akeho, que se envolveu no projeto de imigração por 36 anos, foi responsável por cerca de 80% dos japoneses que emigraram para o Brasil antes da guerra.

O envolvimento do Sr. Akeho com a imigração começou em 1912 (45º ano da Era Meiji). Em 1923 (segundo ano da Era Taishō), assim que a Companhia Ultramarina de Colonização (Kaigai Kōgyō Kaisha) se tornou a única empresa autorizada a enviar imigrantes para o Brasil, ele assumiu a função de diretor de imigração e a manteve.

O Sr. Akeho se dedicou ao projeto de imigração até o fechamento da companhia em 26 de janeiro de 1942 (17° ano da Era Showa), devido ao rompimento das relações diplomáticas entre o Japão e o Brasil. Embora seu caminho tenha sido diferente do de figuras como Ryu Mizuno, Shūhei Uetsuka e Umpei Hirano, ele deixou uma grande marca na história da imigração japonesa no Brasil.

Ele era, por natureza, magnânimo e prestativo, além de ser alegre e sem grandes ambições, a ponto de ter como único prazer cuidar dos novos imigrantes. Embora possuísse apenas cerca de 80 alqueires (200 Ha) de terra na localidade de Pacca, nos fundos de Cafelândia, não era apegado a ganhar dinheiro e tinha o álcool e as corridas de cavalo como passatempos. No entanto, ele não cometia excessos, como perder tudo no jogo ou ficar sem dinheiro para a passagem do bonde na volta do hipódromo. Sua vida familiar era muito invejada na época, vivendo com sua esposa Kameko, que o apoiava com sabedoria, e seu filho mais velho, Minoru, contando com o suporte discreto e eficaz da esposa. Se há algo particularmente notável a ser dito sobre ele é o período de alguns anos antes de se envolver com o projeto de imigração, pois isso serve como uma ajuda para conhecer a índole do Sr. Akeho e permite vislumbrar, de forma vaga, as figuras do início da imigração e a situação das cidades do Rio e de São Paulo.

Ele era natural da província de Tottori e fez parte da leva de 1906 (39º ano da Era Meiji). Ou seja, entusiasmado com a reportagem do jornal Osaka Asahi baseada no relatório do Ministro Sugimura, ele, apesar de já ter mais de 30 anos e ser casado com filhos, veio para o Brasil sozinho, via Europa, com grande determinação.

Certamente ele não veio sem rumo. Seu objetivo parecia ser a importação para o Brasil de tira de palha traçacada (bakkan sanada), que era sua atividade principal.

Ao chegar em Santos, o Sr. Akeho acreditou que seria provavelmente o primeiro japonês no Brasil e estava cheio de entusiasmo. Certo dia, ele pendurou orgulhosamente o emblema da Cruz Vermelha no peito e saiu para passear pela cidade de São Paulo de bonde, como um Dom Quixote japonês, quando, por acaso, descobriu alguém que parecia ser um japonês no mesmo bonde.

Descobriu que era o Sr. Takeo Gotō e ficou desapontado ao saber que, no mesmo ano, o Sr. Teijirō Suzuki já havia chegado antes de Gotō, e que, no ano anterior, o Sr. Zentarō Ōhira, um estagiário industrial da província de Mie ligado ao Ministério da Agricultura e Comércio, já estava no Brasil.

O Sr. Akeho, com a ajuda dos Srs. Gotō e Ōhira mencionados anteriormente, conseguiu um emprego em uma fábrica italiana de chapéus de palha. No entanto, como ele não era originalmente um artesão e, além disso, não entendia nada da língua, foi despedido em menos de um mês. Não se deixando abater, ele conseguiu emprego em outra fábrica e, trabalhando arduamente, progrediu e alcançou o nível de um profissional; não apenas isso, mas chegou a ser encarregado de parte da gestão e tornou-se muito próximo do dono da fábrica. O Sr. Akeho permaneceu ali por onze meses e finalmente havia encontrado esperança, quando, por coincidência, o Sr. Zentarō Ōhira, que o havia ajudado em 1907 (40° ano da Era Meiji), pediu-lhe que entrasse para a Casa Nippak (Nippaku Shōkai), que ele estava fundando no Rio de Janeiro, e Akeho aceitou o convite.

Dizem que a Casa Nippak foi a loja japonesa mais antiga no Rio de Janeiro. O Sr. Ōhira, visando o Natal daquele ano, importou várias centenas de caixas de produtos japoneses e abriu a loja na Avenida Rio Branco.

Os produtos se esgotaram num piscar de olhos. Isso pode ter ocorrido graças ao excêntrico proprietário do imóvel que, sem ser solicitado, publicou grandes anúncios em um importante jornal da cidade do Rio, incluindo uma caricatura de uma japonesa de olhos puxados segurando um guarda-sol. O fato é que, mesmo antes de a vitrine ser totalmente montada, multidões se aglomeravam desde o amanhecer, e a polícia chegou a enviar dois oficiais para controlar o tumulto.

Uma grande multidão de pessoas com notas na mão empurrava e se acotovelava. Inicialmente, o Sr. Ōhira, o Sr. Akeho e todos os funcionários atendiam os clientes vestindo os trajes tradicionais japoneses haori e hakama, mas em meio à confusão, eles acabaram tirando o haori, desfazendo a hakama e, por fim, arregaçando as mangas, tal era o nível de agitação e sucesso.

Assim que esgotavam esses produtos, não havia alternativa senão fechar a loja no dia seguinte e aguardar a próxima remessa. No entanto, como os produtos eram, originalmente, apenas itens raros (exóticos) e pouco práticos – além de serem de baixa qualidade – e, por outro lado, as pessoas deste país facilmente se cansam de novidades, não era de admirar que as vendas não fossem mais como as do dia anterior.

O Sr. Ōhira decidiu regressar temporariamente ao Japão, e o Sr. Akeho, a pedido de seu antigo patrão italiano, Giuseppe Zacchi, regressou à cidade de São Paulo no ano seguinte. Um jovem chamado Masashi Toyoshima, recém-formado em língua estrangeira, foi colocado como sucessor de Akeho.

A Casa Nippak continuou por um tempo após a chegada do Sr. Sanji Ōhira, pai do Sr. Ōhira, mas, finalmente, o Sr. Ōhira vendeu a loja para um jovem chamado Gosuke Hachiya e deixou o Brasil.

O Sr. Akeho tentou importar diretamente do Japão 50 mil peças de trança de palha de trigo, mas, ao perceber que o branqueamento não era suficiente e não se adequava ao gosto deste país, ele suspendeu as importações subsequentes.

Considerando que o estudo desse processo de branqueamento era um pré-requisito para a importação de palha de trigo para o Brasil, ele desejava encontrar uma oportunidade para retornar ao Japão e visitar várias fábricas. Nesse momento, ele foi encorajado pelo Sr. Tadao Kamiya, da Companhia Oriental de Imigração (Toyo Imin Kaisha), e finalmente decidiu regressar ao seu país, após seis anos de ausência.

Aqui reside outra história típica do Sr. Akeho. Ao chegar a Yokohama, ele dividiu o vagão do trem para Tóquio com um senhor idoso de aparência respeitável. O Sr. Akeho, com seu porte imponente de cerca de 1,73m a 1,75m, tinha um nariz proeminente, testa larga e uma cabeça robusta, sendo, de fato, um grande homem, destoando do físico japonês comum. Além disso, por ser vaidoso, ele usava um chapéu um tanto excêntrico, que havia sido exibido na exposição italiana pela fábrica de palha de trigo de São Paulo; usava pince-nez, óculos de pinça no nariz, e ostentava um bigode à moda moderna, haikara, da época. O senhor idoso, no mesmo vagão, deve tê-lo confundido totalmente com um estrangeiro. Com um sotaque peculiar, o idoso perguntou ao Sr. Akeho: "Este chapéu é fabricado no seu país?" Akeho respondeu: "Não, eu não sou estrangeiro". Em seguida, ele dissertou com eloquência sobre a situação do Brasil. Acontece que este idoso era ninguém menos que o Sr. Kahei Otani, na época uma grande figura no mundo financeiro e empresarial japonês. O constrangimento e a honra do Sr. Akeho são visíveis.

Após um ano de permanência no Japão, o Sr. Akeho inspecionou fábricas em diversas regiões, mas percebeu que a tecnologia japonesa da época estava longe de se igualar à da França e que a exportação para o Brasil era economicamente inviável, desistindo, a contragosto, da ideia.

Nesse momento, ele mudou de rumo, ingressando na Companhia Oriental de Imigração e, além disso, tornou-se acionista da subsidiária Nihon Bōeki, regressando ao Brasil. Sua esposa e filho mais velho embarcaram para o Brasil em março de 1912, (45º ano da Era Meiji) a bordo do navio Kanagawa Maru, o primeiro navio de imigrantes da Companhia Oriental de Imigração.

O Sr. Akeho faleceu em 13 de dezembro de 1953 (28° ano da Era Showa), vítima de doença, aos 79 anos de idade.

Cadastro na newsletter “Boletim do CENB”
Subscription Form|人文研だより