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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

O Sr. (Shin Kimitsuka) era o segundo filho de Shunichi (Capitão de Engenharia da Marinha) e Masako. Seu registro familiar era em Kagoshima, mas nasceu em Mita, Tóquio. Após se formar na Escola Primária Kanda, em Tóquio, ele frequentou a Escola Secundária Ōmuta, na Província de Kumamoto, em seguida ingressou na Escola Militar de Cadetes de Kumamoto e se formou na Academia do Exército (20ª Turma). Ele chegou a ser porta-bandeira no 14º Regimento de Infantaria da 12ª Divisão de Kokura, uma unidade que já foi comandada pelo General Nogi.
Naquele período, em que se afirmava que o Exército era dominado por pessoal de Chōshū e a Marinha por pessoal de Satsuma, refletindo a forte influência regional nas Forças Armadas Japonesas, ele costumava dizer em vida que um homem de Satsuma de pura estirpe, tendo se infiltrado no Exército de Chōshū, não tinha oportunidade de ascender.
O Capitão Matsuo Itami do Exército, que foi o primeiro adido militar na legação do Rio de Janeiro e um parente distante do Sr. Sakamoto, já o havia aconselhado a reorientar sua carreira para o empreendimento de imigração no Brasil. No entanto, o Sr. Sakamoto, que admirava o General Nogi como ser humano mais do que como figura militar, ficou com a intenção clara de deixar o serviço militar após o martírio (suicídio em honra) do General Nogi.
É relatado que ele foi incentivado pelo Sr. Morishima, recém-chegado da América do Norte, com a frase: "O Paraíso não está no Norte, nem no Leste, nem no Oeste, mas está todo no Sul," e assim ele tomou a decisão final de viajar para o Brasil.
Em maio de 1914 (3º ano da Era Taishō), ele viajou ao Brasil a bordo do navio Wakasa Maru e, por um tempo, trabalhou na fazenda do Sr. Yūzaburō Yamagata, no Rio de Janeiro. Dizem que ele conquistou a admiração do grande Yamagata, que lhe deu o aval, dizendo: "Este rapaz vai dar em algo." Em 1917 (6º ano da Era Taishō), ao ingressar na Cooperativa de Imigração do Brasil, seu destino se tornou decisivo.
endo o navio Wakasa Maru de 1914 (3º ano da Era Taishō) como a última embarcação, o contrato de imigração foi rescindido pelo Estado de São Paulo. Em março de 1916 (5º ano da Era Taishō), as três empresas – Companhia Oriental de Imigração, Cia. Takemura de Colonização e Companhia limitada de Emigração Morioka – uniram-se para organizar a "Cooperativa de Emigração para o Brasil" (Burajiru Ijū Kumiai). No verão do mesmo ano, a cooperativa enviou o Sr. Tadao Kamiya ao Brasil para negociar com as autoridades do Estado de São Paulo a retomada da aceitação de imigrantes japoneses. Em agosto do mesmo ano, foi firmado um novo acordo para a aceitação de imigrantes, e a imigração sob este novo acordo foi retomada em abril de 1917 (6º ano da Era Taishō), novamente com o navio Wakasa Maru. Em dezembro de 1917 (6º ano da Era Taishō), a Companhia Ultramarina de Colonização (Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha KKKK) foi estabelecida, e o Sr. Sakamoto também se tornou um funcionário da Kaikō, podendo exercer sua capacidade e talento livremente.
Naquela época, a comunidade japonesa no Brasil ainda não havia se consolidado como uma sociedade organizada, e a presença japonesa no meio urbano da cidade de São Paulo ainda era incipiente e composta por poucos residentes. O Consulado, a Companhia Ultramarina de Colonização (Kaikō) e a Casa Fujisaki constituíam o que era chamado de "Gosanke" — um termo que remete às três linhagens mais prestigiosas do xogunato japonês —, referindo-se aqui às três instituições que detinham a máxima autoridade e influência sobre a comunidade. O prestígio dos funcionários da Companhia Ultramarina de Colonização
era tão elevado que, recorrendo a uma metáfora popularizada por Kiyoshi Yamashita — um famoso artista japonês que costumava classificar o valor das pessoas por meio de patentes militares —, poderíamos dizer que o Sr. Sakamoto teria sido promovido ao posto equivalente ao de Coronel.
Como a alocação dos imigrantes ocorria principalmente na zona cafeeira antiga, a Companhia Ultramarina de Colonização estabeleceu uma sub-sede em Ribeirão Preto e enviou o Sr. Sakamoto como seu responsável. Homem de boa linhagem, de aparência distinta e personalidade cativante, o Sr. Sakamoto tornou-se o "rei" de toda a região da Linha Mogiana até 1939 (14º ano da Era Shōwa), alcançando grandes feitos como mentor e protetor dos imigrantes das fazendas de café. Ao assumir o trabalho de imigração após o Sr. Umekichi Akiho, ele chegou a atuar como gerente de filial substituto.
Por ser um homem que apreciava uma boa bebida e possuía uma inteligência perspicaz, ele conquistou a admiração dos jovens da época, sendo carinhosamente apelidado de "Sakamoto Chindai" (A Fortaleza Sakamoto) e tornando-se uma das figuras mais emblemáticas e queridas da colônia japonesa.
Casou-se em 1921 (10º ano da Era Taishō) com Sugako, a filha mais velha do Dr. Kenzō Kitajima — médico que era venerado quase como uma divindade pelos moradores ao longo do Rio Ribeira. As recordações de Sugako sobre aquela época revelam com clareza a essência humana de Sakamoto.
"Sakamoto era dono de um físico imponente e muito querido por seu jeito extrovertido e generoso, mas, surpreendentemente, ele tinha um lado tímido e inseguro. Na época em que meu pai, o Dr. Kitajima, mantinha sua clínica em Registro, houve uma noite em que alguém bateu à porta com força: 'Bum, bum!'. Pensando tratar-se de uma emergência médica, meu pai foi atender e deu de cara com o Sr. Umezaburō Hara, da Associação Nipo-Brasileira, e o Sakamoto — ambos com os rostos avermelhados pela bebida.
Enquanto meu pai os observava, perplexo, Sakamoto, tentando manter-se firme em suas pernas trêmulas, gritou com uma voz tão potente que eu, lá dentro, pude ouvir claramente: 'Vim aqui para pedir a mão de sua filha em casamento!'. Fiquei realmente espantada. Meu pai pareceu ainda mais desconcertado e tentou acalmá-lo, dizendo: 'Bem, já está tarde esta noite... que tal voltarem amanhã?'"
Contudo, Sakamoto insistiu com aquela sua voz estrondosa: "De jeito nenhum! Se fosse para vir amanhã, eu não estaria aqui a esta hora da noite. Tentei vir inúmeras vezes até hoje, mas não tive coragem de tratar de um assunto desses estando sóbrio. Por isso, tomei uns tragos esta noite e trouxe comigo o Sr. Hara para me apoiar. Por favor, me dê uma resposta! Não sairei daqui enquanto o senhor não me responder!" — uma verdadeira intimação.
"Pressionado pelo fervor dos dois, meu pai acabou cedendo: 'Está bem, está bem... entrem, por favor'. Eles foram conduzidos à sala de visitas e, assim, fui forçada a participar de um 'miai' (encontro formal para casamento) com o Sakamoto completamente embriagado.
Naquela situação, Sakamoto estava tão nervoso e fora de si que confundiu a vela sobre a mesa com um doce e começou a mastigá-la com a expressão mais séria do mundo. Ao vermos aquela cena, tanto meu pai quanto eu não aguentamos e caímos na gargalhada."
Como figura pública, ocupou cargos honorários em organizações como a Associação de Assistência Mútua dos Japoneses no Brasil (Dōjinkai) e as federações de Judô e Kendô. Ele caminhou lado a lado com figuras como Sukenari Onaga, Satsuzen Fukukawa e Chūzaburō Nomura, integrando um grupo que refletia seriamente sobre as questões enfrentadas pela segunda geração (Nissei).
Em 1940 (15º ano da Era Shōwa), por ocasião do 2.600º Aniversário da Fundação do Império Japonês (Kōki 2600), ele foi um dos 19 residentes japoneses no Brasil condecorados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão por seus méritos e contribuições excepcionais aos empreendimentos de imigração e colonização.
Por mais de 20 longos anos, até 1941 (16º ano da Era Shōwa), o Sr. Sakamoto dedicou-se ao amparo e cuidado dos imigrantes. Contudo, em 28 de janeiro de 1942 (17º ano da Era Shōwa), ocorreu o rompimento das relações diplomáticas entre o Brasil e o Japão. Em abril do ano seguinte, a Companhia Ultramarina de Colonização foi colocada sob intervenção do governo brasileiro. Diante desse cenário, o Sr. Sakamoto, juntamente com o gerente da filial, Sr. Miyakoshi, e o Sr. Takeshi Hasegawa, recebeu a notificação de que não precisariam mais comparecer ao trabalho, sendo assim desligado da empresa.
Após o término da guerra, ele ingressou temporariamente no Jornal Paulista — periódico que se posicionou como um "jornal de esclarecimento, defendendo a aceitação da realidade da derrota japonesa em meio ao conflito ideológico da época. Lá, dedicou seus esforços à angariação de assinantes. A partir de 1949 (24º ano da Era Shōwa), passou a gerir a filial brasileira da empresa comercial Odagiri (Odagiri Shōji Kaisha) em sociedade com o Sr. Gisuke Takenaka. Nessa função, ocupou-se dos trâmites de recebimento de suprimentos de ajuda enviados do Japão, sua terra natal, dedicando-se a essa tarefa como um gesto de profunda consideração e apoio à sua pátria.
O Sr. Sakamoto veio a falecer devido a uma enfermidade em 4 de maio de 1951 (26º ano da Era Shōwa). Pouco antes de seu descanso eterno, Sua Alteza o Príncipe Naruhiko Higashikuni — que fora seu colega de turma na Academia Militar — soube da gravidade de seu estado de saúde. Por coincidência, seu quarto filho, Toshihiko (atualmente filho adotivo e herdeiro do Sr. Tetsusuke Tarama), estava de visita ao Brasil e foi enviado pelo Príncipe para visitar o Sr. Sakamoto em seu leito de enfermidade.
Naquele momento, Sakamoto já não possuía forças para responder verbalmente. Contudo, ao ver o rosto de Toshihiko próximo ao seu travesseiro, ele deixou as lágrimas aflorarem em seus olhos e assentiu com a cabeça por duas vezes, expressando seu mais profundo e sincero agradecimento.